terça-feira, 30 de novembro de 2010

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A vida é como um teclado de um piano. Tantas teclas e por vezes tocamos continuamente a mesma, fazendo soltar apenas uma única e solitária nota.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coisas que me fazem confusão


Um frio desgraçado e pessoal todo encasacado a andar pela rua de chinelo de dedo…sem meia!

[E eu até não sou muito friorento, mas bolas...]

domingo, 28 de novembro de 2010

Da felicidade


Há quem sabe exactamente o que quer, para onde vai, traçando uma linha recta e bem definida sobre o que é para si a felicidade, com discurso envolto num pragmatismo que parece não demonstrar qualquer dúvida por parte de quem o profere. Contudo desconfio dessas pessoas. Acredito que quem tem demasiadas certezas sobre tudo acaba sempre por se iludir pelas mesmas ou se sirva delas para esconder os seus receios, as suas dúvidas, porque a vida é e sempre será isso, uma incerteza, a qual temos de gerir da melhor forma possível, mas nunca perder o seu horizonte indefinido, porque isso é construir uma plataforma falsa, a qual pode cair de uma altura proporcional à certeza que se pensava ter. Acredito que a felicidade não se alcança por definições rigorosas, medidas, fórmulas mas sim seguindo o turbilhão que pulsa no nosso interior, movido pelo nosso inconsciente que sente e não pela nossa consciência que dita.

sábado, 27 de novembro de 2010

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Mais do que ler as palavras, é preciso senti-las como nossas, como se saíssem de dentro e não entrassem de fora para assim se produzir uma real mudança no nosso interior.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Escolher


Escolher. Escolher é difícil. Para se escolher envolve-se a experiência, o instinto e uma mistura de atitudes por vezes impulsivas que escapam a qualquer outro factor. Escolher é ponderar ou atirar-nos de cabeça, é pesquisar e pensar ou simplesmente agir, actuar como se não houvesse amanhã. Contudo, dentro de um escolha, pode-se optar por não escolher, por fechar uma porta para sempre ao invés de se abrir todas as portas possíveis, porque da escolha participa também o receio, o medo, o temor de não acertar sendo que muitas vezes apenas se percebe se acerta não pela escolha que se faz mas pelo tempo que passa após a escolha feita. Escolher é difícil, é complicado, mas faz parte da vida e são as escolhas que se fazem que determinam quem somos e para onde queremos ir, da mesma forma que também definem o que não somos e o que somos ou não capazes de fazer para alcançar.
Escolhe-se para acertar, com receio, com confiança ou irracionalidade, mas acaba-se sempre por se escolher e tantas vezes as escolhas que fazemos levam-nos ao arrependimento.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O literal e o oposto



Aquilo que é literal é a forma simples, directa e crua de ver algo. Já o oposto é não ver, mas sim abrir as portas a um leque praticamente infinito onde nenhuma solução é impar e definitiva, onde várias camadas se sucedem, não para que possamos obter respostas, mas sim, para nos enriquecermos ao mesmo tempo que mergulhamos no múltiplo contínuo, o que normalmente nos desespera.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Opostos


Para algumas pessoas as coisas não correm, fluem, com uma naturalidade de causar inveja a todos os outros que desejariam que tudo também fluísse ao invés de nada acontecer. Normalmente para esses tudo é fácil, tão natural como respirar e ficam surpreendidos quando os outros complicam, fazem de tudo um problema e vivem numa angústia permanente. Há uma certa inveja de uma parte, mas também uma certa incompreensão da outra. Em definitivo para uns o Sol nasce ao passo que para outro ele apenas se põe.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Partes em conflito


Em muitas ocasiões não se deve pensar. Deve-se sim ouvir o coração e seguir os instintos. Os problemas no entanto acontecem quando o que o coração diz entra em conflito com o que os instintos desejam e pelo meio surge a consciência, árbitro fraco e muitas vezes corrupto que não consegue por ordem na discussão latente, acabando por incendiar ainda mais o caos, que passado a fase aguda, mantém as partes em situação de guerra fria permanente.

domingo, 21 de novembro de 2010

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Por vezes há apenas duas opções: Sermos iguais a nós próprios, ou tentarmos melhorar o que somos. A questão é, qual a opção a tomar.

