quarta-feira, 31 de março de 2010

Conclusões


Há daqueles dias em que se tem tanto, mas tanto para se fazer, que acaba-se apenas por só se conseguir fazer somente metade do que era necessário. Depois existem aqueles dias em que há muito que fazer, mas de alguma forma consegue-se arrastar para outro dia. Surge outro dia e temos uma coisa para fazer quando nos apetece fazer outra coisa totalmente diferente, sendo que esta última é igualmente tão trabalhosa como a primeira, mas que tem de ficar para outro dia. Eis que surge outro dia e uma coisa está terminada, mas a outra contudo falta fazer, mas vontade nem vê-la e deixa-se arrastar até surgir outra coisa para se fazer, que suplanta a primeira, sendo que a mesma é deixada outra vez de lado.


Conclusão, fica sempre algo para trás, algo pendente, como uma espécie de garantia de qualquer coisa, que no fundo já deveria ter sido tratada porque quando algo fica muito tempo no limbo acaba-se por estragar ou simplesmente perder o sentido.

terça-feira, 30 de março de 2010

Adorava


Adorava que os meus sonhos se concretizassem, mas não aqueles que formulo na minha consciência, mas sim aqueles que se encontram ali, naquele terreno híbrido entre o consciente e o inconsciente, esse limbo poroso de onde surgem semi-ideias, projectos pouco audíveis, desejos que se adivinham e os instintos mais poderosos que modelam por vezes a nossa atitude e o nosso comportamento. Esses sonhos semi-frios vagueiam como sombras pouco visíveis mas sentem-se pelo rasto que deixam, pelo toque suave, quase imperceptível que emitem nas paredes da nossa consciência, muitas vezes cega, insensível aos mesmos, para que se manifestem de forma mais audível, para que se possam perceber, para que se possam sentir, para conseguir que venham à luz do dia, pois só assim se podem cumprir, podem florescer e quem sabe tornarem-se realidade.

segunda-feira, 29 de março de 2010

E sai-me mais uma na rifa!


Combina-se num destes dias um almoço com uns amigos lá para os lados da Avenida da Liberdade. Saí-se do Metro na estação da Avenida e caminha-se com a calma necessária de quem anda à procura do Norte para descobrir o percurso a seguir. Nisto aproxima-se uma senhora de certa idade, vestida de modo humilde, que se chega à minha beira e diz-me qualquer coisa que devido à minha distracção não pude perceber bem à primeira. Penso que quer alguma informação, talvez ande meio perdida como eu. Voltou-me e digo – Desculpe, diga?


E eis que na minha completa ingenuidade vejo um piscar de olho acompanhado de um movimento no pescoço que se movimenta para um dos lados de forma concordante e oiço, agora de forma perfeitamente perceptível: - Queres ir?


[…?!?!?WTF?!?!?…] [segundos de silêncio em que parece que o mundo pára!

Em suma, a minha reacção não foi mental, não consegui, olho de imediato a criatura de alto a baixo e sai-me um sonoro - F%%$”#”#SSSSS!!!! Para além da minha expressão facial de escandalizado que me deve ter posto os olhos fora de órbita!

Reacção seguinte, voltar as costas e começar a andar no sentido oposto.


Conto o sucedido aos meus amigos que se desmancham a rir e eis que um diz:
- Então mas não sabias? Andam para aí umas dessas assim!

Puxo pela cabeça e realmente lembro-me de em algum sítio ter ouvido falar de situações semelhantes, mas ser testemunha presencial é outra realidade, totalmente diferente porque se custa a acreditar! Parece que a “profissão mais velha do mundo” é mesmo a profissão mais velha do mundo e aparentemente não dá direito a reforma antecipada, pelo que alguém quer queimar os "cartuchos" até mais não poder!


[Isto realmente...]

domingo, 28 de março de 2010

Da loucura


Se umas vezes gostamos de ser considerados malucos, transgressores ou dementes porquanto isso nos dá uma sensação de liberdade, confiança ou poder; em outras ocasiões a mesma consideração sobre nós é o que mais tememos, receamos e nos assusta, chegando ao ponto de nos limitar, oprimir ou então levando a uma sensação de vergonha de nós próprios e daquilo que fizemos, exactamente pela transgressão a raiar a loucura que nos apercebemos ter cometido ou iríamos cometer.

sábado, 27 de março de 2010

Pescador


Um pescador precisa de perícia, precisa de técnica, de ter um bom isco e saber escolher o local onde pode ter sucesso. Um pescador precisa de ter esse instinto que o torna naquilo que é, precisa da paciência, de todo um saber que se exprime no seu engenho, que o leva a aperfeiçoar instrumentos, materiais e teóricos, que garantam o seu sucesso.


