terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Aquilo que persiste


Quando se pensa que tudo afinal não passou de um fogacho, de algo que queimou rapidamente e já passou, que se bateu com a cabeça contra as paredes por não entender porque houve tanto sofrimento, tanta lamúria. Quando tudo parece terminado, sem qualquer veia que pulse ou expressão do rosto que a denuncie, descobre-se que afinal é tudo uma ilusão. Está tudo cá na mesma, continuamente a martelar na nossa cabeça, quiçá com mais intensidade que anteriormente, como se nada tivesse sido esquecido, como se tudo se mantivesse e estivesse apenas adormecido. Há coisas que nos movem sem percebermos, aparentando terem-se perdido nos confins da nossa alma, porque no final por muito que desejamos seguir em frente continuam lá, não as esquecemos, talvez porque não as queremos esquecer, pois todo o esforço a que nos dispusemos não pode ter sido em vão para relegar tudo para o espaço dos esquecimentos, para o espaço das memórias e talvez por isso uma onda sinusoidal esteja sempre a reger-nos o espírito impedindo que haja uma qualquer estabilização ou um fluxo contínuo, por isso, de alguma forma seria necessário parar e abandonar a luta que nos anima, mas também isso nos faz chorar…

14 comentários:

GATA disse...

...vá lá, não chores, eu ofereço-te um vinil dos PIXIES! :-)

PS: não gosto dos Pixies mas já vi um concerto da banda, supostamente o último da carreira...

Gaja com G maiúsculo disse...

AAAAiiiiiiiii rapaz! Agora fizeste-me suster a respiração!
O teu texto está super marcante, intenso, e quem já não passou por isso? Vamos alugar um barco e saltar todos lá para dentro, qual cruzeiro, qual quê!

Beijinhos e não desanimes

izzie disse...

Again... precisão acutilante.

Acredito que seja isso que se passa um pouco dentro de todos nós. Pelo menos escreveste o que muitas vezes me passeia a mente :)

Acho que a opção da Gaja aqui em cima é a certeira... bora embarcar em 2010 num cruzeiro assim, porque estamos todos habilitados.

[Parabéns!]

Beijinho,

ADEK disse...

O melhor é tentar não esquecer nunca... Até porque tudo o que nos aconteceu, é que fez de nós o que somos hoje. Por isso, bom ou mau, é de lembrar para sempre!

Lia disse...

as memórias servem para nos fazer sorrir ou chorar mas despertam sempre sentimentos...e sentir é sempre bom! Temos um coração e isso é de louvar!

Girl in the Clouds disse...

O teu texto está marcante, muito bom!! Beijinhos

Preto & Branco disse...

Sem dúvida o seu melhor texto :)
Podia dedicar :p

L'Enfant Terrible disse...

Preto & Branco
Obrigado!
PS: Não o "seu" é o "teu" e é "podias"ok?

100 remos disse...

"A persistência da memória".

João P. Tavares disse...

Eu ando a ler o seu blog há uns tempos e a forma como consegue se descrever é impressionante. Tivesse eu a memsa capacidade de me exprimir... e coragem, também.
É que, afinal, estava a pensar que era mesmo o único.
Muitos lugares comuns, actuais ou passados.

O que me resta é levantar a cabeça, que novas oportunidades surgem sempre quando menos se espera... E ter uns poucos mas muito bons amigos (e amigas) e um bom vinho (os que ajudam são os primeiros).

Um abraço.

Anónimo disse...

Nem sempre conseguimos seguir em frente como se pretende... E é exactamente nos momentos em que nos sentimos mais frágeis que vem tudo à tona, e custa sempre mais, porque cada vez que passa esquecemos um pouco o quanto custa... Identifico-me bastante com este texto, neste últimos tempos também tenho andado a lutar contra uma ilusão demasiado real...

Beijinhos,
Helena

L'Enfant Terrible disse...

João
Sê bem vindo, obrigado pelas palavras e não desesperes, melhores dias virão!
Um abraço

Pinkk Candy disse...

olá, dito de uma forma que melhor seria muito difícil dizer, e que todos, ou quase todos de nós (porque também os há, os insensíveis), sentimos.
era bom que assim não fosse, que quando esquecêssemos fosse para sempre '( e parar de sofrer por memórias, pelo passado, e viver o presente intensamente, pensando no futuro com alegria, fácil de dizer e dificil de fazer, I know.

kiss

Rapunzel disse...

Acho que ja tenho um doutoramento nesse curso...