O peso das perguntas

Tantas vezes nos fazem perguntas, normais, triviais, inocentes, maliciosas, intencionais ou por pura coscuvilhice. Tantas vezes fazem-nos perguntas e tantas vezes as mesmas não nos afectam como também pesam demasiado na consciência, umas de modo imediato e que não conseguimos disfarçar, outras com efeito somente depois, passado esse primeiro impacto, quando nos apercebemos do quanto as mesmas nos perturbam. Tantas vezes temos resposta pronta para as mesmas, tantas vezes não a temos, do mesmo modo que para tantas a resposta é programada e pouco sincera ao mesmo tempo que para as outras as respostas se resumem a um silêncio pouco elucidativo, que por si só é talvez das respostas mais sinceras que podemos dar.

sábado, 20 de novembro de 2010

Talvez seja egocentrismo...


...mas por vezes parece que o mundo conspira somente contra nós!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Porquês


Ao longo da vida aprendemos a responder a muitos porquês, excepto, talvez, o porquê de ser aquilo que somos e de algumas coisas que acabamos por fazer, mesmo aquelas que são supostamente contrárias à nossa natureza. Da mesma forma a vida que temos, as coisas que nos acontecem e não estão na nossa dependência, são também elas porquês que ficam sempre sem resposta.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

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Há dias em que acredito, outros em que não acredito e nos restantes não sei no que acreditar…

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Explosão


Avança-se para se recuar. Recua-se para se avançar. E neste vaivém acaba-se por se estagnar sempre na mesma posição, hesitando, cogitando o que fazer, como agir ao mesmo tempo que se sente o peso da inacção, do tempo perdido numa preocupação latente e profunda quando seria tão fácil apenas agir, mas difícil seria depois arcar com as consequências. Então inerte e inactivo por fora, mantendo o status quo, mas por dentro, uma convulsão, ideias, pensamentos, sentimentos, contradições que se debatem, transformam, emergem e desaparecem, reproduzindo um ciclo vicioso que apenas tortura uma alma ao ponto de depois ser tomada uma acção, a qual foge ao pensamento, foge ao instinto, foge a tudo sendo apenas explosão e não reacção.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O que se quer da vida


Quantas perguntas não se tem feito sobre o que é a vida? Quantas verdades, hipóteses, teorias, fórmulas, princípios, leis não se enunciaram já para se tentar dar resposta a uma pergunta que sempre acompanhou e atormentou a humanidade? Muitas, demasiadas talvez, todas apontam um caminho ou uma parte e mesmo quando se juntam, quando se conhecem na totalidade acaba-se sempre por perceber que nenhuma é suficiente, tão grande e contraditório que é o tema, o qual nos ultrapassa em termos de conhecimento. Daí que quando se pergunta o que se quer da vida chega-se à conclusão singela que apenas se quer vive-la, quiçá, nem pensar muito no assunto, sendo que o problema é que na maioria das vezes não se sabe como o fazer. Talvez essa seja, verdadeiramente, a questão a colocar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Constatação #8


A vida não é uma questão do que se gosta ou quer, mas sim do que se consegue obter e pelo que se está disposto a lutar, mediante as nossas capacidades e não os nossos desejos, embora os nossos desejos estimulem as nossas capacidades.

domingo, 14 de novembro de 2010

Duas faces


Só tenho dois modos. Ou sou demasiado transparente, honesto e sincero, ou sou demasiado reservado, manhoso e complicado. Tanto um como o outro têm vicissitudes e problemas. Tanto um como o outro sucedem-se mediante os cenários, as pessoas. Tanto um como o outro alternam entre si num mesmo discurso. Porque há coisas que não sabemos como dizer e outras que apenas fazem sentido quando as dizemos da única maneira que são. Porque há coisas que se podem dizer e outras que não se podem pronunciar, pelo menos de imediato. Porque há coisas que não nos parecem bem, ou parecem ideais, mas não temos capacidade para julgar ou julgamos mal. Porque há pessoas e pessoas, umas que sabemos perceber e compreender o que dizemos e outras que desconhecemos por completo. Porque há frases fáceis e outras difíceis que se tornam mais difíceis quando não sabemos o impacto que vão ter, ao mesmo tempo que é tão fácil fazer com que tenham impacto. Porque há dias e dias, vontades, modos de estar, de espírito, coisas que se controlam, outras que nos controlam e muitas mais que não controlamos. Porque há o exterior e o interior, sendo que o último é sempre uma surpresa, para nós e para os outros.