Contudo um pescador, por melhor que seja, não tem sucesso somente por possuir a melhor técnica, os mais engenhosos materiais, o mais sedutor isco e até o mesmo o mais apurado instinto. O pescador depende sempre da natureza, das condições climáticas, de todo uma série de factores que lhe escapam e apenas se conjugam positivamente numa palavra a que chamamos “sorte”! Sem ela nem o melhor dos iscos funciona.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Livros, pessoas e relações


Muitas vezes lemos livros de forma voluntária, pelo assunto, pela forma como estão escritos, pela capa ou título que nos atrai e nos leva à criação de uma ligação que nos absorve sem que ninguém nos tivesse obrigado à mesma.

Mas tal como os livros são algumas relações, visto que um livro é um ser inerte do qual retiramos um prazer pessoal, próprio e intransmissível, que percebemos que sentimos mas não sabemos explicar, sem que o outro, por seu lado seja de algum modo activo, pois não sente, não se altera pelo gosto que temos por aquilo que carrega, conserva dentro de si e transmite para o exterior.


Contudo, o mesmo livro, se fosse lido de forma obrigada, porque se tem de conhecer o seu conteúdo, retira de nós parte da paixão e prazer pela leitura do mesmo, não que deixemos de a ter, mas a pressão com que nos confrontamos retira parte do brilho que raia nos nossos olhos quando nos damos a esse acto de pura espontaneidade.
De igual forma acontece o mesmo com as pessoas. Quando gostamos de alguém é pela sua capa, conteúdo, o qual lemos de forma livre, sem nos sentirmos obrigados nem forçados a nada, porque é algo instintivo, inconsciente, da mesma maneira que é quase contra natura quando as circunstâncias nos levam a estar com alguém, por obrigação, por vontade alheia à nossa própria.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Estão sempre a dizer-me...


...a tua vez há-de chegar!



[Já oiço isso há demasiado tempo. Pelo andar da carruagem a minha vez chega lá para os oitenta anos!]

quarta-feira, 24 de março de 2010

O teu fôlego


O teu fôlego corre por mim como uma corrente de ar fresco que apetece beber, como um perfume que hipnotiza e pelo qual nos deixamos levar. O teu fôlego exala tudo o que tu és, toda a essência, todo o carisma, todos os pequenos pormenores que aquecem e iluminam o meu rosto, levando ao desejo de sentir todo esse teu ar, espírito, alma a espalhar-se pelo meu corpo como uma névoa misteriosa que envolve e consome tudo aquilo em que toca, provocando a sublimação do ser, o qual depois condensa para libertar essa chuva trepidante que se esvai do meio das nuvens negras, sombrias, densas, que se formam no alto dos céus, ao perceber-se que todo o teu sopro se esvaiu e não passou disso mesmo, de uma ameaça fugaz, etérea, que se experimentou por um momento breve, mas ainda assim sublime, que ecoa na minha mente.

terça-feira, 23 de março de 2010

Método para dormir


Nem sempre tenho sono, mas quase sempre tenho de me levantar cedo da cama. A questão que se coloca é o que fazer para cair à cama e adormecer de modo a conseguir-se as horas suficientes de sono? O ideal era ir dormir quando se tem sono, quando se está cansado (mas não em demasia), mas nem sempre isso acontece. Depois de ter chegado à conclusão que o chá não funcionava, decidi abordar o assunto com outra estratégia, a qual é bastante simples e esteve sempre ali à minha frente (como todas as coisas simples). Ora arranjei um livro daqueles maçudos, tanto no conteúdo como no tamanho e coloquei-o na mesa-de-cabeceira. Chega-se à cama, sono nem vê-lo. Pega-se no livro (que daquele ângulo até pesa qualquer coisa!) e começa-se na primeira página do primeiro capítulo, depois lê-se a segunda página, a terceira página…

…e acho que nunca cheguei à quarta página!

