domingo, 4 de julho de 2010

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E quando se tem tanto para dizer, para expressar que custa a conter, a esperar, gerando um sofrimento louco que nos impele a um nervosismo incipiente pondo a nossa vontade a nu, à nossa vista, à vista dos outros. Processam-se ideias, tecem-se planos, palavras, frases, cenários hipotéticos, todos ali à beira da nossa boca que não consegue acompanhar o rol de tal turbulência. Este é o momento anterior, a fase prévia onde se procura, estimulando-se todos os neurónios, todas as memórias e comportamentos. Procura-se prever, adivinhar, descobrir, sente-se o queimar de numa crescente chama que nos consome sem parar, sem que se possa olhar para trás, para os lados, para qualquer sítio que não em frente, onde se situam os nossos sonhos, os nossos alvos, o nosso caminho, por vezes tão perto de alcançar, mas ao mesmo tempo tão longe e distante, do qual se ergue uma barreira do nada, que não se sabe quebrar, por ser desse material indestrutível que é a nossa própria apatia a qual se alimenta da nossa falta de discernimento...

2 comentários:

Nirvana disse...

E sofremos por antecipação, tentando colocar em palavras toda essa turbulência, e depois quando precisamos falar, dizer, desbobinar, não conseguimos dizer nem metade, se é que dizemos alguma coisa!
Bjnhs

Carolina Tavares disse...

Gostei da imagem e do despir da alma ¨a nossa vontade a nu¨
beijos