segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aquilo que vejo


É neste caminho solitário que percorro que vislumbro as imagens plurais que todos parecem estar a viver. Vejo essas uniões, essas ligações que encerram um sorriso latente, por vezes tímido, mas sempre presente, nos gestos, nos olhares mesmo quando as pálpebras caem, entrecruzando-se ideias, vozes, projectos e sonhos. Vejo a concordância plena, o momento mágico a nascer das pequenas coisas que na pressa do dia-a-dia nem se repara, cenários que parecem pintados mas são vivos, lugares de pedra mas que ganham uma particularidade só compreendida na cumplicidade do múltiplo. E o tempo? O tempo deixa de ser, eclipsa-se, perde-se como água nas areias de um deserto, esperando-se apenas que a Terra gire para trazer a Lua e as estrelas e depois o céu claro e o Sol para aí se inscrever o que se vive, para aí se inspirar o que se vai dizer, o que se vai fazer. Consigo ver tudo isto, mas não o consigo sentir no meu âmago e pergunto-me se quem o vive tem consciência daquilo que é inconsciente, daquilo que transpira da realidade para o campo da perfeição, que nem sempre é percebida, mas acima de tudo é sentida.

domingo, 30 de maio de 2010

E quem gosta...


...de cerejas ponha a mão no ar!


[E também se oferece uma valente dor de barriga! Então ninguém quer? Vá lá, é de borla e tudo!]

sábado, 29 de maio de 2010

Aquilo que se nega

Apesar de todas as contrariedades que o amor trás todos queremos de estar apaixonados, muito embora muitos neguem categoricamente tal afirmação. Mesmo que sejam paixões platónicas, não retribuídas, impossíveis de qualquer realização terrena que nos provocam todo o tipo de contrariedades, desalento, descontentamento e desencantamento, todos gostam de sentir esse turbilhão de sensações que parecem dançar no nosso interior e no fundo todos as procuram, mesmo sem saber que as procuram, porque isso faz parte do instinto, faz parte dos nossos desejos mais incógnitos que levam a que uma esperança por mais exígua que seja pareça seja vislumbrada no horizonte mais longínquo da nossa existência.

Todos queremos estar apaixonados porque todos gostamos de sentir que no fundo somos capazes de gostar de alguém acima de tudo e de todos, mas fundamentalmente acima do nosso egoísmo que nos turva a vista.

Todos queremos estar apaixonados porque, a bem ou a mal, isso faz-nos sentir especiais.

Blog Verdadeiro


Diz a Lápis que este Blog é verdadeiro e eu muito agradeço tão grande consideração!
Contudo há um desafio para comprovar tal afirmação – É necessário confessar uma verdade nunca antes confessada. Ora aqui vai: Já me enjoei dos Simpsons e eu adorava a série. Era aquela coisa magnânima, via-a sempre que podia, mas agora que passam na Fox a torto e a direito, perderam toda a piada!

Agora passo o desafio e respectivo selo aos seguintes blogs também eles verdadeiros:


Até durar
Girl in the Clouds
Gaja com G maiúsculo
Anira the Cat

sexta-feira, 28 de maio de 2010

...


Aquilo que depende só de nós, por mais difícil que seja ou mesmo impossível, consegue-se concretizar, se nos esforçarmos verdadeiramente para isso. Porém, quando algo depende de elementos externos a nós, o mesmo já não acontece.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Contrastes

Causa-me sempre algum espanto, para não dizer confusão, quando os meus amigos, colegas ou simples conhecidos, que se encontram comprometidos numa relação seja ela de qualquer natureza, desde a mais institucionalizada à simples ligação afectiva, me digam em uníssono que eu é que tenho sorte, porquanto não possuo qualquer relacionamento desse tipo. Dizem invejar a minha “liberdade”, o facto de não ter qualquer tipo de “açaime” que me prenda a certo tipo de responsabilidades, de compromissos, que obrigam a fazer coisas por alguns considerados quase contra-natura, terminando sempre com as típicas frases: -“Quem me dera ter a tua sorte!”Ou então: -“Tu é que a levas direita!”.


