quinta-feira, 1 de julho de 2010

Do sentir e da razão


Há quem se torne demasiado racional naqueles campos em que a razão serve tão simplesmente para mantermos os pés assentes no chão. Creio que racionalizar um sentimento ao ponto de o espartilhar dentro de uma jaula é meio caminho andado para se perceber que no fundo não sente nada, ou tão simplesmente quer-se sentir mas não sabe como o fazer, tornando algo que deveria ser natural em algo artificial. O sentimento nasce de algo inconsciente, irracional, podendo ser depois, e só depois, polvilhado com alguma razão. Pode-se partir do sentimento para a razão, mas creio que o contrário não funciona, porque é perder o fio condutor, o algo transcendente que exactamente por não se entender na sua totalidade justifica o acto de gostar, de sentir, de nos entregarmos a algo, servindo a razão somente para enquadrar esse sentimento, para lhe dar uma direcção que tentamos sempre que seja lógica, mas permitindo a sua liberdade, porque de outra forma perder-se-ia todo o seu sentido.

3 comentários:

S* disse...

Eu penso com o coração demasiadas vezes. Sempre, para dizer a verdade.

Anira the Cat disse...

Razão e sentimento são por vezes, totalmente incompatíveis. Mas nem sempre...

Bjokas

Marta disse...

Ui...se pelo menos conseguisse agir pela razão...

O meu coração é que manda, talvez por isso seja tão impulsiva...

Bjs