sexta-feira, 10 de julho de 2009

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O meu rosto é tímido o suficiente para ninguém me ver, em particular quem eu quero que me veja, que olhe, que me ache e procure em mim aquilo que eu sou e não aquilo que aparento, porque o que aparento é uma cápsula que me mantém distante de tudo e de todos, não por minha vontade, mas porque não sei estar de outra forma, a não ser quando estou rodeado de amigos, ou quando interagem comigo. Sozinho sou assim, uma criatura invisível, um figurante sem rosto ou sentimento, uma peça da paisagem, alguém que observa e não é observado, alguém que não gosta de ser o centro das atenções e desvia o olhar humildemente…

5 comentários:

V. disse...

É claro que as pessoas te "vêem", e talvez te vejam assim, tímido, com todos as tuas características que se fazem notar por fora! Maaas, talvez, outras que te conhecem melhor, te vejam como tu realmente és, por dentro, por fora, conhecendo toda a tua essência! É tão bonito armarmos a pessoa em pleno, as qualidades e os defeitos, ain!***

Patrícia disse...

"Quem vê caras não vê corações" - diz-se por aí. No meu caso, dou bastante valor à expressão corporal de uma pessoa enquanto fala comigo, principalmente a facial. Talvez por isto não goste de falar ao telefone.

Quando queremos que alguém nos olhe é quando nos tornamos seres que não somos. Intimidados, calados, e sem saber que gesto tomar ou palavras a dizer.

Isso deve andar passarinho verde na costa.

Le Enfant Terrible disse...

Patricia
No meu caso andam bandos de passarinhos verdes na costa! ;)

Hermione disse...

mesmo quem não é assim na sua essência, todos têm dias assim.
p.s - adoro Rene Magrite :)

Balada da minha Alma disse...

Alguém disse: meu rosto nunca se me deu, porque por trás dele, estou eu.

Ler este post fez-me pensar numa expressão: zona de conforto. Os teus amigos e quem te conhece bem são a tua zona de conforto. Fora desse meio, é mais difícil sermos nós mesmos.