domingo, 31 de janeiro de 2010

Perdoar


Por vezes é mais fácil perdoar os outros do que a nós próprios porque os erros que os outros cometem conseguimos esquecer, porque nos são externos, porque vemos reflectidos nos rostos de outrém nós próprios quando erramos e também a nós podia suceder o mesmo. Mas quando a culpa é nossa e somente nossa, o erro provocado pela nossa acção, temos o arrependimento dentro de nós a bater constantemente nas paredes do nosso corpo, o remorso que dilacera a nossa paz. A imperfeição, que é exemplar da nossa condição humana, leva-nos a cometer erros, sendo que os piores são aqueles cometidos pelos nossos cálculos errados ou quando fazemos algo somente a pensar em nós próprios. É difícil depois emendar isso, mas mais difícil é esquecer.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sobre o amor


O amor é somatório de duas pessoas, é o dois mais dois versão humana. O amor é sempre “mais” e nunca menos, como tal é mais do que amizade, mais do que atracção. Tem muitos factores, muitas faces, muitas vertentes e muitas dinâmicas e por isso é também um somatório de muitas coisas, umas pequenas, umas grandes, algumas conscientes, outras inconscientes. O amor é tudo, é o resultado último, o final feliz que se espera que não seja o fim mas sim o início. Contudo é também uma soma indeterminada, equação cheia variáveis e invariáveis, misto do conhecido com o desconhecido, muitas vezes ilusão, tiro ao lado, solução nunca alcançada na qual quanto mais se medita menos se descobre.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Desafio de "qualidade"!


A (Srª) Gaja com G maiúsculo, simpática blogger da nossa blogolândia, lançou-me um desafio composto por um verdadeiro questionário de A a B que passo a responder:


a) Tens medo de quê?
De pouca coisa, mas acima de tudo de cobras!
b)Tens algum guilty pleasure?
Vários que se vão alterando com o tempo, ora livros, ora música, ora filmes, muitos são impulsivos, só se sentem no momento.
c) Farias alguma "loucura" por Amor/Amizade?...
Depende do que se considere por loucura, mas penso que vale tudo e por algumas coisas sou capaz de tudo.
d) Qual o teu maior sonho? [não vale responder: Paz, Amor e Felicidade;)]
Um qualquer acto heróico do qual não estava à espera e que aparentemente nunca seria capaz de fazer.
e) Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo? [não vale brincar]
Isolo-me mas fartou-me de queixar, quero que me escutem mas sem perguntas.
f) Entre uma pessoa extrovertida e outra introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Introvertida, com alguns momentos de pura extroversão.
g) Sentes que te sentes bem na vida, ou há insatisfação para além do desejável?
No geral estou bem com a vida, mas por vezes tenho dias…
h) Consideras-te mais crítico ou mais ponderado? (mesmo sabendo que há críticas ponderadas)
Crítico, muito crítico mais em relação a mim do que aos outros e muito nas relações dos outros com os outros e não tanto para comigo.
i) Julgas-te impulsivo, de fazer filmes... paciente, ou...? (define o que te julgas no geral)
Por vezes impulsivo, paciente em muitos casos (normalmente quando todos à minha volta estão impacientes) mas nem sempre. Faço tantos filmes que devia ir para realizador de cinema!
j) Consegues desejar mal a alguém e eventualmente concretizar? [responder com sinceridade]
Consigo desejar mal a alguém, consigo. Mas somente em teoria, tenho muita dificuldade em concretizar, mas lá que penso, confesso que houve casos em que pensei.
k) Conténs-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)
Depende do ambiente, mas no geral sou muito contido e bastante reservado.
l) Qual o lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
A teimosia sem sombra de dúvida.
m) Casamentos Homossexuais e direito á adopção?
Nada tenho contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, se bem que indo ao âmago da questão o casamento, como ritual, serve para unir civilmente pessoas de sexos diferentes, por isso dever-se-ia chamar outro nome à união entre pessoas do mesmo sexo, mas pronto, tudo bem. Quanto à adopção não concordo, não por considerar que homossexuais não consigam educar uma criança, mas sim porque a sociedade não está preparada para isso e como tal a criança só sofreria com isso. É preciso fazer uma coisa de cada vez e deixar a evolução acontecer.
n) O que te faz continuar o blog?
O gosto de escrever, de expressar as pequenas e as grandes coisas.
o) O número de visitas ou de comentários influencia o teu blog?
Gosto de ler os comentários que fazem ao que escrevo, porque por vezes não tenho bem a noção daquilo que escrevo e quantas mais opiniões melhor, mas escrevo sempre o que quero e não para captar comentários ou visitas, embora sejam sempre bem vindo/as.
p) Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria ela?
Que todas as pessoas fossem sinceras naquilo que escrevem e que se deixassem de picardias ridículas.
q) Deviam haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Talvez fosse engraçado, quem sabe um baile de máscaras, desse modo mantinha-se a “identidade”!
r) Sabes brincar contigo mesmo e rir com quem brinca contigo? (Sem ironias)
É do que faço mais e do que gosto mais.
s) Já agora, qual ou quais os teus piores defeitos?
Mau-feitio, pronto por vezes sou muito mal disposto quando me irritam…Outro defeito é ferver em pouca água.
t) E em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
É raro me elogiarem, contudo sei aquilo que valho, tenho olhos para ver o que faço e orgulho nisso.
u) Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
Computador, é o mais versátil!
v)Elogias ou guardas para ti?
Faço poucos elogios, mas são verdadeiros e sinceros.
w) Tens a humildade suficiente para pedir desculpa sem ser indirectamente?
Por vezes tenho dificuldade em aceitar que errei, mas se o reconheço sou o primeiro a pedir desculpa.
x) Consideras te, grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Pragmático no exterior, sensível no interior.
y) Perdoas com facilidade?
Depende do que fizeram. Perdoo algumas coisas, contudo levo muito tempo a esquecer e fico sempre com a pulga atrás da orelha.
z) Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
A solidão, o desespero, o cair no ridículo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Beleza