Entretanto acordo levemente lá para as três da manhã, luz acesa e enrolado no livro, o que é sempre “romântico”, isto quando este, volta e meia, não cai ao chão para felicidade dos vizinhos de baixo! Nessa altura apaga-se a luz, coloca-se o livro no lugar do costume e eis que se volta para o sono, já que agora está-se como que “ligado” ao assunto!
Ps: E não, não tenho fetiche por livros!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ruído


Por melhor dicção, colocação de voz, domínio da língua, memória, conhecimento de palavras, expressões, cultura que se possua não há garantia que se consiga verbalizar com eficiência, ou simplesmente proferir a mais simples das frases, quando todo um rol de hesitações, receios ou simplesmente um nervoso nos invade e corta o raciocínio oral e por vezes mesmo o escrito. Isso é mais comum quando se tem tanto para dizer, tanto para perguntar, sendo toda essa energia seiva que circula na nossa cabeça, dando-nos mil ideias e cenários para no fim tudo soar a nada, à mais vil e contraditória expressão, dispensada de sentido e vazia de conteúdo, pois teme-se proferir a verdade em toda a sua sinceridade e crueza, receia-se a tirada impensada, a oração emitida de um só fôlego, cortante, que abalroa quem a escuta, quem a lê, que leve a uma reacção de afastamento, de renuncia, de incompreensão e desconfiança. Contudo, outra fórmula, racional, ponderada é falsa, é ilusória da qual rapidamente se perde o fio, mostra uma confiança incerta, exalta um gigante com pés de barro que se agarra a um método que somente serve para algo constante, estático, bem definido e não para esse ser subjectivo que é o ser humano.

domingo, 21 de março de 2010

...

E quando nos arrependemos daquilo que não fizemos, ao mesmo tempo que sabíamos que na altura nos arrependeríamos se o fizéssemos?
O tempo distorce as perspectivas!

sábado, 20 de março de 2010

Invenções que deviam ser banidas para bem dos enfant’s distraídos!


De certeza já toda a gente reparou naqueles pilares que se colocam na base e no topo das escadas rolantes para evitar que as pessoas subam e desçam com carrinhos ou outros volumes de enormes dimensões. Eu reparo. Aliás, reparo com demasiada frequência e apesar de já ter isso em mente volta e meia esbarro contra essa obra de engenharia aberrante. Sim, porque eu normalmente ando distraído, sempre a correr de um lado para o outro e quando as escadas rolantes estão apinhadas de gente é difícil vislumbrar o perigo que se avizinha, porque o campo visual fica reduzido. O pior de tudo é que aquilo fica mesmo, mas mesmo, à altura certa para eu bater lá com o que tenho de mais precioso! Nem é mais abaixo, nem mais acima, é mesmo ali, no ponto certo, o que felizmente não acontece tantas vezes porque no último momento lá faço uma ginástica monstra e digna de saltibanco para saltar para fora do trajecto, encalhando muitas vezes na pessoa que vai ao lado! Agora pergunto quem terá desenhado tal aberração, que mente perversa terá sido essa? Provavelmente alguém com fetiche de ver os enfant’s terribles aos saltos e a gemer!

[Ontem não me calhou a mim que ia atento, mas vi um ficar lá "encalhado" e bem aflito! Portanto não sou só eu nos meus “melhores dias”!]

sexta-feira, 19 de março de 2010

Do silêncio

O silêncio é uma ausência de som, uma falta de vontade, um grito mudo que nos arrepia por dentro, um bloqueio que nos oprime. O silêncio pode ser sonoro, bater nos nossos ouvidos como dois sinos para nos acordar para a vida. O silêncio é um código, uma conversa de olhares que nos preenche mais do que um diálogo audível, uma vontade de sentir usando apenas todos os outros sentidos, sem ouvir, sem verbalizar, transmitindo o intransmissível numa linguagem que todos conhecemos mas que poucos sabem utilizar por falta de um parceiro à altura. O silêncio é essa verborreia que pode exprimir o sentimento mais puro, a dor mais profunda ou então, simplesmente, a intimidade mais perfeita.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Ainda...


Ainda penso, sonho, concretizo nas teias das minhas memórias aquilo que não tive, aquilo que parecia estar morto, enterrado, que surge perante mim qual fantasma que me aborda, que dança à minha frente, que se torna real na medida das minhas ilusões levando-me pela mão a um recomeço, do qual esforço-me agora para fugir, tento resistir, mas acabo sempre por ficar mais um pouco, tecendo o antigo com o presente e o futuro, como que a reler um livro já lido e sublinhado, estudado ao ínfimo pormenor, procurando, talvez, algo que me tenha escapado, uma nova interpretação para delinear um novo plano. Mas a conclusão é sempre a mesma, conduzida pelo cansaço, pela desilusão, pela sensação de caminhar sem sair do mesmo sítio. Sigo em frente, parto, vou, volto as costas, mesmo sabendo que acabo sempre por retornar, nem que seja por um pouco, na esperança de ao ir, encontrar outro sonho que se revele como real, que me prenda e leve ao esquecimento pleno uma memória agridoce, que se instalou e teima em continuar presente mesmo que de um modo não aparente.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pouco


Por vezes é preciso pouco, tão pouco para nos sentirmos bem. Contudo esse pouco é exíguo, é raro e talvez por isso difícil de encontrar.

terça-feira, 16 de março de 2010

Como congelar um homem adulto em movimento, sem recurso a azoto líquido ou um processo físico que tal!


