terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

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E eis que quando vou iniciar a semana, logo pela manhã cedo, ainda a tentar ordenar mentalmente todos os meus horários, compromissos, a planear de cabeça todo um novo ciclo a curto, a médio prazo, envolto nos meus problemas do dia-a-dia, sendo que na sombra estão sempre presentes os “outros” problemas, aqueles sobre a existência que constantemente me assaltam e são deixados para segundo plano distraídos por múltiplas tarefas mundanas, que recebo uma mensagem de um grande, senão mesmo o maior, amigo, o mais antigo e o mais presente em muitas circunstâncias da minha vida. A mensagem carrega pesar, carrega dor, uma espécie de algo que já estava anunciado desde o final do ano, mas que as voltas do destino decidiram, de modo maquiavélico, fazer durar mais um tempo, fazer subsistir uma pequena esperança que agora se esfumou por completo. A dor da espera termina para dar origem à dor da perda. O pai do meu amigo faleceu depois de muito lutar com todas as forças que lhe restavam. E eu caio em mim mais uma vez, vejo quanto mesquinhos e miseráveis são os meus problemas. Consigo arranjar maneira de conduzir cento e cinquenta km noite fora para estar presente e dar o meu abraço, fazer a minha despedida. Sinto a impotência do ser humano perante a dor da perda espelhada em mim, a sempre difícil reacção que a morte provoca em nós. Estive presente, mas é difícil estar sem ter poderes para minorar a dor de um amigo…

4 comentários:

Gaja com G maiúsculo disse...

É muito complicado Terrible, faz esta semana 3 semanas que perdi um grande amigo dele, e está presente todos os dias, no meu pensamento e coração.
Agora imagina a dor de perder um pai, filho... lembro-me quando perdi o meu avô.

Mas sim, podes fazer algo para minimizar a dor dele, porque nestes momentos todo o apoio, presença e amizade, são indispensáveis.

Força! Beijinhos

Girl in the Clouds disse...

Realmente à situações da vida que são tão tristes....kiss

Anira the Cat disse...

Há alturas em que não se sabe o que dizer, mas a simples presença ajuda...

Bjokas

Nirvana disse...

Tens razão quando dizes que muitas vezes os nossos "problemas" não são tão grandes como os pintamos, e há circunstâncias que nos fazem parecer ainda mais pequenos que eles, mas são pequenos pedaços de nós, são os nossos, e o mundo pode girar ao contrário que vão continuar a ser.

Não há como minorar a dor da perda de alguém que se ama. O luto e o recomeço de uma nova vida sem essa pessoa só cada um pode fazer. Mas acredita (por experiência própria) que nessas alturas o abraço e o apoio de um amigo verdadeiro ajuda muito.

Bjnhs