quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aquilo que nos remete ao silêncio


Em muitas situações da nossa vida, normalmente no que diz respeito a relacionamentos, somos obrigados a remeter-nos ao silêncio. Não que alguém nos obrigue a isso, mas tal acção parte de nós, porque de alguma forma o bom senso prevalece, mesmo quando se tinha tanto para dizer, positivo ou negativo, um qualquer reparo, um qualquer grito ou murmúrio que ficou preso na nossa garganta, esclarecimento que se desejava dar ou pedir, tantas e tantas dúvidas que permanecem ansiosas por serem eliminadas formando esse conjunto toda uma constelação que se isola, ignora e faz-se ignorar perante os outros. Há muita coisa que gostaríamos de enfrentar apenas por dizer, por indagar e questionar, mas tal é também mostrar uma parte de nós que pode ser interpretada de forma adversa ou como incompreensão da nossa parte perante sinais mais que óbvios, indícios que já havíamos percebido na nossa razão, mas cuja força emocional tenta romper aquém de todos os avisos, apenas pelo prazer de arriscar ou pela tolice de fazer o que não se deve, na esperança vã de julgar que assim se pode obter o impossível, que já antes se mostrou inacessível e distante. Há muito que fica por dizer, não por falta de palavras, mas porque se perdeu o momento ou qualquer outra forma de contexto e assim muitos silêncios gritam dentro de nós até que possam ser digeridos e erradicados para todo o sempre.

5 comentários:

D. disse...

E a angustia que por vezes se cria, internamente, por querer perguntar e não se fazer? às tantas, já não sei o que é que é melhor, ou menos mau.

Margarida disse...

Há silêncios que são inevitáveis, quer perante os outros, quer perante nós mesmos. Silêncios que ficam gravados em nós, porque a oportunidade passou e o silêncio que foi não o devia ter sido, sempre resta a dúvida do que aconteceria... e uma única certeza que fica, a de que nos remetemos ao silêncio...

Psiuuuu!!Sou eu! disse...

Bem...conseguiste definir, expôr de uma forma tão objectivo o que tantas vezes se passa, eu revi-me nas tuas palavras em tempos isso foi uma realidade muito presente e exactamente da forma como descreves, não o conseguiria descrever de forma melhor :)

GATA disse...

"Enjoy the silence"...

Cláudia disse...

Há silêncios que valem ouro!