quinta-feira, 18 de março de 2010

Ainda...


Ainda penso, sonho, concretizo nas teias das minhas memórias aquilo que não tive, aquilo que parecia estar morto, enterrado, que surge perante mim qual fantasma que me aborda, que dança à minha frente, que se torna real na medida das minhas ilusões levando-me pela mão a um recomeço, do qual esforço-me agora para fugir, tento resistir, mas acabo sempre por ficar mais um pouco, tecendo o antigo com o presente e o futuro, como que a reler um livro já lido e sublinhado, estudado ao ínfimo pormenor, procurando, talvez, algo que me tenha escapado, uma nova interpretação para delinear um novo plano. Mas a conclusão é sempre a mesma, conduzida pelo cansaço, pela desilusão, pela sensação de caminhar sem sair do mesmo sítio. Sigo em frente, parto, vou, volto as costas, mesmo sabendo que acabo sempre por retornar, nem que seja por um pouco, na esperança de ao ir, encontrar outro sonho que se revele como real, que me prenda e leve ao esquecimento pleno uma memória agridoce, que se instalou e teima em continuar presente mesmo que de um modo não aparente.

6 comentários:

c. disse...

Por vezes também me sinto assim.. Aliás, sinto-me imensas vezes assim...

Girl in the Clouds disse...

Já te disse várias vezes, tu escreves muito bem. Está muito bom o texto!! kiss

Girl in the Clouds disse...

Já te disse várias vezes, tu escreves muito bem. Está muito bom o texto!! kiss

Gaja com G maiúsculo disse...

Acho que todos nós temos sonhos desses!! Uns concretizam-se, outros nem por isso, pensamos neles, num modo de colocar em prática, e por mais que tentemos nãos saímos do sítio, e fica aquela sensação de decepção, amargura. Mas sabes que mais? Tudo o que acontece nesta vida, acontece por uma razão! E temos que acreditar nessa máxima Terrible!

Beijinhosssss

Nirvana disse...

Não vale a pena estar a dizer que gosto muito, mesmo muito dos teus textos. Se não gostasse não os leria, e dedicava-me a ler por exemplo, a Bola ou assim :))*

Claro que há uns com que nos identificamos mais, quanto mais não seja por serem ideias que nos cruzam o pensamento e que tu pões em palavras. Este é um deles.
Ter a sensação que se caminha e tenta-se mesmo caminhar, Kms, até, mas acabando sempre por voltar ao mesmo sítio, porque na verdade nunca se saiu de lá.

Beijinhos

*Espero que não leves a mal a brincadeira. :) Mas só a parte de ler a Bola é brincadeira.

Anira the Cat disse...

Por vezes parece que caminhamos numa redoma...

Bjokas