A beleza ilude-me de todas as vezes que dou de caras com ela. Ainda assim persigo-a, procura-a e sempre que a encontro acabo por sofrer porque sei que não a posso ter, não a posso alcançar. Ela envolve-me mas eu não a envolvo, é apenas um sonho mas ainda assim é por ela que me movo, que sou capaz de fazer tudo mesmo que nada obtenha, mantendo-me a circular num percurso que não sei se um dia terá fim. A sabedoria diz-me para desistir, o coração para que manter expectante, a loucura para fazer acontecer e pelo meio surge a revolta que nasce devido à contradição interna e à luta incessante, porque aquilo que se procura não existe no real, mas sim no irreal gerado por nós.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu e as vacinas ou como há tantas coisas que não percebo!

Aqui há dias tive de ir levar uma vacina, aquela que somos obrigados a levar a vida toda e normalmente toda a gente se esquece – Tétano. Como tenho o centro de saúde a dois passos de casa decidi ir lá. Ao chegar falo com a senhora da recepção, que me informa que para vacinas tenho de fazer marcação – por telefone! Ora, encontrando-me eu no local, indagai o facto de não poder a mesma ser feita presencialmente. Resposta negativa, só por telefone. Depois de apontar o dito número, afastei-me para outras pessoas serem atendidas. Então, quase ao chegar à porta, comecei a pensar. Marco o número no telemóvel e refundo-me um tanto ao pé da entrada, de modo a ver a recepção mas quem lá está não me ver. Começo a ouvir chamar, no telemóvel e lá ao longe. Então vejo a senhora da recepção, a mesma que me tinha atendido, a levantar o auscultador:

- Centro de saúde, bom dia.
- Bom dia, era para marcar uma vacina.
- Com certeza, veja lá se lhe dá jeito este dia…

[Pois, são estas coisas, que por mais que puxe pela cabeça, não percebo! Alguém me quer fazer o favor de explicar?]

