quarta-feira, 30 de junho de 2010

Todos os dias...


...a uma dada altura penso para mim: Não te esqueças de...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Valerá a pena?


Sorri-se, sofre-se, deseja-se, abomina-se, quer-se estar dentro a um dado momento e estar fora noutro. Gritam-se todas as palavras que se conhecem e desconhecem, não se consegue emitir o mais pequeno ruído, mas sente-se a mesma explosão em ambos os casos, uma deflagração que ou sai ou implode, mas acontece em pleno fazendo-nos querer tudo e ansiar por nada. Quando se quer não surge, quando se abomina aparece, sempre contrariando a nossa vontade, a qual deixa de ser senhora de nós, passando o nosso ser a estar limitado por algo que sente, mas não se compreende na totalidade. Levantam-se dúvidas, questões, escrevem-se palavras, misturam-se expressões, dá-se a inspiração e a expiração e no início, no meio e no fim, num dado momento, faz-se sempre aquela pergunta, a derradeira dúvida, acutilante e directa que nos coloca em verdadeiro desequilíbrio e à qual surgem respostas, tão rapidamente contraditórias consoante aquilo que sentimos, tão dispares conforme nos encontramos:

Valerá a pena o amor?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

...


Por vezes sinto que sou uma só palavra, quando desejava ser uma frase…
E por vezes sinto que sou uma só vogal, quando desejava ser uma palavra...

domingo, 27 de junho de 2010

Relatividade


Podemos ser felizes com pequenas coisas. Podemos, mas nem sempre isso é suficiente para nos preencher, tanto mais que a ideia de "dimensão" altera-se ao longo do tempo e consoante a percepção alheia. Aquilo que entendemos por pequeno num dado momento pode ser grande noutro, do mesmo modo que outra perspectiva que não a nossa dá outro entendimento sobre o é que grande e pequeno. O que é pequeno e grande é sempre, por isso, relativo.

sábado, 26 de junho de 2010

As compras, as filas e os chicos-espertos


Eu até não me chateio de ir às compras, mas isso quando consigo ir ao supermercado em dias de semana de manhã cedo, quando o mesmo acaba de abrir, não há praticamente ninguém, não há filas e as caixas estão vazias, ali, à nossa espera. Aí sim, dá gosto! Agora quando tenho a triste ideia (ou necessidade) de ter de ir lá no fim-de-semana por volta do meio-dia é exactamente o oposto. Para além de andar tudo aos encontrões, de muita gente só saber parar os carrinhos nas canelas alheias, de haver filas para a charcutaria, para a padaria, para a peixaria, para a frutaria e depois, claro, para pagar, ainda há os chicos-espertos (e neste caso as chicas-espertas!).

Toda a gente sabe (penso eu) que quem tem dificuldades motoras, tem crianças de colo, está grávida ou é idoso tem prioridade no atendimento, tanto que nas superfícies maiores até há por vezes uma caixa exclusiva para isso e quando não há tem todo o direito de passar à frente. Concordo e respeito, nem por se uma questão prevista na lei, mas mais por uma questão de bom senso e acima de tudo de cidadania.

Ora estou eu numa fila enorme para a caixa, já mais que enjoado de estar à espera e quando tenho somente umas duas pessoas à minha frente, reparo que uma senhora vem lá do fundo da fila a pedir licença a toda a gente para passar à frente e passo-a-passo lá chega à minha beira. Empurrava o carrinho com uma mão enquanto a outra segurava uma pequena toalha com algo enrolado que aparentava ser um bebé. Perto de mim pede-me com licença e sem delongas passa para a minha frente o que eu assinto por momentos. Mas eis que reparo que do embrulho que levava ao peito sai, não uma mãozinha, mas um focinho! Cai-me tudo. A dita senhora carregava como um bebé um cachorro e aí começo a mudar de cor! Eu até nem sou de fazer grandes protestos, mas achei que aquilo era demais. Pedi-lhe desculpa e disse-lhe que não podia passar à frente. A mulher olha então horrorizada para mim e começa a protestar de forma perfeitamente arrogante, alegando que ia “carregada”, mas não me fiquei, e afirmei:

- Se estivesse carregada com uma criança sim senhor, agora um CÃO! Só pode estar a brincar!


Nisto, toda a gente que estava atrás começa a olhar e aperceber-se do que se passava e então sim, gera-se o caos! A dita senhora teve de ir esperar a sua vez no fim da fila, ainda protestando a achar que tinha razão.

