domingo, 22 de agosto de 2010

Depois


Depois nada fica igual ao mesmo tempo que tudo ficou na mesma, pensa-se em tudo, nos grandes e pequenos pormenores, no que correu bem e no que correu mal, têm-se em atenção as virgulas, acentos, pontuação e ortográfia, toda a métrica da expressão, dos sons, todos os gestos que se recordam e procurando-se lembrar os que foram esquecidos, omitidos, pensados mas não ditos. Ao reflectir-se relembram-se igualmente os sonhos, as ilusões, um certo calor no peito e o sorriso expontâneo no rosto que explodiu por segundos, porque nesse momento particular pareceu ver-se uma luz, uma esperança, uma história que poderia acontecer e suceder como algo natural, cuja melodia cega torna um único instante infinito. Mas depois, depois digere-se o que foi, procura-se, tem-se de o fazer, sentem-se os sucos gástricos na alma, carregando em nós o ar soturno que apenas produz o suspiro ao ver apenas o deserto que sucede ao deserto por onde se caminhava antes e não o oásis que se esperaria com a sua frescura tranquila.

3 comentários:

Ventania disse...

Mil vezes o deserto quieto e estrelado a uma sucessão de pequenos, breves e irrelevantes oásis. Quando se acabe o deserto, que venha a imensidão do mar.

S* disse...

Admito que não percebi muito bem a metáfora envolvida no texto...

Mas estou como a Ventania, prefiro a calma segura...

100 remos disse...

Over and over again! Tanta vez!