segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Coisas estúpidas desta vida


Quando se gosta sente-se o nervoso miudinho, sente-se esse embate nervoso que altera por completo todas as sinapses dos nossos neurónios, como se os pólos se invertessem e a rede electroquímica que os mesmos formam se tornasse num autentico curto-circuito, provocando uma série de estados alterados e pouco inteligíveis, a curto, a médio e a longo prazo. A esse propósito há uma vontade de dizer, mas diz-se o contrário, ou não se diz de todo com receio de se dizer o oposto, ou mesmo que a verdade seja demasiado profunda e volátil para que a outra parte a consiga compreender ou mesmo ouvir até ao fim. Então processa-se o silêncio, que germina em angústia, que gera actos falhados de todos os tipos, qual água estagnada que nos envenena por dentro e assim se mantém, até que o tempo passa e tudo volta a uma normalidade resignada onde o sentimento extinto é apenas uma memória. Mas nessa altura teme-se que o extermínio não esteja completo e então pensa-se que é preciso acabar com o mal pela raiz, acabar de vez o que nunca chegou a começar para além de nós, com vista a uma conclusão definitiva. E eis que se pensa falar, tudo para se dizer que isso foi passado, mas um passado só nosso, um sentimento que nunca foi manifestado por receio, mas que agora não se sente mais. Do outro lado espera-se apenas a estupefacção de quem é apanhado de surpresa e que por não ter dons de adivinhação apenas nos perguntará o porquê disso agora e o porquê de não se ter dito nada antes. Reflecte-se, e percebe-se que apenas queremos culpar alguém que não tem culpa da nossa inacção, mas sobretudo apercebemo-nos do nosso egoísmo, que grita arrogantemente por algo que já não se sente em vez de enterrar em nós aquilo que, por nossa escolha, preferimos esconder por não saber como lidar.
Em suma, chego à conclusão que o ser humano é estúpido, demasiado estúpido em todas as suas formas e feitios.

3 comentários:

Margarida disse...

Talvez o ser humano seja estúpido... ou simplesmente tenha receio, medo do que pode acontecer depois de tal confissão, depois de despir essa tal "capa", arriscando a se confessar apenas quando não a possui mais, com a certeza de que, nesse momento, nada se alterá... ou a alterar, não produzirá essa alteração efeitos tão significativos...

Sofia disse...

Olá!
Depois de ler o teu texto cheguei à conclusão que o ser humano perde demasiado tempo a pensar no que o outro poderá pensar, passo a redundância.
Beijinhos,Sofia

hierra disse...

só demosntra que viver é complicado!