Vou eu lançado para o autocarro e deparou-me com a bela motorista que por vezes me “conduz” ao meu destino. Visto ser a primeira paragem o autocarro parte sempre à hora certa, o que dá jeito quando se sabe a mesma. Tendo igualmente de levantar dinheiro e ficando o multibanco ali ao pé, entrei no Bus e disse: “Bom dia, a que hora sai?”
Ela olha para mim, dá-me um sorriso estranho e responde: “Quer saber a que horas eu saio?”


Congelei…


segunda-feira, 15 de março de 2010

Corta-interesse #2


Se há uma velha fórmula que uso para definir o perfil de alguém é, sem sombra de dúvida, pelo que essa pessoa lê. O género literário diz muito de uma pessoa sendo que por vezes se encontram alguns casos curiosos, em que a leitura em questão contrasta completamente com o indivíduo observado. Noutros casos porém, somente reforça a imagem que a pessoa transmite. Ora transportando isto ao campo dos meus interesses pelo sexo oposto, há sem sombra de dúvida uma série de literaturas que equivalem, para mim, quase ao mesmo que um buço bem marcado ou um sovaco não depilado! Ver uma mulher a ler um livro, seja ele qual for, é sempre cativante. Um livro é sempre um livro, rei e senhor da literatura com posição incontestada. Uma mulher a ler um jornal de notícias também é cativante, indica uma natureza independente, um desejo de informação, mas aqui abre-se o primeiro corta-interesse, se for um jornal desportivo cai logo tudo. Vejam a seguinte imagem, uma mulher bem vestida, elegante, a ler o “Record” e ao lado dela sentado, um tipo balofo, de palito ao canto da boca e bigode a ler “A Bola”. Diferenças? Pois. Passando dos livros e jornais para as revistas temos o seguinte: Mulheres a lerem revistas femininas, não as considero revistas de baixa qualidade, pelo contrário, destinam-se a mulheres com algum grau, muito embora muitas outras as leiam (ou fazem de conta) exactamente por isso! Depois temos as revistas sobre assuntos específicos, viagens, decoração, informação, etc. mais uma vez mulheres que gostam de um determinado assunto, sendo que muitos são cativantes.
Agora o degredo, as revistas cor-de-rosa, dos mexericos, das vidas sociais, das novelas e (como cereja no topo do bolo) a revista Maria, rainha incontestável da nossa “literatura” pimba! Acho que não preciso de dizer mais nada!

domingo, 14 de março de 2010

Finais felizes


Por mais realistas, pessimistas, taciturnos, melancólicos que sejamos todos esperamos sempre o mesmo, um final feliz; que é algo que escondemos por vezes no mais fundo da nossa alma, algo que conscientemente afirmamos já não acreditar mas que apenas reprimimos, lançamos ao esquecimento consciente, tentamos queimar, obliterar, mas que não perece, não morre, é Fénix renascida que tentamos aprisionar, cortar o grito, as asas e apagar a chama, devido aos momentos ríspidos em que a esperança parece que se esvai do nosso âmago e para não sofrer ou tentar aplacar parte da dor, atacamos a única coisa que nos faz sorrir, aquela que nos permite, ainda que subterraneamente continuar, persistir, respirar, viver…

sábado, 13 de março de 2010

Desejava...


Desejava sentir a felicidade tal como o pôr-do-sol resplandece no meu rosto, sentir essa invasão sublime, quente e momentânea a entrar por cada poro do meu corpo, a banhar-me de uma energia que me fizesse deixar de pensar, de sonhar, de ver passado, adivinhar o futuro e me concentrasse somente no presente, no momento em si, aquele em que um segundo se torna uma minuto, um minuto uma hora e essa hora infinito, eternidade, que levasse ao esquecimento, à tábua rasa de tudo, ao esquecer das mágoas, das tristezas, de todas as falsas memórias que polvilharam as suas sementes negras ao longo da vida. E o raciocínio parava, mas as sinapses, essas viajariam num novo sentido, pulsariam um novo código, uma nova sequência, aquela que determinaria a melhor sensação do mundo, o pensamento e o sentimento mais puro e consistente, que se repercutiria por todo o meu corpo, no interior e exterior tornando-me um ser melhor, um ser feliz em toda a sua expressão.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Não um, não dois, mas três!!!

