quinta-feira, 17 de junho de 2010

Deve ser só comigo


Quando estamos prestes a terminar um projecto pelo qual tivemos de nos sacrificar, abdicando de muita coisa e sobretudo empenhando para tal muitas partes da nossa vida, com o objectivo simples de nos realizarmos pessoalmente, devíamos sentir uma alegria fulgurante associada a um alívio que retumba dentro de nós, traduzindo-se num claro sorriso de satisfação pelo concluir da etapa.

No entanto, no meu caso, não é isso que sinto. Essa suposta alegria já a senti antes, mas ela nunca acontece no momento final, antes sim, no momento mediano, quando tudo ainda está para se decidir ou então no longo prazo posterior à realização da tarefa, mas aí boa parte do sentido já se perdeu não revestindo a mesma intensidade como aquela que se sentiu a meio do caminho.

Nunca percebi muito bem o porquê disso, talvez a antecipação me saiba melhor do que a conclusão, talvez no fim já pouco haja a provar do que no meio e por isso estar à beira da meta, por muitos esforços que se tenham feito, não me faz ser trespassado por essa intensa felicidade que parece tomar conta de mim em momentos anteriores, onde as incertezas eram maiores que as certezas. Talvez sentir as coisas deste modo seja uma característica minha pessoa, talvez não goste de finais mas sim de continuidades, muito embora só consigo continuar quando tenho um objectivo final que me serve de inspiração e me dá forças para tal. Mas na conclusão dá-se esta apatia que parece ser contraditória. Sinto-me feliz, sim, mas de modo racional e ponderado, muito longe da alegria genuína que sentia em tempos anteriores, disparada apenas pelo simples formulação da possibilidade do final.

7 comentários:

Gaja com G maiúsculo disse...

Já passei por isso, e a reacção foi igual, porquê? Porque já sabia o desfecho à partida, porque o cansaço era demasiado para me permitir a ter outra reacção que não aquela ;))

Se fores anormal, também sou!
Beijinhos

vlcm disse...

Ditto. Sei perfeitamente o que e isso e é algo que me persegue em tudo que faço. Aliás, a partir do momento em que está tudo definido, em certos projectos, chego mesmo a ficar "farto" deles por mais interesse que tenha tido à partida.

Chama-lhe gosto pelo inseguro ou parvoíce.

L'Enfant Terrible disse...

vlmc
Sê bem vindo!

Marta disse...

Será que era mesmo o que desejavas?

Mona Lisa disse...

Percebo-te muito bem, estou a passar pelo mesmo neste preciso momento. Dá algum tempo ao tempo. O que acontece é que provavelmente trabalhaste tanto, e esperaste tanto por este momento, que já estás mais cansado e desejoso que acabe do que outra coisa. A alegria virá mais tarde.

Carolina Tavares disse...

Acho que é isso que você descreve: ¨(...) felicidade que parece tomar conta de mim em momentos anteriores, onde as incertezas eram maiores que as certezas. (...) talvez não goste de finais mas sim de continuidades, muito embora só consigo continuar quando tenho um objectivo final que me serve de inspiração e me dá forças para tal.¨
É provável que essa característica apareça em outros campos do fazer e em relacionamentos. Acho que é bom tendo em vista que gosta da continuidade.

Nirvana disse...

Se calhar gostas do desafio, do "trabalhar" para um objectivo, da luta, da tal euforia que nos faz correr. Depois, quando se atinge a meta fica, de certa forma, um vazio naquele espaço que ocupavamos com essa mesma luta.
Beijinhos :)