A minha resposta é sempre a mesma nestes casos, sendo mais uma pergunta do que uma resposta: -“Se estão mal, porque não se mudam?” Mas eis que chove todo um “não” “não”, não podiam fazer isso. No fundo só invejam uma parte do que tenho, ou melhor do que não tenho, porque se nada tivessem lamentar-se-iam de igual forma. O pior é que na maioria das vezes são tudo homens que sempre conheci com “alguém”, o que me leva a pensar que das duas uma, ou eu suporto melhor a solidão do que eles ou simplesmente, e também conheço alguns casos, gostariam de mais liberdade para cultivar à vontade o já grande harém que possuem.


Em qualquer um dos casos, sei também que é mais uma conversa de circunstância do que outra coisa, como uma forma de mostrar a masculinidade, porque homem que é homem perante os outros encara sempre a esposa/namorada/companheira como um encargo. Mas depois ao telemóvel a voz grossa, gutural que expressa o palavreado rude e bruto dá lugar a essa vozinha fininha emitida num tímido volume de onde se ouvem essas expressões melosas, quase ditas medo, suscitando o rubor e a nítida impressão de alguma vergonha, produzindo-se assim a verdadeira imagem de contraste, com a qual , sendo eu o elemento "invejado" me farto de gozar, ao passo que todos aqueles em situação semelhante respeitam em silêncio.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Coisas que se mudaria



Quase todos os dias oiço pessoas a dizerem o que gostariam de mudar em si mesmas, tanto a nível físico como a nível psicológico, mas igualmente na própria atitude que têm perante a vida. Alguns sabem dos defeitos que têm, outros vêem defeitos que não têm, sem esquecer aqueles que os ignoram, ora inconscientemente ora de forma consciente.


Alguns tendo a noção do que querem mudar resignam-se, sabendo ao mesmo tempo que não têm a força de vontade suficiente para o fazer, a não ser que haja uma fórmula mágica que não exija esforço. Outros tentam tudo por tudo para mudar, para limarem os defeitos, aplicam-se, esforçam-se, vivem intensamente nessa luta contra eles mesmos na perspectiva de melhorarem, para sentirem-se melhor, mesmo quando, como já referi, o única defeito que têm só se manifesta nas respectivas cabeças.


No meu caso sei que tenho muitos defeitos como qualquer um, mas tenho uma perspectiva diferente em relação a alguns deles. Não procuro altera-los, prefiro mantê-los na medida que penso que apesar de nem sempre me tornarem uma pessoa melhor, ajudam-me em muitas ocasiões, permitem-me tentar um equilíbrio constante, procurar uma coexistência pacifica no meu interior o que se traduz em muitos altos e baixos. No fundo acredito que os defeitos fazem parte de nós e eliminá-los seria matar esse nosso outro lado, ao mesmo tempo que apesar de acreditar que podemos sempre melhorar, também precisamos de aprender a conviver com o que temos de menos bom, muito embora isso também signifique manter um conflito constante no meu interior, contenda essa que no fundo é o que melhor me define.



terça-feira, 25 de maio de 2010

Daquelas coisas que me acontecem mas que não deviam acontecer!


Ontem ao chegar a casa reparo no chão numa toalha de cozinha que me causa um certa admiração, visto que tinha uma igualzinha e pensei - “Curioso”! Uns passos à frente dou conta de umas peúgas, uma T-Shirt, tudo coisas que podiam ser minhas e nisto, ainda meio baralhado, observo num canto mesmo por debaixo do prédio onde ficam os meus aposentos um monte de roupa, alguma até com molas agarradas, encostada ali por força do vento. E assim fez-se luz, era a minha roupa, que se encontrava liberta de estendal, que lá do alto se tinha partido e balançava agora contente ao sabor da brisa! Muitos raios e coriscos depois, uma corrida para ir buscar um alguidar e fazer o inventário pormenorizada dos haveres, dou conta que me falta a fronha de uma almofada. Mas o pior não foi isso, o pior foi que algum cão achou por bem “marcar” ali o seu território competindo com alguns pombos, que decerto ao despique com o canídeo (que pelos vistos devia sofrer de cólicas!) encetaram ali uma luta a ver quem sinalizava mais!