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dos instintos


Tal como sei que o fim-de-semana se passou, assim calmo, suave, dias incrivelmente longos, porquanto foram poucas as horas na cama e ainda assim o cansaço não apertou, também sei que esta semana que se inicia o será, tranquila, amistosa, sem grandes desequilíbrios ou delírios. E porque se dão em mim estes rasgos sibilinos? Não sei, assim como não sei tudo aquilo que sinto porque é área que raras vezes controlo, departamento que voa em liberdade, sem entraves, nem aqueles que eu tento colocar, contudo não falha, não costuma falhar, porque o instinto, apesar de difuso e pouco inteligível é por vezes o que o ser humano tem de mais certo. E se falha é porque pensamos e não porque nos deixamos levar pelo que sentimos, tantas vezes isso já aconteceu que cada vez mais tento esquecer e não iniciar dentro de mim a introspecção, figura útil na nossa relação com o mundo, mas inútil na nossa relação com nós próprios.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mais uma vez relações


É em conversa com uma amiga que arranjo cada vez mais argumentos para certas conclusões sobre relacionamentos a que já cheguei ao tempo. A amiga em questão teve um namoro de sete anos e, por achar que a chama se tinha perdido decidiu acabar. Conclusão, os amigos e conhecidos semeados de dúvidas questionaram a reacção dela. Sim, porque parece que para alguém acabar uma relação com outra pessoa tem se seguir uma série de clichés de modo que o fim da mesma possa ser “justificado” perante a sociedade, como se a sociedade tivesse algo a dizer no que respeita aos relacionamentos alheios. Mas a grande dúvida surge exactamente devido ao tempo “longo” da relação como se a duração da mesma estivesse directamente relacionada com o seu prazo de validade. Pode estar, é certo, mas também pode não estar. Assim sendo quem aguentasse uma relação durante, digamos cinco anos, tinha de ficar com aquela pessoa para o resto da vida, ou melhor, teria de nalgum ponto casar, sim porque isto do “dar o nó” é quase a mesma coisa do que o resto da vida, em modo ilusório claro está. Ou seja, na mentalidade de muita gente quem namora com alguém durante um certo tempo vai-se casar com essa pessoa na medida que dessa forma cria um vinculo definitivo, daí que muita gente ache estranho que tantos não se casem, porque na minha modesta opinião casar significa isso mesmo, pronto ok e certas contrapartidas fiscais. De outra forma, acabar uma relação que poderia dar em casamento e ficar só é que é algo impensável, ainda mais sem que haja nada moralmente ou criminalmente que o justifique. Não basta dizer que não se sente mais nada, não basta dizer que a pessoa que se acabou por ir conhecendo afinal não era o que se pensava ser, não basta dizer que as dúvidas em continuar são demasiado grandes. E depois ao que assistimos, ao concluir do que já se devia ter concluído antes de dar o nó, ou seja o fim, o divórcio, a separação e o mais curioso é que nesse caso já ninguém diz nada, já é “normal”, porque a pessoa casou-se, ou seja chegou ao culminar da relação, lá conseguiu juntar amigos e família numa grade festa e obrigar os pais a abrirem os cordões à bolsa para alguém casar de branco e por, num dia em particular ser, aparentemente feliz mais que os outros. Em suma, chego à conclusão que muitas relações duram um pouco mais apenas por costume social, criando-se deste modo uma falsa base que não é construída no nosso interior mas sim no nosso exterior o que provoca ao adiar do que já devia ter terminado.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tectos, ou o post mais desinteressante dos últimos tempos, se é que algum post aqui publicado possui algum interesse...


Se há coisa que me espanta é a quantidade de tempo que perco a olhar para o tecto. Não que o meu tecto tenho nada de incomum ou sugestivo, é apenas branco e opaco como de resto são a maioria dos tectos que conheço. E este acto, um tanto parvo, acontece justamente quando tenho mais que fazer, arrumar, limpar, lavar, arranjar, verificar, estudar, organizar, ler, enfim uma série de tarefas do dia-a-dia que me limitam muitas vezes a liberdade de movimentos, mas ao mesmo tempo deveriam servir de mote para “fugir” à ociosidade, mas parece que acontece exactamente o oposto. Pois, tenho um tecto tão giro…