E é em dose tripla que a Anira the Cat, simpática felina da nossa blogolândia, me presenteia e eu muito agradeço a tríplice atenção! O Prémio Dardos visa reconhecer o mérito dos blogueiros que se empenham em transmitir valores culturais, éticos e pessoais, através das palavras e da arte demonstrada em seus trabalhos, transformadas num pensamento vivo. "


É preciso ainda responder a um desafio que é completar a frase: "A magia é..."

...tudo aquilo que não poderia acontecer e acontece, tudo aquilo que é impossível e se torna possível, tudo aquilo que parte do que sonhamos e se torna real para nos surpreender e deixar no nosso rosto um grande e verdadeiro sorriso!

quinta-feira, 11 de março de 2010

...


Gostamos de algumas coisas pelo seu significado ou então, simplesmente, pela sua beleza, mas raras são as vezes em que encontramos a conjugação de ambas na mesma dimensão, seja num objecto ou ser. Assim é em relação à arte, às pessoas e às coisas mais diversas da vida.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Desejo


O desejo surge em nós como uma invasão que se apetece, que nos ilude e nos força a ir em frente, em busca de uma forma de o controlar ou de o dominar. O desejo transmite a vontade instintiva, inconsciente que se torna consciente. É vontade sem sentido, mas que se sente em forma de necessidade, a qual temos de aplacar, de saciar, de permitir que seja revelada para que se possa conduzir, se possa destilar. O desejo é perdição, sentimento que grita alto, mais ainda quando recalcado, provocando dor, provocando ansiedade, nervoso miudinho, distorcendo tudo, provocando uma ilusão que se esfuma depois de satisfeito, é a traição de nós mesmos, mas igualmente a mais honesta, fiel e verdadeira sensação que possuímos, mesmo quando não lhe reconhecemos o valor, o qual está, muitas vezes a coberto, invisível de nós.

terça-feira, 9 de março de 2010

Alcançar


Por vezes para sermos os melhores temos de se ser os piores. Temos de ir ao fundo para conseguir ganhar o impulso que permite chegar acima, perceber as perspectivas de vários ângulos, olhar e desejar o que nunca vimos antes. De outra forma, se estivermos estáticos, numa profunda neutralidade, não conseguimos perceber o que há para atingir, sendo que estagnar nunca é sinónimo de equilíbrio, mesmo quando este é aparente. Alcançar algo é chegar ao topo e não permanecer nesse ponto porque, por mais alto que ele seja, será sempre a base para se chegar ao patamar seguinte, da mesma forma que a mais primária recuada base será sempre o sítio de onde se podem vislumbrar os limites mais elevados, sendo que estes do centro ficam ofuscados.

segunda-feira, 8 de março de 2010

...


Por vezes vemos a felicidade dos outros espelhada em nós como uma frustração daquilo que não temos, quando no final esta não é mais que uma imagem daquilo que aparenta ser, falsa, pouco precisa e distante da realidade que gostaríamos de ter e que pensamos ver.

domingo, 7 de março de 2010

Como manter o adolescente que há em nós, vivo e de boa saúde?*


Basta trocar refeições de gente grande que exigem alguma perícia culinária, ingredientes vários, perder inúmeros minutos na preparação, atenção a tempos de cozedura, utilização de diversos utensílios e recipientes, por uma simples malga de cereais!

É tão fácil manter-nos jovens!

*Que é como quem, dar-nos à preguiça e ao laxismo!

sábado, 6 de março de 2010

Constatação #2


Já dizia Lavoisier - nada se perde, tudo se transforma

Pois tudo se transforma, mas nem sempre naquilo que nós queremos!

sexta-feira, 5 de março de 2010

...


Por vezes apaixonamo-nos pela própria paixão, pelo desejo de ter sem ter, pela vontade criativa que nos cerca e ilude, mas que rapidamente se esfuma perante uma realidade crua e inacessível.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Abordar uma mulher, ou como sou capaz de complicar coisas para, no fim, não chegar a nenhuma conclusão de jeito!

