segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aquilo que vejo


É neste caminho solitário que percorro que vislumbro as imagens plurais que todos parecem estar a viver. Vejo essas uniões, essas ligações que encerram um sorriso latente, por vezes tímido, mas sempre presente, nos gestos, nos olhares mesmo quando as pálpebras caem, entrecruzando-se ideias, vozes, projectos e sonhos. Vejo a concordância plena, o momento mágico a nascer das pequenas coisas que na pressa do dia-a-dia nem se repara, cenários que parecem pintados mas são vivos, lugares de pedra mas que ganham uma particularidade só compreendida na cumplicidade do múltiplo. E o tempo? O tempo deixa de ser, eclipsa-se, perde-se como água nas areias de um deserto, esperando-se apenas que a Terra gire para trazer a Lua e as estrelas e depois o céu claro e o Sol para aí se inscrever o que se vive, para aí se inspirar o que se vai dizer, o que se vai fazer. Consigo ver tudo isto, mas não o consigo sentir no meu âmago e pergunto-me se quem o vive tem consciência daquilo que é inconsciente, daquilo que transpira da realidade para o campo da perfeição, que nem sempre é percebida, mas acima de tudo é sentida.

2 comentários:

Anónimo disse...

Profundo e sentido... adorei!!
Je

açoriana disse...

Porque há palavras que se conjugam na perfeição e dão um sentido à confusa conjunção de sentimentos e emoções que guardamos nas profundezas do nosso ser...

Lá fora ninguém parecia saber o que se escondia cá dentro... mas tu, tu és terrível!!!