sábado, 17 de julho de 2010

A quem possa interessar

Visto que o dono deste blog é humano e há por aí um artigo na Constituição da República (que alguns bem querem esquecer ou apagar!) que garante a todos os que trabalham o direito a um período de descanso, o mesmo vai de férias, pelo que durante cerca de duas semanas o blog vai ficar encerrado! Prometo voltar, melhor ou pior, mais inspirado ou menos inspirado não sei, provavelmente o mesmo, mas volto!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dos Desejos


Há desejos de primeira ordem e de segunda ordem, mediante a quantidade e qualidade dos mesmos. Os de segunda ordem são aqueles que se satisfazem com relativa facilidade, com tempo, paciência, dinheiro, ou simples perseverança e força de vontade da nossa parte, sendo que dependem unicamente de nós e de mais ninguém, podendo-se dizer que na sua maioria são desejos materiais.
Os de primeira ordem são um número reduzido, são os difíceis ou verdadeiramente impossíveis de realizar. Dependem igualmente de nós, mas ultrapassam-nos na maioria das vezes, envolvem outras variáveis que não a nossa vontade, compreendem muitas vezes outras pessoas o que se traduz numa equação muito complexa, cuja resolução é por vezes trabalho para uma vida inteira, para a qual não basta dedicação e esforço, mas sim saber fazer uso do instinto, do improviso, onde o factor sorte é elemento vital para se conseguir atingir o objectivo que é a satisfação desse desejo.
Ao passo que os desejos de segunda ordem se esquecem após cumpridos, os de primeira ordem, mesmo quando alcançados mantêm viva a sua memória dentro de nós, pela dificuldade que transportam, pelo ar por vezes milagroso que encerram aos nosso olhos e sente-se o seu efeito de forma permanente quer os tenhamos ou não atingindo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Procura


Se todos nós soubéssemos o porquê dos nossos sofrimentos e angústias, das nossas dúvidas existenciais, das nossas complicações internas e actos falhados, o porquê de não se conseguir alcançar, o contínuo abrir das nossas feridas que teimam em não fechar. Se todos nós soubéssemos nunca seríamos felizes, talvez o fossemos somente em aparência, porque a luta que se faz para procurar respostas encerra em si mesmo a cura para tantos dos nossos males, muito embora para alguns, temo, nunca se encontrará uma resposta ou sequer o caminho para a mesma, mantendo um latejar constante, que nos faz sofrer, mas ao mesmo tempo é sinal de que estamos a viver o que significa que as respostas existem mas apenas para serem descobertas, muita embora algumas fiquem sempre na penumbra.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Noite


A noite envolve-me e o calor não me deixa dormir tornando distante o amanhecer, aumentando o meu desejo e a minha frustração por não conseguir ouvir a tua voz, sentir o teu abraço, por não conseguir beber dos teus lábios esse sabor único que provoca o arrepio surdo, milhares de explosões nos neurónios levando ao sentir de tudo aquilo que gostamos mas não sabemos explicar. Mas ao invés disso é apenas o silêncio que oiço, com o seu volume no máximo a ressoar nesta escuridão longa e imperfeita que me parece engolir e que tende a ser impossível de ultrapassar. No horizonte uma aurora tímida, envolta num ruído longínquo que parece prometer tudo mas não oferece nada. No céu nuvens que parecem ameaçar os mortais com todos os terrores e maldições. No meu peito esta respiração e este suspiro continuo que parece ser tão pouco, mas que faz sentir muito…

terça-feira, 13 de julho de 2010

A vida e a bicicleta


Viver é como andar de bicicleta. É preciso pedalar para não se cair, para se manter o equilíbrio que nos permite avançar, porque dessa forma não se entra na estagnação, é a velocidade constante que nos permite manter-nos de cabeça erguida, atentos a tudo. Contudo quando se anda de bicicleta é necessário uma direcção, um caminho e por melhores ciclistas que possamos ser, sem essa particularidade acabamos, não por estagnar, mas por andar completamente perdidos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Quer-se


