domingo, 10 de janeiro de 2010

A Leveza e o vazio


Por vezes sentimo-nos leves, sem nada a pesar sobre a nossa cabeça, sem nenhum problema de maior a não ser prosseguir com as habituais tarefas de rotina, que embora um tanto monótonas são fáceis de executar. Nesses momentos não pensamos muito, limitamo-nos a respirar, a sentir o ar a entrar nos nossos pulmões e de alguma forma ficamos como balões, sem peso, serenos e tranquilos. Nem todos os dias são assim. O cansaço, o desejo de ter o que não se tem, as complicações de um mundo que parece conspirar contra nós, leva-nos a não parar para respirar, mas pensamos e muito, a cabeça parece cheia de tudo, de bom e mau, de aspirações, de complicações, de preocupações, de pequenas e grandes tentações que nos levam a um tormento vibrante. Essa é a turbulência que domina a maioria dos dias, mas não todos e quando a sentimos queremos deixar de sentir, desejamos vomitar tudo para fora, escancarar a mente para o exterior e aspergir tudo para tentar refrescar as ideias, diluí-las e por vezes até esquece-las. Nos dias opostos contudo, no meio de toda a paz em que navegamos, somos assaltados por um vazio, uma memória de esquecimento, a falta de reacção para um acção, o não sentir do batimento cardíaco, a falta de paixão, de emoção. Encontramo-nos a levitar, mas ao mesmo tempo sentimos falta da vida, do tumulto que de alguma forma nos preenche e por mais dor que provoque evoca a energia que há em nós libertando todo o sentimento na sua forma mais crua e pura.

7 comentários:

Gaja com G maiúsculo disse...

Olhando para trás concluo que nunca estamos bem com o que temos, somos seres insatisfeitos por natureza. Mesmo quando estamos felizes, felicidade que normalmente só reconhecemos depois, arranjamos sempre qualquer coisinha para nos incomodar, por mais insignificante que seja...

Apenas com muita experiência de vida, chegaremos lá...

Beijinhos

Mona Lisa disse...

Com os anos percebemos que na realidade precisamos de muito pouco para sermos felizes. As coisas realmente importantes são simples, não as compliques:)

p.s. Adoro este quadro de Van Gogh!

Rapunzel disse...

Se soubesses o quanto este post faz sentido no meu fim-de-semana...

Bjs

Anna disse...

É isso que nos distingue dos restantes seres - o facto de não nos limitarmos a existir e de termos esta faculdade de racionalizar que nos domina.

Essa leveza de que falas é, sem dúvida, revigorante! Funciona como uma bolha de ar que encontramos no caminho sufocante do quotidiano. É uma pausa necessária para essa nossa faculdade que nem durante o sono descansa.

Essa leveza é essencial, de facto, mas não deixa de ser um conjunto de momentos efémeros com que intercalamos o esforço permanente da nossa Razão.

Beijinho*

Anira the Cat disse...

Quando sentimos um vazio, desejamos sentir o turbilhão de emoções. Quando estamos encurralados por sentimentos avassaladores, só queremos sentir calma e paz... somos eternos insatisfeitos.

Girl in the Clouds disse...

É tão bom quando temos a cabeça livre e leve!! Mas, de facto nem sempre conseguimos!!
Quando estou num desses dias até dou valor!!
Adoro Van Gogh!!

by " A Invisível " disse...

Caro Terrible;
Quando sentimos essa leveza cá dentro, é tão bom... Sinto-me em paz comigo, e com os outros.
Beijinho* :=)