Foi no meio disto tudo que me recordei que já andava há uns dias (meses!) para mudar a corda do estendal! Quem me manda a mim ser distraído/esquecido/negligente? Agora quem tem o dobro do trabalho, quem é?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Chama


Quando se apaga uma pequena chama, uma pequena luz dentro nós que reproduz a mais ínfima das esperanças, por mais pequena e fraca que seja, sente-se sempre uma súbita dor, um grito mudo e ácido que fulmina o nosso interior. Ficamos estupefactos, abismados, surpreendidos, exactamente por ser algo tão exíguo, mas que sabíamos ali, acabar por nos levar a caminhos tortuosos na surpresa da sua extinção, a qual se temia mesmo antes de acontecer, mas que não se sabia como evitar, não por falta de vontade, não por falta de conhecimento, mas pelo receio de se consumir todo o oxigénio que a alimentava. Olha-se para a cinza que formou e sente-se um vazio gélido, sente-se um nada que nos invade, uma revolta por nada ter-se feito e é então que se percebe que a cegueira não é deixar de ver, mas sim ver e não perceber aquilo que se vê e assim se perde aquilo que não se teve, nem se sonhava ter.

domingo, 23 de maio de 2010

Da verdade


Existem verdades inalcançáveis, se bem que todas as verdades, ou a própria verdade em si seja algo inatingível. Mas ainda assim alguns de nós perseguem-na, buscam as suas formas, expressões, o seu conteúdo mais profundo, tentam olhar para os seus olhos, mesmo quando estes são uma medusa que causa um amargo na boca e o petrificar dos corpos. Algumas verdades parecem fáceis de atingir, outras difíceis, mas nessa busca não há regras certas, não há critérios definidos pois nunca se sabe o que se vai encontrar e mesmo se chega-se a encontrar alguma coisa. Mas quando a conseguimos tocar ao de leve, quando conseguimos colher dentro de nós essa sabedoria que a verdade parece transportar, sentimo-nos próximos da beleza, de um paradigma que parece próximo do ideal, se bem que todo o conceito de “verdade”, é de todos, o menos próximo da perfeição, sendo aquele que se encontra mais perto da total imperfeição.

sábado, 22 de maio de 2010

Coisas que me irritam


No fim-de-semana, tenho por vezes de fazer um esforço para me levantar cedo, de modo a aproveitar o máximo de tempo possível. Contudo neste período semanal todas as horas abaixo das onze passam à categoria de "madrugada", o que dificulta psicologicamente qualquer tentativa de despertar por volta das oito ou nove da manhã. O despertador é preparado cuidadosamente para começar a berrar por essas horas, depois começa a tocar e volto-me para um lado a pensar – “Ah só mais um bocadinho!”. Passa-se pelas “brasas” e quando se volta à “vida” ainda se ouve o despertador e pensa-se novamente – “Só mais um bocadinho!”. Volta-se a entrar nas “brasas” pois ainda se está dentro do período de “tolerância” para tal. Sonha-se um bocado, fica-se naquele meio híbrido entre acordado e a dormir e eis que se olha de soslaio para as horas e aí dá-se o caos, a crise, todos os músculos do corpo a agirem em conformidade para provocar um verdadeiro salto da cama. O despertador encontra-se silencioso, tanto tocou que se achou vencido. E depois, quando se está perto do meio-dia e se percebe que se perdeu por completo a manhã, sente-se uma irritação pela nossa preguiça, iniciando-se assim o dia a praguejar para as paredes! Por outro lado, a preguiça estava a saber tão bem…

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Teorizações

Há pessoas que para dizerem algo simples e concreto precisam de teorizar e complicar um assunto, perdendo-se muitas vezes no seu próprio argumento ao ponto de não chegarem a dizer nada de objectivo, porque se o fizessem não podiam demonstrar a sua capacidade de tecer analogias e deduções. Assim são os filósofos e os políticos. O grande problema é que estes últimos saem-nos caro e fazem-no de propósito.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tocar


Tocar é mais do que uma simples manifestação física objectiva. Tocar é mais do que esse encontro entre mãos, entre lábios, entre dois corpos. É algo que parece acontecer no exterior, mas que se sente realmente no interior, no campo do nosso íntimo, da nossa sensibilidade mais instintiva. Tocar é envolver, é fundir, é sentir os elementos, o calor, o frio, o ar, a textura. É um transmitir de energias, de electricidade, de uma série de sensações que fazem os corpos ganharem vida própria, procurando-se, interligando-se num movimento que espelha mais do que alguma vez possamos vir a compreender na totalidade, porque há coisas que não explicam, apenas se sentem, sendo que tocar é sentir num grau mais amplo, o qual trespassa a própria essência dos seres.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Da sorte


