terça-feira, 6 de abril de 2010

Desencontros


Quando tu andas num paralelo eu estou noutro. Quando subo tu desces, quando desço tu sobes. Cruzamo-nos mas nunca nos interceptamos num eterno desencontro onde apenas te vejo passar, onde olho sem tocar e sinto a arder em mim o desejo, que não consigo esquecer, apagar ou refrear. No meio desses percursos apenas espero um olhar, um vislumbre de ti reflectido nos meus olhos o que escancara a minha mente para um cenário luminoso, onírico, idílico nesses esparsos segundos e nos longos minutos que se seguem, já depois ter passado a memória, que é mantida, armazenada, continuada, fechada dentro de mim, num esforço para que toda a luz que me chegue aos olhos possa formar o teu contorno, a tua imagem e continuamente, como eterno prazer, possa-te ter, ainda que virtualmente, para sonhar, para recordar, para não te perder, para não te desencontrar…

5 comentários:

Girl in the Clouds disse...

Querido Terrible, o texto está fantástico!! À vezes também tenho a sensação que ando em sentido contrário à minha cara metade, mas também coloco a questão será que não idealizamos demais essa cara metade? kiss

Lápis disse...

Três palavras:

Lindo Lindo Lindo!

L'Enfant Terrible disse...

Girl in the Clouds
Por certo sim, mas é díficil não o fazer quando nada mais se pode tentar.

Nirvana disse...

Texto lindo, Terrible, que reflecte tão bem o que por vezes se passa. Os desencontros, os que existem e os que nós próprios fazemos. Que impomos a nós próprios. Em que, por vezes, deixamos passar aquele bocadinho de tempo em que quem desce e quem sobe ficam ao mesmo nível!
Beijinhos

Carolina Tavares disse...

Oi Terrible, o texto e os comentários fizeram-me lembrar de um filme ¨O Feitiço de Áquila¨ cuja história fala de um casal que são atingidos por uma maldição ficando impedidos de se entregar um ao outro, de dia ela sempre será um falcão e de noite ele toma a forma de um lobo. Acho que retrata esses desencontros que nos são tão angustiantes. bjus