domingo, 28 de novembro de 2010

Da felicidade


Há quem sabe exactamente o que quer, para onde vai, traçando uma linha recta e bem definida sobre o que é para si a felicidade, com discurso envolto num pragmatismo que parece não demonstrar qualquer dúvida por parte de quem o profere. Contudo desconfio dessas pessoas. Acredito que quem tem demasiadas certezas sobre tudo acaba sempre por se iludir pelas mesmas ou se sirva delas para esconder os seus receios, as suas dúvidas, porque a vida é e sempre será isso, uma incerteza, a qual temos de gerir da melhor forma possível, mas nunca perder o seu horizonte indefinido, porque isso é construir uma plataforma falsa, a qual pode cair de uma altura proporcional à certeza que se pensava ter. Acredito que a felicidade não se alcança por definições rigorosas, medidas, fórmulas mas sim seguindo o turbilhão que pulsa no nosso interior, movido pelo nosso inconsciente que sente e não pela nossa consciência que dita.

13 comentários:

hierra disse...

Eu acho que o máximo que conseguimos é saber o que não queremos :) disso ao fim de algumas vivências passamos a ter a certeza!

Olivia Palito disse...

"Acredito que quem tem demasiadas certezas sobre tudo acaba sempre por se iludir..." Gostei particularmente desta parte. Tem tanto que se lhe diga...

Bom domingo! Beijo*

Carolina Tavares disse...

Gostei imenso disto: ¨Acredito que a felicidade não se alcança por definições rigorosas, medidas, fórmulas mas sim seguindo o turbilhão que pulsa no nosso interior, movido pelo nosso inconsciente que sente e não pela nossa consciência que dita.¨

Beijos e bom domingo.

Girl in the Clouds disse...

Adorei o post. Acho que tens razão e eu até sou uma pessoa pragmática, mas de facto a vida foge muito a linha recta que traçamos!!

Balada da minha Alma disse...

Enfant,

acredito que o nosso caminho de encontro a ela (essa palavra tão carregada de sentimentos - felicidade) somos nós que o traçamos. O caminho esse, é sempre o mesmo; o que muda, é o modo como caminhamos.

*B* disse...

Eu queria fazer um comentário com alguma essência, mas sai-me o costume: concordo contigo.

Tu tens mesmo o dom da palavra. Que texto perfeito!

:)

Marta disse...

Eu cá perdi o meu Norte.

Margarida disse...

Olha, não sei para onde vou, por vezes, nem sei por onde vou... na minha vida não existem linhas rectas, não existem pressupostos a seguir, pontos a alcançar... Considero-me, portanto, perdida. Mas desconfio que, um dia, sem mais querer, quando menos esperar essa felicidade que os outros tomam como dado adquirida se sequirem tal caminho previamente definido e estipulado, vai chocar comigo... ela vai chocando, em pequenos gestos em pequenas palavras... Um dia, se elevará, espero. Pra mim, e para ti :)

Um beijinho

Margarida disse...

Comentário cheio de erros... peço desculpa.. :)
Rectifico: adquirido; seguirem.

;)

Sutra disse...

Perfeito... simplesmente perfeito!!!

um abraço
Sutra

Henrique Marques disse...

Eu cá também sou mais de navegar à vista, mas parece-me que quem muitas certezas, no fundo, precisa delas para combater a incerteza, porque que essa aterroriza-os. Depois de lhes falharem as certezas rapidamente constroem outras, é apenas uma maneira, diferente, de ver o mundo. E ainda bem que assim é, se não isto era cá uma monotonia.

GATA disse...

Como li/ouvi (não me lembro, como diria a Amália!) "I don't know where I'm going but I'm dying to get there!" Claro que com a minha (falta de) sorte, morro antes de chegar! :-)

Ímpar disse...

Quem afirma ter muitas certezas apenas pretende esconder as suas dúvidas e fragilidades.