A sorte no amor é o maior dos acasos. Contudo é apenas uma faísca, coisa que parece pequena no seio de algo tão grande, mas como em muitas outras coisas da vida, também aqui o pequeno é algo relativo. Apesar do tamanho não é dispensável ou acessório, cabendo-lhe a parte que lhe compete nessa engrenagem complexa que é a existência humana.

terça-feira, 18 de maio de 2010

As mulheres e os jogos!


Há mulheres que gostam de fazer jogos. O problema é que na maioria das vezes esquecem-se de fazer as instruções para os mesmos!

[Desconfio que por vezes é por isso que nem mesmo elas os sabem jogar!]

[Ou isso ou escondem-nas tão bem escondidas que depois não as encontram!]

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Há dias 3...


Há dias em que não espero nada, quando no fundo espero tudo, espero que algo aconteça, algo de diferente, algo que mexa e remexa destruindo a monotonia. Mas sei ao mesmo tempo que quando nada espero, verdadeiramente nada acontece, nada se propicia ou aparece. Há esperas e esperas, umas são infindáveis quando nada há em concreto no horizonte e outras são apenas confirmações daquilo cuja percepção ou o instinto já haviam adivinhado.

domingo, 16 de maio de 2010

...

Por vezes é mais fácil ser e parecer para os outros do que para nós próprios.

sábado, 15 de maio de 2010

Objectivo


Perseguir um objectivo pode dar-nos por si só alento, força, determinação, mas também causar-nos sofrimento, obrigar a colocar tudo em causa, a suspender ou abortar a prossecução de outros objectivos para se conseguir seguir apenas aquele.
Mas quando se deixa de ter um objectivo concreto, quando o que se persegue é somente uma ilusão que acaba por desaparecer, tendo nós já percorrido muito do caminho para a mesma, o desalento é maior, concorrendo com um certo alívio se o mesmo nos obrigava à disciplina, ao sofrimento, mas ao mesmo tempo há uma noção de tempo perdido, de esforço gasto sem retorno.
Ter um objectivo é sempre algo que motiva a vida, mesmo quando isso significa grandes esforços, privações e até desilusões. Mas ficar sem um objectivo é, creio, pior, porque é o apagar de qualquer farol, é o rasgar de qualquer mapa, significa ficarmos irremediavelmente perdidos.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Da dor e do sofrimento


A dor seja ela pequena ou grande, interna ou externa, física ou mental, envolve-nos no seu arame farpado provocando desde a simples comichão à maior das torturas, mas o sintoma recorrente é sempre o mesmo – sofrimento, e este por sua vez, somente por existir, provoca sempre a dor.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Provocas-me


Provocas-me. Provocas-me com essa matéria que te forma e transborda aos meus olhos como a quimera mais apetecível, como a obra de arte mais admirável, onde se mistura a luz e o desejo.
Provocas-me. Provocas-me com essa personalidade que te define, com esse carácter incogníscivel que me envolve num misto de tudo e de nada, que nem sempre consigo compreender, mas sempre me surpreende.
Provocas-me. Provocas-me mesmo que não sejas nada, com esse desconhecido que é somente um sonho formado por matéria negra incomensurável cujo limite não vejo, mas que procuro definir para continuar a perseguir, ainda que nada consiga encontrar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Da desilusão


A desilusão acontece de diversas formas, mas tem sempre um ponto comum, nós. A desilusão é um fardo que todos aprendemos a carregar, uns mais do que outros pela forma como lidamos ou não com a mesma. A desilusão é provocada por nós sobre os outros, ou por nós sobre nós próprios, evidenciando um acto que se tentou alcançar e não se conseguiu, ou um acto que se pensou em fazer e nunca foi concretizado. A desilusão vive nesse mundo onde se conjuga a acção com a inacção, o que se deveria ter feito e não se fez. A desilusão carrega-se ou tenta-se digerir, esquecer ou procurar se usada para produzir algo de novo, algo que leve a uma síntese de sucesso. A desilusão é visível no nosso semblante, nas nossas atitudes, nas nossas opiniões e decisões, é uma experiência que nos dá sabedoria ou mágoa conforme a soubermos usar. A desilusão sente-se internamente, sente-se exteriormente, sente-se em todos os domínios, em todos os universos em que possamos encontrar-nos, mas sente-se sempre, de uma forma ou de outra, podendo transformar-se na mais duradoura e asfixiante dor que alguma vez se sentiu.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma questão de fronteiras