Quando me vinha embora ainda pude notar a presença de um segurança de volta da criatura e eis que me ocorre a proibição de animais neste tipo de espaço. É pena não proibirem também a entrada de certos espécimes de duas pernas!
[No fundo o que me irritou mesmo foi a arrogância e o seu cinismo. Mesmo com cão, se tivesse feito a coisa sem logro teria deixado passar à frente!]

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O complicado é...


Encontrar não é difícil. O complicado é depois, procurar alcançar mais, descobrir para lá de, escalar a muralha inacessível para se tentar entrar em sintonia, procurar a melodia certa que leve ao entrosamento. Nessas alturas há medo e rebeldia, há confiança e desconfiança, há uma miríade de sensações e emoções contraditórias que não se explicam e entram em conflito num verdadeiro delírio, mas no fundo o que há é a total incerteza. Quer-se, deseja-se, mas não se sabe o quê. No silêncio, na solidão encontram-se sempre as palavras certas, os cenários perfeitos, onde todas as variáveis são testadas dando à equação um resultado positivo. Mas ali, no momento em que se tem de decidir, de improvisar, tomam-se opções com receio, com precipitação ou pelo contrário com demasiada confiança, a qual só é boa quando sincera, quando não é uma capa que esconde toda essa convulsão interior, quando a verdade por ela proferida é feita de forma equilibrada, na dose certa, porque tudo em demasia torna-se suspeito, dá imagem errada e cria um quadro amputado. Quando se encontra quer-se mais, não por se ter certezas, mas apenas porque é mais forte do que nós a necessidade da saber, a vontade de conhecer, de criar laços porque faz parte da vida não perder a esperança, a qual é e sempre será uma Fénix no seu eterno ciclo fim e início.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Nunca me posso esquecer...


... que as melhores coisas que nos acontecem são aquelas que gostaríamos que acontecessem, sem no entanto termos a esperança que as mesmas venham a acontecer.



[Tantas vezes que quebro essa regra e por isso há tanta coisa que não me corre bem...]

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Acto falhado? Talvez não!


Acontece-me com frequência não me lembrar por inteiro, trocar a sequência, ou misturar aquelas expressões populares que se usam no quotidiano. Muitas vezes não acerto à primeira e quase toda a gente que priva comigo sabe disso. Contudo existem algumas expressões que, pelo uso regular, é raro me enganar, facto esse que aproveito para semear alguns actos de pura subversão.
Um dos mais recorrentes é quando recebo uma ordem no trabalho que não me agrada, o que me leva a dizer aos meus colegas:
- Albarda-se o dono à vontade do burro!
Depois ficam quase sempre assim meio a pensar, até que algum diz:
- Epá, não é assim é ao contrário…
E eu respondo:
- Não pá, é assim mesmo!
E aí todos percebem e começam a rir-se! Todos menos o chefe, que não ouviu a última parte, porque se isso acontecesse, aí sim, tínhamos um acto falhado!

[Creio que quando é para falar mal, nunca me engano, só qualidades!]

terça-feira, 22 de junho de 2010

Da tranquilidade


Os meus momentos de tranquilidade, os quais sempre reclamo na sua ausência, nunca correm como desejo. A serenidade ao invés de me acalmar parece por vezes asfixiar-me, fazendo-me contorcer numa miríade de extremos. Talvez aquilo a que chamo tranquilidade não seja a tranquilidade certa, aquela de que preciso, talvez seja apenas uma máscara colocada à força, num lugar e hora marcada, construída a partir de ideias feitas, de pequenas ilusões que apenas serenam o espírito na falta concreta de tal sensação. A tranquilidade, a paz, não pode ser reclamada, não pode ser indicada, tem de ser sentida, tem de ser alimentada no momento em que se deseja, para que possa ser usufruida na sua plenitude, tal como na maioria das coisas na vida.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Aquilo que se quer


Por vezes quer-se muito, quer-se demasiado, quer-se este mundo e o outro, não se aceitando uma parte por se querer o todo. Pergunto-me se há fronteiras para o querer, se devem existir ou se simplesmente deveríamos ser mais exigentes e não nos contentarmos com pouco na medida que essa pequena quantia devia ser o aperitivo para algo maior, algo a que pensamos ter direito por inteiro e se tal não acontecer, haverá sempre a mágoa, a desilusão, o descontentamento que se carrega e com o qual se tem de aprender a viver, traduzindo-se no drama da existência humana. Mas para ambicionar é preciso também ter-se noção, ter-se percepção do que é esse todo e não cair na ganância desmedida e doentia que tem efeitos perversos sobre nós. Queremos muito e é bom querer, mas é melhor ainda saber o que se quer, mais ainda, querer-se aquilo que pode ser alcançado e não uma quimera impossível, residindo nessas escolhas e no estabelecimento desses limites as maiores dificuldades do que propriamente o querer.

domingo, 20 de junho de 2010

...


