terça-feira, 21 de julho de 2009

Feridas


As feridas não são todas iguais. Existem grandes e pequenas feridas. As pequenas são para mim as mais perigosas porque não lhes damos tanta atenção exactamente pelo seu tamanho e pela pouca dor que nos provocam, contudo é mesmo por isso que levam mais tempo a cicatrizar ou então nunca chegam sequer a esse ponto. Estão ali sempre prontas a abrir, mal cicatrizadas e tratadas, negligenciadas que com o mínimo esforço voltam a libertar a sua dor pelo nosso corpo e espírito. Basta um sonho, um pensamento, uma imagem, um momento, um segundo ou outra qualquer coisa que das profundezas do nosso cérebro surja para reabrir a dor mal curada e então uma pequena ferida torna-se uma grande ferida, que nos faz contorcer, delirar ou suplicar para que pare de doer. As grandes feridas têm um destino certo. Cicatrizam, deixam uma marca profunda, mas estão mortas, viveram e morreram ao contrário das pequenas feridas que vivem, adormecidas prontas a despertarem ou simplesmente latejando constantemente ao ponto de não as notarmos, vão-se mantendo, vão crescendo, quais parasitas que nos consomem para um dia, quando menos se espera, se revelarem e nesse momento ou as tratamos ou perecemos…

7 comentários:

Gingerbread Girl disse...

Sei do que falas... ;)


E quando gangrenam?!? :s
Outch!!

Hermione disse...

nao podia concordar mais, bonita metafora. sem duvida q o acumular de pequenas feridas é tao ou mais perigoso do que uma grd ferida.. beijinho

a estagiária disse...

E quando essas pequenas feridas abrem de novo parece que ainda doem mais... e às vezes nunca chegam a sarar...

(só agora reparei.. a tua imagem de perfil é diferente mas igual à minha.. :) )

P.S. Muito expressiva a imagem...

PEDRO PINA disse...

tenho uma ferida k parecia pekena mas k aumenta à velocidade da luz...

S* disse...

As grandes feridas têm sempre mais atençao da nossa parte. Mas dispenso ambas. Mesmo. Dores já eu tive que chegue.

Kikas disse...

credo, nunca pensei dar-te assim razão. como é alguém bastante insensível (estou a brincar, mas só um pouco) como tu consegue escrever isto? adorei, admito :) é tão real!

Patrícia disse...

Como te entendo...

Nos últimos dias abriram-me uma das feridas pequeninas, com um simples sorriso.
Logo eu que já não me lembrava de como é um sorriso dele.