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Do desespero

Odeio o desespero, vê-lo a apoderar-se de mim, dos outros, senti-lo ou simplesmente presencia-lo. Parece uma hera que se vai ramificando dentro de nós, uma doença, um parasita que nos leva à tomada de atitudes pouco ponderadas ou então à pura estagnação. Ficamos sem reacção, sem vontade de nada, somos perdedores à partida, evitamos tentar e caímos num remoinho que apenas se alimenta a ele próprio, como um buraco negro que tudo absorve à sua volta e continua sempre a crescer, a tornar-se mais sombrio, denso e poderoso. Odeio esse sentimento, assistir aos seus movimentos libertos de entraves, de regras, envolvendo o nosso olhar, turvando a nossa visão, fazendo-nos crer que tudo se resume a ele, qual egoísta e narciso ser que nos faz ver que há apenas uma solução ou um sentido que mais não é que um circulo perfeito que nos prende e não deixa ver mais nada. Odeio-o é certo, mas não posso deixar de o sentir e observar tantas vezes em mim e à minha volta em muitos rostos e gestos, mas também reconheço que há muita coisa que faz parte da vida, quer gostemos ou não e por vezes é preciso vislumbrar o desespero para conseguirmos dele sair.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

E porque não podemos viver sem elas...


Todos temos dúvidas ao longo da vida mas algumas fazem parte de nós, definem-nos, caracterizam-nos, são algo que nem sempre aceitamos ou mesmo definimos e reconhecemos como nosso. Contudo essas dúvidas, intrínsecas a nós próprios, surgem pontualmente em algum momento da nossa vida despertadas por algo que não esperamos, mas nesses momentos não as podemos ignorar porque elas ardem na nossa cabeça até à exaustão, alteram o nosso comportamento ou então esforçamo-nos para simplesmente as manter dentro de nós, esconde-las no mais fundo da nossa alma, renega-las como algo que não queremos mostrar, ver, saber, até que nova etapa as voltar a por a descoberto. Algumas coisas nascem connosco outras adquirimo-las ao longo da vida, de uma forma ou de outra temos de aprender a viver com elas, mesmo que sirvam somente para demonstrar o quanto frágeis e pouco confiantes nós somos por vezes.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Autoflagelação

Ainda bem que certos desejos, daqueles que nos saltam da boca sem pensar ou se manifestam apenas dentro da nossa cabeça em momentos pontuais, não se realizam! Porque se assim fosse, devido à quantidade de vezes que clamo por flagelação e outras torturas que tais, já estaria por certo com o corpo todo marcadinho, cheio de cicatrizes e mazelas que nunca mais acabavam!
Pois, ainda bem que nem tudo o que pedimos não se realiza, porque muito do que surge do imediato traduz-se por vezes num grande arrependimento futuro!
[E não, não andei a "experimentar nada"!]

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Leis da metafísica


Quando procuro não encontro
Quando encontro não tenho êxito
Quando tenho êxito não procuro...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Eu e o chá


Ora eu, por precisar de me deitar cedo uns dias com vista a dormir qualquer coisa de jeito deparou-me sempre com algumas dificuldades. Então, entrando numa onda de new age, decidi beber um chá de camomila porque diz que acalma e é bom para a insónia, ainda mais que está frio e sabe sempre bem umas coisas quentes à noite.

Bem tenho a dizer que esse chá é bom para a insónia sim senhor, mas para ela aparecer de vez e não mais deixar ninguém sossegar! Foi volta para um lado, volta para o outro e dormir nada, portanto nem como auto-sugestão serve. Nunca mais me enganam outra vez e logo eu que é raro ir nessas patranhas!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ciúme


O ciúme é dúvida, é posse sem confirmação, interrogação que faz temer, perda sentido sem perder. O ciúme é um veneno, é paixão que azeda, sentimento que se estraga e borbulha. O ciúme desperta o que pensamos não ter, o que pensamos não sentir, é pôr em causa aquilo que pensamos ter como certo. O ciúme é areia movediça que nos enterra aos poucos, ponte que oscila ao vento, incerteza que nos cega. O ciúme é uma revelação, é brutalidade, é revolta interna, coisa agridoce que nos revela o nosso pior. O ciúme é bom se for usado em pequenas quantidades como um tempero que dá gosto, mas cujo abuso torna tudo intragável. O ciúme é algo sentido muitas vezes sem sentido, é expressão maior das nossas inseguranças, ilusão que coloca tudo em causa, grito que se reprime, farpa que faz sangrar. O ciúme é coisa natural que a todos toca e dele está imune apenas e só quem não sente.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Mil vezes