Quer-se. E quer-se com muita força, com toda a energia que flui pelo nosso corpo. Quer-se mas não se sabe o que fazer para concretizar o querer, não se sabe o código, o caminho, o quando e o onde, o atingir da certeza que apenas se alcança pelo instinto que permanece muitas vezes mudo, sendo completado por uma racionalidade por vezes fria e pouco definida, que ao invés de ajudar apenas confunde. Quer-se, fosse querer poder, porque nem sempre querer é sinónimo de alcançar…

domingo, 11 de julho de 2010

Falar


Saber falar é uma virtude que nem todos têm. A expressão, o modo como se faz é meio caminho andado para se abrirem todas as portas. Uma boa argumentação, em tom bem colocado, associado a um raciocínio rápido e directo permite que alguns se destaquem no meio de uma multidão, que pode saber falar, mas não sabe comunicar. As palavras certas são uma coisa muito difícil de encontrar, para alguns são diamantes, para outros, poucos, são como areia, algo tão comum e simples que se dispersa pelo ar com toda a facilidade e naturalidade. Uma boa memória e um vasto vocabulário ajudam, mas por vezes complicam na escolha, entupindo e desconcertando o resultado final, demasiado pomposo, demasiado complicado e pouco sugestivo. Falar é também sentimento mais do que simples sons proferidos com determinada sequência e frequência. Falar expressa, se o soubermos e deixarmos, mais do que proferir, mesma palavra ou frase pode valer mais porquanto o ênfase que lhe colocamos. Mas saber falar é um dom, não disponível a todos, que muitas vezes só se atinge fora do tempo e do lugar em que valeria por mil, em que teria a sua total dimensão, expressando tudo o que somos, interna e externamente de uma forma audível que ressoaria de modo que não deixaria equívocos.

sábado, 10 de julho de 2010

Viver à espera


Por vezes parece-me que todos vivemos à espera de algo. Alguns esperam por momentos, outros por coisas concretas, mas creio que a maioria espera, mas não sabe muito bem o quê, tanto mais que sentem uma certa angústia nas rotinas diárias, na esperança que sempre tiveram mas parece que não se concretiza. Fazem-se diversas coisas, ultrapassam-se barreiras, empreende-se tarefas, planos, actividades mas parece que falta sempre algo, sendo esse algo aquilo que estamos à espera sem saber se alguma vez se vai concretizar, ou se ao acontecer o vamos perceber. Talvez estar à espera de seja condição natural de muitos de nós, ou então muitos de nós, onde me incluo, não sabemos fazer outra coisa senão estar sempre à espera, ainda que conscientes dessa monotonia, contra a qual, se tenta continuamente lutar, umas vezes com sucesso aparente, outras servindo apenas para trazer ao de cima alguma angústia que se possa sentir.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Quem diz que falar do tempo não pode ser coiso...deve ser por isso que gosto do calor!


Eu: A trabalhar? Com este bafo?
Ela: Sim, estou toda nua e ainda assim a suar! Tenho uma vontade enorme de rapar o cabelo, aliás todo e qualquer pêlo!
Eu: Muito gostas tu de me arreliar!
Ela: Então e tu? Como estás?
Eu: Todo suado obviamente! Que erótico que isto está a ficar!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Expectativas

Ainda que já tenha provado a mim mesmo diversas coisas ao longo da minha vida e por extensão às pessoas que me são próximas, ainda vejo alguma relutância da parte das mesmas em acreditar na minha pessoa sempre que decido surpreender ou aumentar a parada, nomeadamente em certos campos específicos. Faço algumas coisas porque tenho vontade as fazer, porque quero e nunca para provar nada a ninguém, a não ser a mim mesmo, contudo é sempre bom ouvir uma opinião alheia, ainda mais da parte de quem nos conhece bem. Mas em determinadas matérias, se ouso dizer que quero arriscar por um caminho que ninguém estava à espera deparou-me com alguma resistência de quem me devia apoiar. Todos os que me conhecem têm expectativas sobre mim, uns mais do que os outros, mas elas parecem ser, em diversas ocasiões, bem mais baixas do que aquelas que tenho para mim próprio e nunca percebi qual a razão disso.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Palavras