sábado, 13 de novembro de 2010

Mudanças


Tantas vezes procuramos fazer mudanças na nossa vida. Usam-se fórmulas, meios, técnicas, tenta-se convencer a vontade, mas acaba-se sempre por perceber que é muito difícil mudar algo de forma radical e dramática em nós. Isto porque as mudanças para serem reais e efectivas têm de partir muitas vezes do inconsciente e não do consciente.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Desertos


Tenho uma vontade imensa que me faz ferver por dentro, que explode fazendo com que me lance à procura de algo que não sei o que é. Há expectativa que me ilude, que me persegue, que parece estar à minha beira ao mesmo tempo que não existe. Parece que tudo pode surgir, parece que tudo pode acontecer e a energia é tanta que nem sei como lidar com ela. Procuro refrear, acalmar, mas vejo-me processar tudo a uma enorme velocidade, sinto uma alegria que parece retumbar no meu corpo sem razão alguma. Sei que me engano, sei que é apenas mais uma esporádica erupção, sem um motivo válido a não ser acreditar por momentos e deixar-me ir para depois tudo se remeter para um deserto onde tantos esqueletos idênticos foram sendo deixados para trás, cobertos pela areia, batidos pelo vento, secos, fragmentados e esquecidos pelo horizonte distante da monotonia disperso por um campo árido que acaba por ser a realidade da vida.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Da terceira idade ou não!

O respeito pelas pessoas de idade fica bem e recomenda-se, contudo irrita-me quando essas mesmas pessoas usam e abusam desse “estatuto” para justificar tudo o que fazem e acima de tudo, não as dificuldade inerentes à idade que têm, mas sim a sua própria maneira de estar que é como quem diz a falta de educação ou a manhosice que sempre tiveram, porque ambas atravessam todas as idades. Depois, quando alguém lhes chama atenção para algo e vendo-se encurralados, servem-se da desculpa da idade, como nos casos em que algumas peças de roupa “aparecem” nas malas das ditas pessoas à saída das lojas sem terem sido pagas. “Ah e tal esqueci-me, é da idade!” Pois até podia ser, pensa um observador pouco distante. Mas quando o segurança diz: “Pois, na semana passada também era da idade, querem ver que a idade agora desculpa tudo?”
Posto isto ainda se pondera que a pessoa tem realmente alguma falha, mas quando se percebe que o ar de quem manda raios coriscos pelos olhos ao segurança porque a coisa falhou começa-se ponderar se será mesmo só “idade”!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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Por vezes vejo-me tão distante que não sei se algum dia não me acabarei por perder, longe de mim, longe de tudo, aumentando dessa forma as hipóteses de não me voltar a encontrar, se é que algum dia me encontrei na totalidade.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O valor da pronunciação da palavras

À luz das minhas dificuldades, preso em vontades inconscientes que me lançam no caminho errado e no nervosismo constante, provocando em mim comportamentos inconstantes, sempre distantes da vigília segura e equilibrada da sabedoria, do bom senso, do saber estar, acabo sempre por dizer o que quero mas não cai bem, fazendo assim transparecer de mim uma imagem errada, pronunciada por palavras francas mas mal entendidas e que acabam apenas por produzir o afastamento dos outros da minha pessoa. E assim, pelos equívocos vou passando, tendo esperança de um dia acertar sem hesitação, embora algo me diga que a questão não passa por acertar, mas sim por ser compreendido.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A verdade das coisas


Há quem nos peça a verdade, mas o que alguns querem mesmo ouvir ao fazerem esse pedido não é a verdade, mas sim a mentira.

domingo, 7 de novembro de 2010

Rejuvenescer


Sempre que temos um desgosto de amor voltamos a sentir-nos adolescentes, da mesma forma que a paixão por si faz-nos por si só recuar também aos tenros anos da juventude, num retrocesso que parece demonstrar que tudo é possível, inclusive rejuvenescer, ganhando-se assim um vislumbre de uma felicidade pura e despreocupada que se julgava perdida. Mas ao mesmo tempo perde-se em sabedoria, perde-se o controlo, a confiança e a dor é sôfrega, corrosiva, sentindo-se dessa forma agreste e avassaladora, como se tudo fosse acabar sem possibilidade seguir, como se toda a atmosfera aumentasse a pressão mil vezes sobre o nosso espírito e a respiração se tornasse uma utopia impossível de se voltar a atingir.