Há coisas que não se explicam, vivem-se, e quanto mais as tentamos perceber mais percebemos que não há como as entender, servindo apenas, talvez, para nos colocar a pensar, constituindo-se como desafios, sendo que o resultado de tais raciocínios não nos dão uma resposta, mas abrem-nos caminhos a tantas outras perguntas, das quais, dessas sim, se consegue obter uma conclusão.

sábado, 19 de junho de 2010

Negar


Por vezes negamos o que dizemos, negamos sem saber, dizemos não na primeira pessoa e à primeira oportunidade, porque é mais fácil de o dizer, de negar, do que afirmar ou improvisar outra resposta. Contudo, ao dar-se não como resposta, torna-se mais difícil justificar-se o porquê.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Da expectativa


Quando se tem uma expectativa é difícil esperar, é complicado manter a calma e o tempo torna-se nosso inimigo bem como todos os nossos actos que são avaliados ao ínfimo pormenor, parecendo todos os menos indicados. A expectativa dá-nos alegria, cria sofrimento, arrependimento e crítica constante, um nervoso miudinho que sempre nos lembra que o nosso pensamento está noutro lado, camuflando a racionalidade e dissipando qualquer tentativa de concentração. Mas quando se tem uma expectativa sente-se a vida, sente-se a monotonia a extinguir-se e ganha-se uma força que no impele à impaciência, mas ao mesmo tempo à criatividade e ao engenho, apelando à luta, ao esforço, que nos cansa, mas ao mesmo tempo nos anima.


Contudo quando não se sente a expectativa, quando se luta contra a mesma com a finalidade de a mesma não deturpar a nossa razão, parece que a se vive sem sabor, numa tranquilidade de aparências, que nos conduz ao cruzar dos braços e à estagnação, que sabe bem, mas somente para equilibrar o cansaço, conferindo no entanto pouca genica e tudo o que se associa a ela. Viver sem expectativas é caminhar sem sair do mesmo lugar, é ver e não avançar, é ficar e não alcançar, muito embora isso possa produzir construções sólidas, genuínas e reais, que não são muitas vezes apreciadas na medida que nem sempre se percebe aquilo que se tem, pela falta da impulsividade necessária para se sentir com ardor o que está à nossa frente. Aquilo que se deseja é no fundo sentir a concretização da expectativa, muito embora por essa via, a mesma seja dificilmente realizável.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Deve ser só comigo


Quando estamos prestes a terminar um projecto pelo qual tivemos de nos sacrificar, abdicando de muita coisa e sobretudo empenhando para tal muitas partes da nossa vida, com o objectivo simples de nos realizarmos pessoalmente, devíamos sentir uma alegria fulgurante associada a um alívio que retumba dentro de nós, traduzindo-se num claro sorriso de satisfação pelo concluir da etapa.

No entanto, no meu caso, não é isso que sinto. Essa suposta alegria já a senti antes, mas ela nunca acontece no momento final, antes sim, no momento mediano, quando tudo ainda está para se decidir ou então no longo prazo posterior à realização da tarefa, mas aí boa parte do sentido já se perdeu não revestindo a mesma intensidade como aquela que se sentiu a meio do caminho.

Nunca percebi muito bem o porquê disso, talvez a antecipação me saiba melhor do que a conclusão, talvez no fim já pouco haja a provar do que no meio e por isso estar à beira da meta, por muitos esforços que se tenham feito, não me faz ser trespassado por essa intensa felicidade que parece tomar conta de mim em momentos anteriores, onde as incertezas eram maiores que as certezas. Talvez sentir as coisas deste modo seja uma característica minha pessoa, talvez não goste de finais mas sim de continuidades, muito embora só consigo continuar quando tenho um objectivo final que me serve de inspiração e me dá forças para tal. Mas na conclusão dá-se esta apatia que parece ser contraditória. Sinto-me feliz, sim, mas de modo racional e ponderado, muito longe da alegria genuína que sentia em tempos anteriores, disparada apenas pelo simples formulação da possibilidade do final.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

E porque se gosta tanto do futuro?