Sonho contigo mil vezes, mais de mil vezes. Imagino histórias, epopeias, cenários, cores, toda uma peça de teatro ou uma película de cinema onde encarnamos diversos papéis, somos vários personagens, mas como actores somos sempre os mesmos, com argumentos diversos, com percursos desiguais, paisagens, tempos, expressos, géneros, onde o final é sempre o mesmo, simples, sincero, feliz. Sonho contigo mil vezes, mais vezes que horas num dia, que minutos na hora, que segundos no minuto. Sonho contigo mil vezes, a dormir, acordado, com tempo, sem tempo, perdido na luz das estrelas, sob o Sol do dia, no meio das gotas de chuva, envolto nas brumas do nevoeiro. Sonho contigo mil vezes, em cada passo que dou, em cada piscar de olhos que produzo, em cada gesto que faço, em cada palavra pronunciada, em cada pensamento consciente, em cada pensamento inconsciente, na inspiração e na expiração. Sonho contigo mil vezes, multiplicando sempre mil por mil, elevando mil ao quadrado, ao cubo, a um qualquer exponencial, ao infinito que não sei definir, mas que consigo sentir…

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Como descobrir que se está em Portugal?

Ir às finanças e ver alguém a entregar o IRS com um ano de atraso, porque agora é que se lembrou e depois pedir o livro amarelo porque não se conforma em ter de pagar a respectiva multa...
[Pois, deves ter muita razão!]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mudez


Digo algumas coisas ao desconhecido, ao longe, no silêncio da minha voz, na retracção do meu gesto. De cada vez que o faço sinto-me estranho, espectral, como se me visse a mim mesmo, qual sombra que me acompanha. Há uma sensação de poder, de um mundo que gira apenas e só à minha volta, mas também se dá o oposto, a sensação de não poder tocar nada, de não poder sentir nada, de não pertencer a nada, o que se traduz na completa abstracção de tudo e todos. Sabe bem umas vezes, mas sabe mal outras, ainda mais quando há tanto para dizer e fazer mas por vezes não se sabe como…

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lutar


Por vezes são as coisas pelas quais mais queremos lutar, que nos levam exactamente ao oposto, ao pacifismo estático, isto porque para se lutar é preciso saber faze-lo e uma linha ténue separa a loucura da coragem e enquanto a primeira subsistir e a outra não for encontrada, resta-nos pois esperar ou simplesmente desistir…

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vislumbrar


E quando aparece à nossa frente a derradeira resposta, a verdade suprema, o último dos desejos, a mais luminosa aspiração, a cereja no topo do bolo, a solução única para a nossa equação, a apoteose perfeita? E quando aparece mas não pode ser nossa, está para lá do nosso alcance, noutro universo, noutra dimensão, num lugar inalcançável, inacessível aos nossos esforços, à nossa vontade, ao nosso desejo? E quando isso para nós é tudo, mas tudo o que não podemos ter, mas que por momentos sonhamos que podia ser, por um segundo apenas ponderámos que afinal há um sentido na vida quase profético, místico, mágico que no fundo não passa disso mesmo, uma realidade, mas ao mesmo tempo uma ilusão que se esfuma à nossa frente e dissolve as nossas entranhas, fazendo gemer a alma em toda a sua profundidade, levantando a dúvida e o desespero gritado a um céu surdo, que parece demonstrar que a realidade, dura, fria, escura, é mesmo assim, arrastando-nos pelo seu solo poeirento, seco e semeado de calhaus cujo atrito dilacera o nosso ser, por dentro e por fora…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Chapéus-de-chuva