Tanto na vida como nas relações tudo é uma questão de fronteiras, de se definir aquilo que é e o que não é. Esta definição por sua vez cria enormes dores de cabeça, seja porque não se aceita a forma como estão demarcadas essas linhas divisórias, ou pelo modo ténue em que se encontram as mesmas, não permitindo ver com clareza o que está à nossa frente.


A química entre dois seres é uma questão de fronteiras, deveria de fluir livremente, sem entraves, em liberdade, sem versões A ou B, deveria ser única, constante, mas nem sempre isso acontece e as barreiras que a mesma espelha confundem-nos tantas vezes, pelo que é complicado procurar perceber o que se sente afinal, o que é isto ou aquilo, se há uma igualdade entre dois mundos, ou apenas um mundo que gira em torno do outro, mantendo-se este último imóvel e com gravidade suficiente para nos manter afastados.


Depois há também o esquecer das coisas intuitivas, do que é instintivo e não pronunciável, fazendo-se apenas uso do que é objectivo, racional, para se tentar chegar ao mais subjectivo dos objectivos que é a felicidade, mas uma felicidade apenas pensada a um e não a dois. E é por não haver uma clareza daquilo que é a química, ou do que são as químicas, por estas reflectirem muitas vezes apenas uma parte e não o todo, que não se vê por vezes a fronteira que é demarcada, produz-se uma confusão em toda uma série de factores, por se querer ser mais do que aquilo que se é, quando no fundo não se pode transformar, evoluir ou transmutar-se aquilo que se tem, exactamente porque essa reação é percebida na nossa consciência, mas não sentida nos nossos instintos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Momentos


Há momentos em que apenas o silêncio impera, apenas porque só ele faz sentido, sem no entanto ter qualquer sentido na medida que nada diz, nada produz, nada exprime, a não ser talvez esse vácuo interior que nos leva à simples contemplação da vida. Este vazio produzido pelo silêncio parece no entanto preencher-nos por momentos, contudo, se cresce demasiado acaba por nos tragar para dentro do mesmo, para um local de onde é muito difícil, senão mesmo, impossível de sair.

domingo, 9 de maio de 2010

Contradições do espírito


Basta pensar que não se sente para se perceber que se sente, porque a pequena faísca que é o pensamento é suficientemente grande para produzir matéria ou substância, tornando o inexistente real. No fundo basta pensar em “não” para se afirmar e validar dentro de nós o “sim”!

sábado, 8 de maio de 2010

...

É preciso muita coragem e força de vontade para se ser, para se dizer e fazer. Mas, da mesma forma, é preciso igualmente muita coragem, força e sobretudo rebeldia para não se ser, fazer ou dizer!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

No momento imediato


No momento imediato não sei o que quero, onde preciso de ir para chegar, o que preciso de fazer ou dizer para acontecer. Descobrir o local de partida, improvisar a melhor estratégia é um jogo de nervos, uma tarefa sobre a qual nem sempre tenho a segurança necessária para saber se vai ou não resultar. Na maior parte das vezes é apenas um lançar de dados no vazio e esperar que a decisão tomada no instante seja profícua, e sabe tão bem quando assim é…

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dos Sonhos


O ser humano tem uma capacidade crónica para sonhar. O grande problema é que os sonhos são sempre idealizações do perfeito e raramente se tem o discernimento de temperar os mesmos com alguma dose de crítica realista, simplesmente porque isso destrói a própria essência do sonho. Contudo, é devido a essa ilusão a que nos dispomos, que tomamos maus caminhos e decisões, os quais nos conduzem ao desalento e à angústia, sentimentos esses que se verificam pela tomada de consciência que esta coisa que é a vida tem dois paralelos que raramente se misturam ou conjugam.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Episódio em dois andamentos (só para parecer um título pomposo!)