Porque o futuro é cheio de possibilidades, de esperanças e sonhos. É o campo supremo para acontecer o que menos esperamos e ser-se ou não optimista parte muito do modo como olhamos o futuro, crédulos de que vai ser melhor ou, numa perspectiva pessimista, que vai ser pior. Pelo meio há ainda aqueles que, talvez de modo mais sensato, preferem pensar o futuro não como aquilo que vai acontecer, mas como aquilo que querem manter do presente no amanhecer seguinte, esperando assim garantir o que têm como concreto do que pensar as intermináveis possibilidades de um tempo que ainda não chegou. Mas o futuro é algo que se torna doce quando estamos tentados por ele, quando o recriamos continuamente como um lugar de paraíso, remédio de todos os males onde a esperança e os sonhos se concretizam. Gostamos do futuro porque é tentador, porque é um lugar em aberto, porque queremos esquecer o passado, alterar o presente e sobretudo viver num amanhã diferente, um amanhã que resulte dos nossos sonhos ou simplesmente que nos surpreenda pela positiva.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Definição


Aquilo que se é não pode ser definido pelos limites das palavras, das expressões, dos adjectivos e substantivos. Aquilo que se é sente-se e transmite-se, sendo que quem recebe percebe de forma diferente quem transmite, numa diversidade imensa porquanto cada um sente de modo diferente e nós acabamos por ser o resultado daquilo que sentimos no nosso interior, somando a isso o que os outros sentem e vêem em nós. Logo somos muito mais do que pensamos ser, tanto que por isso é difícil alcançar uma definição concreta, visto que a mesma acontece de forma eterna, à medida que o tempo avança e que outros nos olham e nós os olhamos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Coisas que acho ridículo


Alguém que se apresenta em nome próprio como “Senhor fulano tal”.
...
Ah, mas foi baptizado “Senhor”? Que padrinho tão mau!
[Desconfio que no dia em que o registo civil permitir tal barbaridade vai surgir um novo nome próprio para júbilo de muitos pais e trauma de muitas crianças!]
[Ah, e não esquecer também os que se apresentam por Doutor!]

domingo, 13 de junho de 2010

Constatação #4


A felicidade acontece muitas vezes do inesperado, de algo que sucede sem que estivéssemos à espera. Mas da mesma forma vertiginosa com que acontece, também assim, por vezes, desaparece, não sem antes deixar uma memória, cuja definição, boa ou má, só poderá acontecer daqui a muito tempo quando o pó tiver assentado, para que se possa reflectir sobre a mesma de modo apropriado.

sábado, 12 de junho de 2010

Conversas #2

Ela: Um destes dias arranjo-te uma gaja!
Eu: Oh diabo! Tu vê lá o que me arranjas!
Ela: Diz-me lá, queres uma gaja boa ou uma boa gaja?
Eu: Pronto, tinhas de complicar tudo!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

...

Os animais quando se portam mal é por instinto. As pessoas quando se portam mal é por estupidez.
Tenho dito!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Cosmos


Ao olhar para as estrelas, para a Lua ou para o eterno espaço sideral que engole todo o espectro do visível, pergunto-me se também tu o olharás, percorrendo-o de uma ponta à outra procurando na luz ténue e nas imensas trevas a esperança de saber se existo e onde estou, tal como eu procuro por ti, a tua essência, o teu reflexo desenhado nas constelações, querendo acreditar que dia não será o céu da noite que olharei, mas sim o brilho dos teus olhos na imensidão da tua alma.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Da confiança


A confiança é um caminho que se percorre de olhos fechados, mas com cautela. A confiança não é ver, mas sim sentir que cada passo que se dá está dado como algo adquirido, é ver além do medo, da hesitação, é saber ultrapassar um obstáculo dúbio. Ter confiança não é deixar de ter dúvidas, mas sim ganhar consciência das mesmas, com força e perspicácia para não nos deixarmos dominar por elas, para as compreender e assim dominá-las de modo a ultrapassa-las. Ter confiança não é recuar, mas sim seguir e muitas vezes a única coisa que nos dá capacidade para tal é um pouco de loucura que isola o consciente e leva-nos ao inesperado que todas portas abre.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu o varão!