Haverá algo tão odioso como os chapéus-de-chuva? Certamente que não. É aquele objecto que odiamos quando temos de levar atrás e não o usamos, ou odiamos por precisarmos e não o termos à mão, para além de ser coisa que se perde com toda a facilidade deste mundo, ou seja, um investimento pouco rentável. Na minha infância era obrigado a carregar com um, enorme por sinal, o qual servia somente para me dar preocupações, visto que a sua perda era sinal de que algo ia correr mal quando chegasse a casa. Foram incontáveis as vezes em que a meio do trajecto para o lar, contente e alegre por ter saído da escola, lá tinha de voltar para trás pois somente nessa altura recordava-me que faltava qualquer coisa e qual não era o meu espanto em descobri-lo sempre no exacto lugar onde o tinha deixado! Pudera! Quem é que ia pegar naquilo? Desertos estavam todos para fazerem desaparecer da face da terra o raio do chapéu-de-chuva, que entre as crianças tinha apenas serventia nas cruéis brincadeiras em que o mesmo era escondido para arreliar ou servia como objecto de arremesso o que levava à sua destruição acabando de resto por levar ao mesmo – algo corria mal quando chegávamos a casa porque ninguém acreditava (cientes que estavam da predilecção que todos tinham em “passear” a coisa) que tinha sido o “vento” a parti-lo!
Nos dias que correm fazem-se assim uns pequeninos, que confesso até dão jeito, contudo o seu tamanho é igual à sua eficácia, ou seja, praticamente nenhuma. Ora se partem com a mínima rajada de vento, ora nos molhamos tanto ou mais como se não o tivéssemos. Acho que isso argumenta o que quero dizer. O chapéu-de-chuva para mim é um objecto inútil, que só nos dá a ilusão que serve para alguma coisa em casos específicos que raramente acontecem, sendo portanto um objecto falso e traiçoeiro. Quantas vezes não pensamos: Ah está a chover, tudo bem tenho um chapéu-de-chuva! E depois, não acabamos por ficar todos molhados à mesma se a chuva for forte? Provavelmente se não o tivéssemos não nos aventurávamos e ficaríamos muito mais secos! E quando não temos nenhum à mão e apanhamos uma grande molha? Fico sempre com a sensação que oiço um risinho malicioso de um certo objecto que ficou esquecido nalgum bengaleiro! São mesmo indecentes os sacanas!

domingo, 10 de janeiro de 2010

O primeiro de 2010!


E eis que neste novo ano recebo o primeiro mimo, oferecido uma vez mais pela simpática Girl in the Clouds a quem muito agradeço a "inauguração"! Obrigado!

A Leveza e o vazio


Por vezes sentimo-nos leves, sem nada a pesar sobre a nossa cabeça, sem nenhum problema de maior a não ser prosseguir com as habituais tarefas de rotina, que embora um tanto monótonas são fáceis de executar. Nesses momentos não pensamos muito, limitamo-nos a respirar, a sentir o ar a entrar nos nossos pulmões e de alguma forma ficamos como balões, sem peso, serenos e tranquilos. Nem todos os dias são assim. O cansaço, o desejo de ter o que não se tem, as complicações de um mundo que parece conspirar contra nós, leva-nos a não parar para respirar, mas pensamos e muito, a cabeça parece cheia de tudo, de bom e mau, de aspirações, de complicações, de preocupações, de pequenas e grandes tentações que nos levam a um tormento vibrante. Essa é a turbulência que domina a maioria dos dias, mas não todos e quando a sentimos queremos deixar de sentir, desejamos vomitar tudo para fora, escancarar a mente para o exterior e aspergir tudo para tentar refrescar as ideias, diluí-las e por vezes até esquece-las. Nos dias opostos contudo, no meio de toda a paz em que navegamos, somos assaltados por um vazio, uma memória de esquecimento, a falta de reacção para um acção, o não sentir do batimento cardíaco, a falta de paixão, de emoção. Encontramo-nos a levitar, mas ao mesmo tempo sentimos falta da vida, do tumulto que de alguma forma nos preenche e por mais dor que provoque evoca a energia que há em nós libertando todo o sentimento na sua forma mais crua e pura.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desafio "As dez coisas que não me saem do pensamento"


A (senhora) Gaja com “G” maiúsculo e a Anira the Cat desafiaram-me para descrever as 10 coisas que não me saem do pensamento. Por isso aqui vai:

1 – Dormir, sim dormir e o desejo de dormir acompanha-me todos os dias, mais ainda naqueles em que acordo muito cedo.
2 – Estar constantemente a pensar nas as contas que tenho para pagar para não me esquecer de o fazer.
3 – Naquilo que não deveria ter feito e fiz.
4 – Naquilo que deveria ter dito e não disse.
5 – Sol e praia, não há dia nenhum em que não “fuja” para uma praia paradisíaca.
6 – Aquilo que vou fazer quando terminar o meu curso, quando terei todo o tempo do mundo e serei um homem “livre”!
7 – Nos meus amigos e familiares mais próximos, pergunto-me “o que estarão eles a fazer agora!”
8 – “Será hoje?”, “Será hoje?”
9 – “Quando será?”, “Quando será?”
10 – Mulheres, mulheres, mulheres. (Pronto está bem sou um fraco!)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Acidentes de percurso