sábado, 6 de novembro de 2010

Dormiu-se ou não se dormiu eis a questão


E sonhar que se está acordado e não se consegue dormir enquanto se dorme? Se realmente se dormiu pareceu que não se dormiu, se não se dormiu pareceu que se dormiu, acabando-se por não se perceber o que realmente se passou. Seja qual for o caso foi uma passagem pela cama que não soube a nada.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Muros


Por vezes ergue-se uma barreira entre duas pessoas, levantada por uma parte, por ambas ou até por uma terceira força ou entidade. Esse muro distorce o que cada um diz, provoca o silêncio que é acordado por súbitos e violentos gritos provenientes de uma raiva que cresce de dia para dia. Essa barreira desequilibra, cria uma névoa que esconde e altera tudo o que se diz, o que se vê, o que é feito, não permitindo ver com clareza, escondendo os olhares, sendo contrário ao encontrar das palavras certas, ao ultrapassar das dificuldades pelo destruir o medo e acima de tudo de criar a sabedoria ouvindo o coração. Esses são os muros que tentamos quebrar, que se querem saltar ou arrasar. Alguns conseguem faze-lo, outros pensam ter conseguido, mas muitos mais permitem-se dormir encostados a eles habituados que estão à sua presença dantesca e asfixiante.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tempestade


A tempestade é violenta, incerta, abatendo-se sobre nós sem aviso, com força, tomando conta de tudo apenas pelo pintar do cenário, o qual se torna sombrio mas ao mesmo tempo belo pela verdade que transporta, pelo modo selvagem como se manifesta fazendo com que tanto nos seja subtraído ao mesmo tempo que nos habituamos a apreciar o seu conforto, ainda que dantesco e com o qual acabamos por aprender a viver, a olha-lo como uma parte de nós, muitas vezes a melhor, mas sem nunca o compreender ao certo pela contradição constante que nos provoca.
Dizem que depois de tempestade vem a bonança, vem a luz quase paradisíaca que enche o nosso coração de calor, radiante que fica por ser tomado unicamente pela beleza, pela serenidade que de todo o lado parece nascer.
Mas não. Nem sempre sucede a bonança à tempestade. Descobre-se sim um deserto com o afastar das nuvens, onde o Sol queima com a força que nos obriga ao cerrar dos olhos e deixando-nos ver apenas a sombra que somos, o lugar onde estamos, mas não qual o caminho a seguir. Sente-se falta do barulho dos trovões, sente-se falta da beleza dos relâmpagos, despreza-se a chuva, a humidade, mas não o conforto que o frio obriga a procurar e eis o encontro com esta a realidade luminosa, que seria supostamente idílica, mas que mesmo sem nuvens sombrias e ventos medonhos não surge nem se renova com tanta água que do céu negro caiu.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Constatação #7


Por vezes, em vez de vermos o que as pessoas realmente são, vemos aquilo que nós queremos que sejam.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tanto e tão pouco


Não. Não é uma coisa que quero dizer, são várias, muitas, milhares, tantas quantas consiga produzir e proferir apenas para dar uma resposta, a qual não se fica apenas por um caminho, mas sim por inúmeros, espalhados por entre gestos, palavras e frases intermináveis que só se extinguem quando a vontade estiver saciada.
Mas a realidade, onde o tempo, a ocasião, a memória são finitas e nos traem, não permitindo que se diga tudo levam a que fique sempre algo esquecido e omitido, havendo apenas abertura para uma parcela, um tudo ou nada, um agora ou nunca, o qual origina uma resposta limitada, única, produzida de forma reduzida onde o resto se perde na pressão do momento e consoante a capacidade que se possui de conseguir acertar ou falhar. Pode-se até alcançar um ponto intermédio onde o essencial fica dito, mas ainda assim o mesmo é sempre pobre e pouco preenchido perante a dimensão que sabemos conseguir gerar.
Podia-se dizer tanto, mas acaba-se sempre por se dizer tão pouco.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Constatação #6


Há quem sofra por dizer a verdade.
E há quem sofra por não a dizer.