O bus ia assim para o cheio e eu lá me coloquei naquele “átrio” ao pé da porta de saída traseira a ver se me encostava a qualquer lado a fim de me equilibrar melhor. Numa paragem entra uma senhora volumosa cheia de sacos nas mãos e vai colocar-se ao pé de mim enquanto tenta ajeitar os mesmos num bus em perfeito movimento. A uma dada altura o veículo faz uma curva apertada e com a inércia a dita senhora encosta-se ao meu corpo meio desamparada. Contudo permaneceu nessa situação segundos demais para o meu gosto, até que tive de pedir licença para que me fosse dado “espaço”. Ao meu lamento a senhora responde:

- Ah desculpe, pensava que era o varão!

[Pois era o varão era! O meu delgado corpo pode parecer muita coisa mas para varão só serve a quem eu deixar! Devia querer farturas devia!]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Viver


Viver é encontrar, perder, olhar e não ver, sentir, sonhar, percorrer todos os caminhos e não saber encontrar nenhum, é desistir e voltar a tentar, saber ir, mas não saber regressar. Viver é conhecer sabendo que se desconhece, descobrir sem procurar, é mais do que respirar, mais do que sentir ou fazer. Viver é tudo e não é nada, é a lágrima que não cai e o sorriso que se inspira, é o tacto que se descobre mas não sente, é um incêndio que não se sabe conter, mas não se quer apagar. Viver é uma conjunção de contradições, que limitam e que expandem num momento único, súbito mas infinito, tal como o universo que se procura igualar na nossa consciência tão imperfeita, mas tão completa de emoções que nos confundem, que nos abrem os olhos para um oceano de mistérios que nos viciam e fazem sofrer, mas também nos fazem ter consciência de tudo o que temos e que é único, como os momentos de alegria que tudo fazem esquecer.

No fundo, tudo se resume a estar vivo, o que mais não é que lidar com um conhecido desconhecido.

domingo, 6 de junho de 2010

Aquilo que se diz


Há coisas que penso e não deveria dizer, mas digo-as vezes demais, porque não as consigo conter cá dentro, porque germinam de uma forma espontânea que quero controlar mas não consigo, envolvendo-me as ideias, as frases, as palavras nos contextos mais inesperados. É deste modo que perco-me aos poucos, causo a estranheza alheia e dá-se uma estranha luta dentro de mim entre o remorso aparente e a liberdade de ser quem sou, a estranha vontade de ser imperfeito para daí colher a perfeição de ser simplesmente humano.


Há coisas que não deveria dizer, talvez. Mas tudo se pode dizer, o problema é escolher e saber esperar pela conjuntura onde aquilo que se diz, por mais inominável, seja de alguma forma compreendido. Ou então é preciso aprender a resistir à tentação de tudo expor, porque há coisas que devem ser guardadas dentro de nós para o nosso próprio bem.

sábado, 5 de junho de 2010

Preguiça


Por muito activo, dinâmico e obstinado que possa ser, tenho também grande tendência para longos momentos de pura preguiça!

Então com este calor…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Errar


Em muitas ocasiões cometemos o mesmo erro vezes sem conta, não por falta de consciência ou noção de o estarmos a fazer, mas simplesmente porque não o conseguimos evitar.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Razões pelas quais o mundo pode mesmo vir a acabar!


Começo a achar que essa teoria apocalíptica baseada no calendário Maia (e certamente em mais uns escritores de algibeira que querem ganhar uns trocos) pode ter uma certa razão de ser, quando eu, do alto da minha ignorância plena em campos que não ouso discutir face à ignorância nos mesmos, dou por mim a dar conselhos de estética a uma amiga!

É, o mundo deve estar mesmo para acabar!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Intenções

Por vezes temos desejos ou simples vontades que não sabemos compreender. Queremos apenas, sem se saber conscientemente o porquê, a razão concreta e analítica para pensarmos em dar-lhes corpo. Em concreto temos uma ideia, mas muito pouco definida, uma razão que foge aos domínios do próprio pensamento que apenas se manifesta na intenção.
E como se explicar isso? E como responder então à pergunta do “porquê” que soa com toda legitimidade tanto da nossa parte como dos outros?
Talvez o ideal era responder que é apenas isso, que é algo indefinido, sendo que essa era a resposta mais verdadeira de todas.
Mas se já é tão difícil acreditar naquilo que é consistente e racional, mais difícil ainda é acreditar no que é irreal e indefinido, porque há sempre a desconfiança que isso sirva apenas para se esconder ou deturpar um propósito que até a nós nos escapa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

...


O grande mal é sentir, mas ao mesmo tempo saber que isso de pouco adianta, porque sentir, ao contrário de tantas outras coisas, não se esquece, da mesma forma que sentir sem haver expressão também de nada serve.