Na nossa vida programamos praticamente tudo, desde as pequenas coisas, como a hora para acordar, até às grandes como uma carreira profissional. Contudo algumas coisas não podem ser programadas, mesmo quando gostaríamos que o fossem, sabemos no entanto que elas supostamente vão acontecer num determinado período ou etapa da nossa vida, podendo surgir ainda num quadro de probabilidade, quase de premonição ou profecia. Mas alguns dos acontecimentos mais importantes da nossa vida não são programados, surgem por acaso, na margem do nosso próprio roteiro alterando-o por completo, subvertendo-o por vezes e no geral fazendo-nos duvidar dos nossos objectivos iniciais. No entanto são esses acidentes de percurso que nos marcam, são eles que realmente importam devido ao seu carácter imprevisto, por darem colorido à vida e exigirem de nós uma reacção à sua altura. No fundo são esses acontecimentos fortuitos que nos distinguem dos demais e o modo como lidamos com eles diferenciam-nos dos demais, complexificando-nos a vida, desafiando-nos e obrigando a uma saída da rotina, à descoberta de nós próprios e ao revelar de forças que por vezes esquecemos que temos, ou que simplesmente nem sabemos que possuímos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Da verdade


Tenho um lado niilista em mim que percebe por vezes que a verdade, se pensarmos bem, é que não há verdade, toda ela pode ser posta em causa, reescrita, desdobrada, sendo perfeitamente inalcançável e se espremermos toda a sua substância até ao limite máximo acaba-se por ficar com nada, um infinito de coisa nenhuma, numa continua transformação que se traduz num vórtice permanente que aglutina toda e qualquer teoria, teorema ou hipótese. E é nesses momentos, raros, que podem no entanto constituir fases, que me sinto verdadeiramente confiante, sem receios, sem dúvidas exactamente porque nessas alturas sei que, devido à inexistência que reina em toda a nossa volta, encontrei tudo, sendo esse tudo o puro dos vácuos, o qual me preenche muito mais e com mais impacto que toda a verdade que poderia perceber ou alcançar. Mesmo, assim, sentindo e sabendo isso, o vício da verdade e da sua procura continua em mim na maior parte dos momentos, pelo que alimento tal como tantos outros a sua busca.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Glutão!


Que as mães gostam de tratar de nós como se fossemos ainda meninos já todos sabem. A minha por exemplo oferece-me sempre o mesmo pelo Natal, doces e bolos, presentes com os quais reclamo sempre, pois apesar de não me considerar guloso, o certo é que quando começo a comer essas delícias perco-me um bocado, pronto, um bocado é um eufemismo! Mas durante o ano inteiro raras são as vezes em que como doces, só mesmo por estas épocas festivas “recarrego” o meu organismo com tais ingredientes açucarados! Ontem estava eu a estudar e tive a triste ideia de colocar ao meu lado uma caixa daquelas de sortido, oferta da mãe claro está. Lá se passou o tempo e não sei se sou só eu mas enquanto estudo tenho sempre tendência de estar a mordiscar qualquer coisa. É claro que se não houver nada não mordisco, mas se houver…
Pois, foi a desgraça, é que a caixa até era grande e bem recheada e quando a minha mão cega se apercebeu que estava vazia, caí em mim e no bruto exagero que tinha feito. Nem é preciso dizer que jantar não foi preciso e o arrependimento foi de tal ordem que optei por esconder outra caixa idêntica e ainda por abrir atrás de uma série de panelas, só para ter a maior das dificuldades a chegar lá chegar e quiçá esquecer-me da existência da mesma!

[Vá chamem-me glutão, eu mereço! Agora só na Páscoa é que há mais! E não se preocupem, o peso mantém-se igual como de costume!]

