sábado, 25 de setembro de 2010

A relatividade das idades


Quando somos crianças os adultos procuram vender-nos as certezas que a vida adulta oferece. Querem-nos fazer crer que quando formos adultos não teremos dúvidas, seremos alguém, podemos fazer tudo, viver coisas que nem sonhamos, procuram-nos transmitir a tranquilidade pela experiência, conhecimento e sabedoria que a escalada etária nos proporcionará. Se por um lado tinham razão, por outro não têm. A vida adulta é um misto de certezas e incertezas. Se certas dúvidas da nossa infância foram sanadas ou simplesmente esquecidas, outras mantém-se e novas vão surgindo. Se a vida adulta é diferente da vida da infância, é, mas as incertezas, antigas ou recentes essas mantêm-se como que a caracterizar não um estágio etário, mas a própria vida, que independentemente da idade permanece igual no seu âmago. Talvez enquanto adultos perdemos até mais do que ganhámos, porque as verdades e são vistas agora de um modo mais turvo do que a claridade que os olhos da infância proporcionam.

7 comentários:

Kikas disse...

deixar de ter incertezas? nunca. pelo menos, eu sei que a minha vida será sempre uma incerteza. e que não podemos tomar nada como garantido.

hierra disse...

É verdade que ao crescermos ansiamos por certezas e chegados lá, vemo-nos abraços com um punhado de dúvidas!

Nirvana disse...

Os olhos da infância têm uma vantagem, Terrible. Olham para o agora. Não olham para amanhã como nós fazemos. Penso que as nossas maiores incertezas surgem em função do amanhã. Provavelmente não teremos nunca tantas certezas como na infância. Eles têm certezas, absolutas. Não complicam, como nós fazemos.
Incertezas nunca deixaremos de ter, surgirão sempre.
Beijinhos

Sofia disse...

Olá!
Interessante perspectiva. No caso da minha filhota, e apesar de ela ainda não ter 3 anos, procuro dar-lhe a segurança de que serei sempre o seu porto-seguro. Essa é uma certeza inabalável, quer para ela quer para mim. Relativamente ao mundo, confesso que os pais, de um modo geral, procuram a previsibilidade do mesmo, apesar do dia-a-dia ser tudo menos isso. Aliás, as crianças acabam por se aperceber que 1+2 nem sempre é igual a 3 e que pelo meio pode haver muitas coisas que ditam o resultado final. Exemplo disso é a perspicácia delas, que tantas vezes nos desarma em poucos segundos!
Beijo e continuação de um bom fim-de-semana, Sofia

Anira the Cat disse...

Ser adulto por vezes é uma desilusão.

Bjokas

ana disse...

Concordo...

L'Enfant Terrible disse...

ana
Sê bem vinda!