Tenho um professor que é da velha guarda. Sempre de fato gravata, faça Chuva, faça Sol, que se exprime e gesticula como se estivesse a dar missa, muito recto, vertical até no andar, manda umas bocas dissimuladas à formas “culturais” das gerações mais novas e desconfio que se o deixassem obrigava a turma a levantar-se das cadeiras de cada vez que entra e sai da sala de aula.

Como em todas as batalhas, mesmo as maiores e mais violentas, também as aulas têm aqueles momentos de silêncio, ocorrendo entre uma exposição e as respectivas inquirições, preparação dos trabalhos ou término de um dos seus pontos.

Agora o resultado disto: Faz-se agora a Queima das Fitas e eis que os caloiros e respectivas praxes voltam a ressurgir. É vê-los a marchar, a fazer “exercício”, com uns fatos indicadores da sua posição, etc.
Ora ontem, encontrando-me eu na aula do referido professor acima descrito, havendo movimentações de caloiros e elementos de vestes negras no exterior da sala, dá-se um daqueles curtos momentos de silêncio em que parece que tudo se calou para ouvir, vindo lá da rua, produzido por um coro com boa dicção o seguinte:

- "… foi ao C$ à abelha Maia!"

Resultado? Ainda me dói a barriga do esforço que fiz para não me rir, não pela frase ouvida mas pelo rosto e expressão do professor. Pior, ele estava de braços no ar, qual maestro, nesses segundos culturais, só lhe faltava a batuta!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Da desculpa

Peço desculpa demasiadas vezes, a mim mesmo e aos outros por nem sempre ser correcto, por nem sempre ser perfeito, talvez por ser humano. Peço desculpa quando devia pedir desculpa, quando não devia pedir desculpa ou quando devia faze-lo e não o faço vindo depois a pedir por não ter pedido desculpa. A desculpa é fruto do arrependimento, do acidente de percurso, do gesto mal conseguido ou simplesmente da educação. A desculpa nem sempre deveria ser pedida, porque nem sempre temos culpa de tudo o que acontece. A desculpa pode também ser apenas uma desculpa, um retrocesso para não admitir a culpa. A desculpa é um gesto humano para desculpar outro gesto humano. A desculpa serve não só para redimir-mos mas também para tentar salvar o que resta, tentar dar a volta por cima. A desculpa pode ser verdadeira, mas pode ser cínica, uma mentira que proferimos a nós, aos outros. A desculpa mostra que somos fragéis, mas também que somos fortes, que temos consciência do erro, ou então, simplesmente o oposto, mostrando uma insegurança que se procura contornar por esse simples acto. A desculpa nem sempre é justa, nem sempre é perfeita, mas é algo que peço, preferindo-a ao silêncio que nada desculpa.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ontem e Hoje


Não me compreendo muitas vezes, tanto mais que não percebo o porquê da variação do meu estado de humor, que ontem estava calmo e sereno e hoje parece estar incontornavelmente turbulento e belicoso, na essência instável, ainda que até entenda a razão para tal, que no entanto já estava presente ontem, mas provavelmente hoje esqueci-me do que fiz ou não fiz para conter e lidar com essa dimensão.

domingo, 2 de maio de 2010

Como é fácil para as amigas

Estou a conversar com uma amiga sobre assuntos amorosos (ou a inexistência deles) e eis que passa por nós uma mulher bonita, ao que a minha amiga diz: Viste? Esta era bonita não era?
Levanto o sobrolho e continuo a conversa até que passa outra mulher por nós, ao que a minha amiga volta a dizer: Então esta? Não era gira?
Levanto os dois sobrolhos e respondo: Pois, mas e o que ganho eu com isso?
Ao que ela me responde: Então, sempre lavas a vista!

[Posso garantir, tenho a vista muito bem lavada, é que nem há sombra de remelas ou coisa que parecida, mas não me sinto mais feliz por isso!]

sábado, 1 de maio de 2010

Paixões


Paixões pequenas, fáceis, de passagem são como exíguas ferroadas!
Paixões grandes, difíceis, estacionárias são como enormes hecatombes!