quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Felizes e infelizes


Dizer que somos felizes não é fácil. Há um certo temor que pronunciar tais palavras é deixar a felicidade escapar por entre o sopro das mesmas, ou então que o mesmo acto seja como que um aviso às forças malignas, que nos identificam rapidamente caindo sobre nós com um aparelho extractor que suga de nós toda e qualquer felicidade existente, deixando no seu lugar o vazio da infelicidade. Assim dizemos que somos felizes, não directamente, mas por indirectas e são corajosos aqueles que o dizem abertamente e sem rodeios.
Dizer que somos infelizes não é fácil. Fica mal porque se espera que nunca pronunciemos tais palavras. Porque dize-lo pode atrair ainda mais infelicidade e o que é negativo é como uma doença que se pode propagar aos outros e contamina-los, daí que seja um motivo para afastar de nós todos os que nos rodeiam, porque acham que devido a isso queremos o mal global, queremos a vingança, pois seremos portadores de uma amargura que só pode ser saciada quando se atingem os que nos rodeiam, que julgam à partida que os culpamos a eles por tal sentimento.

4 comentários:

Olívia Palito disse...

Em relação a não admitirmos sermos felizes, talvez seja porque ninguém o seja a 100%. Vivemos momentos de felicidade (não querendo fazer apologia de clichés e tal).
Em relação a não admitirmos que somos infelizes, talvez seja por superstição. :))

Nunca estamos bem com a vida que temos. É o que é...

GATA disse...

Ninguém é feliz ou infeliz, porque isso não são estados, são momentos. É como o tempo: um dia está sol e outro dia está a chover. (Credo, parece um verso de uma canção do Rui Veloso!)

S* disse...

Hoje ia escrever isso. Sou muito feliz. Nada mais simples e nada mais poderoso.

Anira the Cat disse...

Há quem tenha medo de reconhecer o que tem com medo que o facto de o verbalizar o faça desaparecer...

Bjokas