domingo, 25 de outubro de 2009

Não me tirem o papel...


As empresas de transporte (bem como outras) hoje em dia, têm uma maquineta onde temos de assinar em como recebemos alguma coisa. Não gosto de fazer assinaturas, mesmo que sejam somente uma rubrica, naquele formato digital. Já com o cartão do cidadão e o passaporte é a mesma coisa, temos de gatafunhar a assinatura num pequeno pedaço de papel sob uma superfície muito dura, sendo que o papel só lá está para vermos o que fazemos. Escrever para mim pressupõe papel e não é uma folhinha fininha ou um vidro de plástico cheio de cristais líquidos. Embora goste e já não possa passar sem a tecnologia de hoje em dia e tire usufruto de todas as suas potencialidades, acho que certas coisas têm a sua graça por serem como são. A escrita é daquelas coisas que pressupõe mais do que somente um gesto intelectual, tem de ser acompanhada da motricidade fina, aquela que está presente e é desenvolvida pelo tacto, pelas mãos e não é igual à escrita num teclado de computador por exemplo. Agora começo a ver nas salas de aula colegas meus que em vez do velho caderno levam um pequeno laptop e lá vão fazendo os apontamentos…não sei, acho estranho! Mas também confesso que gosto igualmente de escrever no PC, mas pelo prazer da escrita, não tanto pelo prazer do próprio gesto que é escrever. Só espero que nunca me tirem o prazer de sentir a caneta ou o lápis a definir traços ao comando dos meus dedos sob uma superfície macia de papel e sentir o evoluir das suas formas por entre linhas azuis, por muito menos apelativo que fique no final, por menos rápido que seja ou limpo, o certo é que aquelas marcas são minhas e só minhas e o papel com a sua textura ímpar uma melhor testemunha por mais defeitos e frágil que seja. E isto é válido para a maior das cartas como para mais pequeno post-it. O papel dura séculos se conservado, os bits podem ser apagados da face da terra com um simples toque, mas acima de tudo o que se escreve em papel é individual, é pessoal, é uma extensão nossa, a nossa imagem, mais pela forma que fica ali preservada para todo o sempre.
[Pelo andar da carruagem, com Magalhães e coiso e tal, ainda a miudagem deixa de saber escrever!]

5 comentários:

D* disse...

Eu não me imagino a não escrever com caneta e papel, aliás estes 2 instrumentos são-me essenciais! Eu adoro desenhar\pintar e com estas tecnologias todas (que eu já não me imagino a viver sem elas) já há muita gente que faz os desenhos digitais, já não usam papeis e tintas... é triste, muito mesmo. É bom acompanharmos as tecnologias mas há que manter os bons hábitos, como o da escrita e da leitura. Ah! E agora com os livros digitais que já há muitos livros que não são editados em papel são vendidos digitalmente... podem ser muito confortáveis e tal, mas isso comigo não dá! Não há nada como o desfolhear de um livro :)

L'Enfant Terrible disse...

D*
Sê bem vinda!

S* disse...

Ja da para escrever no MSN, quase à mão (mas com o rato). Evoluçao que nos faz perder qualidades...

maria teresa disse...

Eu mesmo quando estou a teclar no computador tenho sempre ao lado um caderno, exactamente um caderno, e uma caneta e um lápis para ir tomando notas.
Cartas só as escrevo à mão, é mais pessoal, mais humano...

maria teresa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.