Já me perguntei muitas vezes como será que as mulheres gostam de ser abordadas. Creio que a resposta é inexistente porque não deve existir uma, mas sim milhões, uma por cada mulher, se bem que para sorte dos homens existem alguns elementos comuns a todas. A abordagem nasce do desejo de um homem por uma mulher, mas também ao contrário, contudo ainda por força de alguma tradição é dos homens que se espera a acção, mas certo é que homens, ditos normais, têm de batalhar mais para conseguir, que de alguma forma, uma mulher lhes preste atenção e quiçá, algo mais. Depois existem aqueles que são mestres na abordagem, conseguem captar a atenção feminina facilmente com palavras, com expressões e fazem-no tão naturalmente como quem respira, ao contrário daqueles para os quais o processo parece ser quase uma actividade contra-natura, que os leva ao ponto de perderem, no enrolar da língua, todo o conhecimento dos fonemas racionais que passaram uma vida a aprender e a usar. Creio que duas das bases fundamentais para uma abordagem são, respectivamente, o improviso e a criatividade, encontrando-se estes elementos interligados, visto que as condições e o modo como se aborda devem condicionar tudo o resto. Mas falar é fácil, contudo improvisar não, requer saber tirar partido de um momento, saber ler nas entrelinhas, ter a ousadia suficiente para avançar ao que se junta a imaginação necessária para criar um cenário natural e demonstrativo de confiança. Mas isto é a teoria, porque na prática o caso muda de figura, acima de tudo quem aborda sabe bem que é tudo um jogo de probabilidades, de um lado e de outro, ou será que não? Será que existem fórmulas mais racionais e menos inspiradas, ou frases feitas e situações que se preparam, quais ratoeiras que condicionam atitudes que levam ao tão esperado “sim”? Mas mesmo que a resposta seja “não”, também há o modo em que apesar disso, se pode gerar um reconhecimento pelo esforço e, se assim for, pelo menos não se perdeu tudo!

Quanto a mim, a única conclusão que posso tirar disto tudo é a seguinte:
Abordar uma mulher e ter sucesso é tão difícil como ir à Lua, mas também é verdade que nem todos dão para astronautas!

quarta-feira, 3 de março de 2010

O passar do tempo


Muitas vezes, demasiadas até, sinto o tempo a escorrer-me pelas mãos como uma matéria infinita que sinto ainda conseguir prender, mas que sei que posso um dia perder para todo o sempre. Há tanto para fazer, viver, ler, conhecer sendo que muitas coisas são para sempre adiadas no vislumbre de que amanhã se vão fazer, conquistar, ter, sentir, mas conforme o tempo passa surge uma aflição que nos agonia, a percepção que o tempo, embora infinito, é para nós finito e não estará para sempre à nossa disposição, tanto mais que se mantém igual e nós não, vamos mudando e alguns dos nossos sonhos têm um prazo de validade e só fazem sentido num determinado momento, o qual nem sempre é o oportuno na medida em que outras coisas se impõem, ou tão simplesmente porque nem tudo o queremos viver e fazer dependem somente de nós, do nosso esforço, do nosso desejo, remetendo-se tão só para a nossa sorte, a qual temos esperança que nos atinja um dia, mas ao mesmo tempo o receio que chegue tarde demais!

terça-feira, 2 de março de 2010

Do que nós pensamos que os outros pensam


Tantas vezes os problemas que temos devem-se sobretudo por estarmos preocupados, não com o que nós somos, mas sim com o que os outros pensam de nós, ou melhor, com aquilo que nós julgamos que os pensam de nós. Quantas vezes não somos levados a deter-nos por pensarmos o que os outros pensam ou podem estar ou vir a pensar? Muitas, talvez demasiadas e mesmo quando dizemos a nós mesmos que não nos interessa isso, que somos autónomos e confiantes o suficiente para nos estarmos a borrifar, temos momentos em que aquilo que a nossa mente traça é um quadro de possibilidades baseadas supostamente nisso. Esse tipo de pensamento é no entanto natural, surge espontaneamente mesmo quando o queremos banir, sendo ele que nos faz retrair, ponderar e por vezes evitar certo tipo de acções que, por serem impensadas, não dariam bom resultado. Contudo do mesmo modo leva-nos à hesitação, à estatização e ao sofrimento porquanto gera um conflito interno dentro de nós mesmos. Infelizmente ainda não conseguimos ler mentes (pelo menos eu não!) o que tem o seu encanto na medida em que podemos esperar tudo de outra pessoa como reacção, mas que outras vezes era bom conseguirmos percebermos um pouco daquilo que vai no pensamento alheio ninguém pode negar!