terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma questão de fronteiras


Tanto na vida como nas relações tudo é uma questão de fronteiras, de se definir aquilo que é e o que não é. Esta definição por sua vez cria enormes dores de cabeça, seja porque não se aceita a forma como estão demarcadas essas linhas divisórias, ou pelo modo ténue em que se encontram as mesmas, não permitindo ver com clareza o que está à nossa frente.


A química entre dois seres é uma questão de fronteiras, deveria de fluir livremente, sem entraves, em liberdade, sem versões A ou B, deveria ser única, constante, mas nem sempre isso acontece e as barreiras que a mesma espelha confundem-nos tantas vezes, pelo que é complicado procurar perceber o que se sente afinal, o que é isto ou aquilo, se há uma igualdade entre dois mundos, ou apenas um mundo que gira em torno do outro, mantendo-se este último imóvel e com gravidade suficiente para nos manter afastados.


Depois há também o esquecer das coisas intuitivas, do que é instintivo e não pronunciável, fazendo-se apenas uso do que é objectivo, racional, para se tentar chegar ao mais subjectivo dos objectivos que é a felicidade, mas uma felicidade apenas pensada a um e não a dois. E é por não haver uma clareza daquilo que é a química, ou do que são as químicas, por estas reflectirem muitas vezes apenas uma parte e não o todo, que não se vê por vezes a fronteira que é demarcada, produz-se uma confusão em toda uma série de factores, por se querer ser mais do que aquilo que se é, quando no fundo não se pode transformar, evoluir ou transmutar-se aquilo que se tem, exactamente porque essa reação é percebida na nossa consciência, mas não sentida nos nossos instintos.

6 comentários:

Rapunzel disse...

Cá está! :P

Bj

Smurf disse...

Bem dito, bem escrito, bem pensado. É isso mesmo.

Nirvana disse...

Percebida na consciência mas não sentida nos instintos não é química.
O problema são as demasiadas fronteiras que impomos, a nós e aos outros.
Bjnhs

Miss Kin disse...

Ando a pensar nisto há muitos meses, e mesmo com a tua "explicação", não chego lá... Como é que se sente e não se sente? Ou como é que sente pela metade? Como é que a química diz que é tudo e nós fazemos dela nada?

by "A Invisível" disse...

Querido Terrible;

Talvez se as pessoas não estivessem tanto com "o pé atrás" umas com as outras, as "químicas" fossem diferentes, ou não...
O ser humano é complexo, no pensamento e nas atitudes...

Beijinho*

'Mimi disse...

As coisas são tão complicadas... Se houvesse uma explicação racional era bem mais fácil