segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Instintos


Queremos ser fortes negando para isso aquilo que por vezes desejamos, escondendo pensamentos, desejos, vontades, remetendo-os para uma cela no nosso ser profundo. A razão sobrepõe-se ao instinto, procura moldar-nos, dizer coisas acertadas se bem que sem o calor ou inspiração que gostaríamos, porque para tal é necessário soltar um pouco do que foi preso e se encontra agrilhoado, esses gritos selvagens e cortantes difíceis de controlar que temperam com magia as frases, mas que se têm de conter e por vezes não se podem sequer usar temendo-se que um descuido os liberte e assim tomem conta de nós e o seu sentido puro, agreste, verdadeiro possa destruir tudo aquilo que somos, construímos ou procuramos alcançar, traçando para sempre uma vitória inalcançável, um desafio por superar, desafiando uma esperança, já de si destroçada, a proferir novamente palavras dos seus lábios. Contudo a razão morre, mas os instintos são eternos assim como os desejos que alimentam e fazem crescer dentro de nós, até um dia implodirem e desaparecerem ou quiçá, explodirem tomando a luz do dia e entregam-nos por certo às trevas do desconhecido.

5 comentários:

Anira the Cat disse...

Todos nós contemos os nossos impulsos, por vezes com bons resultados, outras nem tanto... Há quem chame a isso "socializar"...

Bjokas

Carolina Tavares disse...

Para mim õs desejos são como um animal (cavalo) selvagem e dominá-lo é sempre muito difícil.
¨que um descuido os liberte e assim tomem conta de nós e o seu sentido puro, agreste, verdadeiro...¨
O controle baixa guarda quando sonhamos, onde o superego rende-se ao inconsciente. O sonho é a tentativa de realização de desejo, segundo Freud.

Marta disse...

Eu raramente consigo conter os meus impulsos e nem sempre sou feliz por isso.

Ventania disse...

Tenho uma confissão a fazer... Não me lembro de como aqui vim parar (mas olhando para cima parece-me que deve ter sido através das Folhas Perdidas da Marta), lembro-me de ter guardado o link quando descobri o teu blog e li dois ou três posts recentes. E agora, com tempo, percebi porquê. Fiquei presa nas tuas palavras... Tanto que já li quase todas as que publicaste. É um feito muito raro um blog prender-me assim, apesar de achar que este blog tem um tom bifásico, (não bipolar), perdoa-me a frontalidade. Anyway... Achei que devias saber que as tuas palavras tocaram alguém. Voltarei amiúde, prometo!

GATA disse...

Mais que querer ser forte, é ter quer ser forte! E então, mais que a razão, é o instinto de sobrevivência que nos salva!