quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

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Apetecia-me escrever o que sinto mas não encontro as palavras para o descrever porque o desassossego consome-as diariamente, umas vezes mais, outras menos, que vai e fica, que se esconde e me deixa sem nunca me deixar completamente. Apetecia-me escrever tantas coisas, mas um nó envolve-me os neurónios e deixa os dedos parados, tensos, expectantes, permanecendo assim, quietos e ao mesmo tempo nervosos. Torno-me repetitivo, vou e venho, desço e subo, sentindo que corro sempre atrás do mesmo sem no entanto alcançar, umas vezes mais perto, outras mais longe mas sempre ali, próximo, quase a queimar, mas também distante, tão distante que mal sinto, que sei que nunca vou agarrar. Apetecia-me escrever, mas nada parece sair, nem o que é bom, nem o que é mau e quando o faço não são palavras que saem, mas somente silêncio inscrito numa folha de papel branca que se estende à minha frente como um deserto frio que em nada me inspira.

5 comentários:

Anna disse...

Uma apatia e um silêncio involuntários, uma incapacidade de verbalizar o que se sente, como se tivesse sido cortado algures o fio que liga o pensamento à palavra.
Sentimo-nos assim tantas vezes (eu própria já o disse também, eu própria continuo a sentir-me assim).
Acredito que, como em quase tudo o resto na vida, também isto não mais é do que uma estação de um ciclo. Eventualmente, e inesperadamente, o fluir das palavras regressa. Palavras com sentido e, não mais um deserto, e sim povoadas de cores e sons e sentimentos.

hierra disse...

é uma fase de introspecção ou ebulição como se queira que não deixa sair nada apenas consome por dentro...

A Minha Essência disse...

Beijinho-abracinho-miminho só porque sim! ;)

Gabi disse...

"Apetecia-me escrever o que sinto mas não encontro as palavras para o descrever porque o desassossego consome-as diariamente..."

isso acontece comigo... rs

GATA disse...

Se eu escrevesse o que sinto, o blogger censurava-me.