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Carrossel


Há um mundo que não parece o meu, um mundo onde milhares de rostos se cruzam comigo, onde a luz é difusa e não ilumina os meus passos, onde tudo parece descoberto e sem sal, onde o sorriso é apenas um traço físico sem substância, intermitente entre o balançar das estrelas. Este é o mundo onde tudo parece imutável, com sombras bem contrastadas, um mundo onde existes e eu sou apenas um vulto sem graça, um espectador de mim mesmo, onde permaneço imóvel e vigilante, encontrando-se tudo à minha volta num movimento rápido e constante, numa velocidade que não consigo acompanhar, apenas assistir, perdendo de mim próprio o contacto quando me torno activo, quando me deixo ir e tento entrar nesse vórtice onde todos estão. Por momentos pertenço ao mundo, por momentos sei que me consegues ver, mas depois sou cuspido, vencido pelo cansaço e volto ao meu lugar inicial sem nada ter alcançado…

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sentimentos puros


Existem sentimentos que não podemos pronunciar, não porque não os sentimos, não porque não os compreendemos, mas simplesmente porque somente os sentimos e como tal não têm qualquer traço de racionalidade o que dificulta e impossibilita uma explicação verbal, escrita ou gestual ou seja a sua expressão.
Sabemos que sentimos algo, mas não conseguimos definir o quê, talvez porque esse seja o sentimento em estado puro, indefinido e por isso genuíno, mas explica-lo é tarefa inglória, porque ninguém nos vai perceber, porque ninguém vai acreditar, porque nós mesmos não conseguimos abrir a nossa alma e expor a luz que vai cá dentro, porque a luz não é visível, muito embora o calor por ela transportado seja sentido, mas faltando o contacto físico, real é impossível conduzir a vibração quente que nos pulsa e mesmo quando estão reunidas as condições de presença alguns muros não deixam a energia passar nem pronunciar-se a outra alma que no fundo é o verdadeiro dínamo do nosso próprio íntimo…

domingo, 3 de janeiro de 2010

Voltar a jogar...

Em certas ocasiões, normalmente quando as coisas correm mal ou menos bem tenho aquele pequeno grande desejo de poder voltar atrás e fazer o necessário para evitar o arrependimento posterior.
Seria bom que a vida fosse como um jogo de computador. Poder-se-ia jogar uma vez e outra para se conseguir ultrapassar um nível. Poder-se-ia fazer pause antes de avançar num nível para visualizar bem o que se avizinha, para se poder descansar, recuperar energias e depois continuar. Seria bom poder jogar uma vez e outra o mesmo nível a fim de se obter a melhor pontuação possível.
É claro que assim a vida perderia a sua piada, a sua essência e provavelmente nunca cresceríamos, nunca ganharíamos a sabedoria necessária para se lidar com a derrota, a perda ou a incapacidade de ultrapassar os erros cometidos. Seríamos seres opacos, sem cor, sem capacidade para perceber que nem tudo se pode obter apenas pelo nosso desejo. Por vezes o que nos desafia aguça-nos a astúcia, mas ao mesmo tempo isso não significa que tenhamos de ser vitoriosos, por muito que nos custe.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Identidade


E, é por saber que padeço da imperfeição, que não digo coisa com coisa, que deveria ser melhor, que sei que posso ser mais, que posso ser tudo, mas que no fundo não sou nada, prefiro que me descubram, muito embora poucas pessoas me queiram descobrir. Sou aquilo que sou, misto de contradição, de confiança e desconfiança, que uns dias pretende ser outro, mas na maioria dos outros só quer assim permanecer, por considerar que o valor que tem reside, não num ponto que se atinge uma vez, mas na maior parte das horas e dos segundos que caracterizam a vivência. A soma de tudo é por isso negativa, mas daí advém o valor de alguns pequenos momentos que parecem ser o alcançar do fim, mas são efémeros, esparsos, ficam na memória, mas é a partir da maioria de todos os outros, que não são instantes mas sim continuidades, que é traçado um perfil verdadeiro, mas que é somente uma parte de um todo maior.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Primeiro post do Ano ou primeiro qualquer coisa do Ano!

Pronto, estamos em 2010! E visto que estou vivo e de boa saúde só me resta mesmo continuar "terrible" como sempre e quiçá ser ainda pior, pois advogo que o homem precisa sempre de continuar a melhorar-se a si próprio (ou não!)!

[Sei que este post não está muito inspirado, mas como não ligo muito a estas coisas dos “primeiro’s isto e aquilo” foi a única coisa que me ocorreu, haja paciência!]