Por vezes tenho dificuldade em escrever, não por falta de ideias, mas sim por pensar demasiado em vez de deixar fluir aquilo que quero transmitir. Falta-me o sentimento, falta-me aquela voz interior que explode de forma repentina, mas ainda que súbita, suficientemente forte e duradoura para se manter o tempo necessário para conseguir apanhar no ar as palavras e reproduzi-las no papel ou noutro meio qualquer. Por vezes consomem-se demasiado depressa, mais rápido do que as consigo perceber, sobrepostas por outras que irrompem em quantidade empurrando as primeiras para um vácuo de esquecimento onde as perco, encontrando depois apenas fragmentos, com os quais tento tecer qualquer coisa, umas vezes com sucesso, outras com insucesso.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Conselhos


É fácil dar bons conselhos aos outros. Mais difícil é aceitar conselhos. A sabedoria é generosa, de tal forma que gostamos de dar mas temos dificuldade em receber, muitas vezes até de nós próprios, talvez porque é fácil falar mas difícil de ouvir e sobretudo de fazer.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Conversas #3


Eu: Isso das mulheres chorarem no cinema não é um bocado força de expressão? É que nunca vi ninguém a chorar no cinema!
Ela: Pois, está escuro como queres ver? [LOL]
Mas não, é mesmo verdade e olha que há homens também choram!
Eu: Ah pois, se levarem um pontapé no sítio certo é o mais provável!
Ela: Não és nada romântico, estragas sempre o momento!

[...!?!...]

domingo, 4 de julho de 2010

...


E quando se tem tanto para dizer, para expressar que custa a conter, a esperar, gerando um sofrimento louco que nos impele a um nervosismo incipiente pondo a nossa vontade a nu, à nossa vista, à vista dos outros. Processam-se ideias, tecem-se planos, palavras, frases, cenários hipotéticos, todos ali à beira da nossa boca que não consegue acompanhar o rol de tal turbulência. Este é o momento anterior, a fase prévia onde se procura, estimulando-se todos os neurónios, todas as memórias e comportamentos. Procura-se prever, adivinhar, descobrir, sente-se o queimar de numa crescente chama que nos consome sem parar, sem que se possa olhar para trás, para os lados, para qualquer sítio que não em frente, onde se situam os nossos sonhos, os nossos alvos, o nosso caminho, por vezes tão perto de alcançar, mas ao mesmo tempo tão longe e distante, do qual se ergue uma barreira do nada, que não se sabe quebrar, por ser desse material indestrutível que é a nossa própria apatia a qual se alimenta da nossa falta de discernimento...

sábado, 3 de julho de 2010

Em muitos momentos...


...sinto a incompletude a esmagar-me e não sei como a preencher. Só me resta esperar sobreviver para continuar a tentar procurar o modo de completar...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sonhar


Sonhar é bom. Mas viver é muito mais do que sonhar e quanto mais se sonha menos o sonho faz parte da vida concreta. O problema dá-se quando queremos que a nossa vida seja um sonho.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Do sentir e da razão


Há quem se torne demasiado racional naqueles campos em que a razão serve tão simplesmente para mantermos os pés assentes no chão. Creio que racionalizar um sentimento ao ponto de o espartilhar dentro de uma jaula é meio caminho andado para se perceber que no fundo não sente nada, ou tão simplesmente quer-se sentir mas não sabe como o fazer, tornando algo que deveria ser natural em algo artificial. O sentimento nasce de algo inconsciente, irracional, podendo ser depois, e só depois, polvilhado com alguma razão. Pode-se partir do sentimento para a razão, mas creio que o contrário não funciona, porque é perder o fio condutor, o algo transcendente que exactamente por não se entender na sua totalidade justifica o acto de gostar, de sentir, de nos entregarmos a algo, servindo a razão somente para enquadrar esse sentimento, para lhe dar uma direcção que tentamos sempre que seja lógica, mas permitindo a sua liberdade, porque de outra forma perder-se-ia todo o seu sentido.