segunda-feira, 28 de março de 2011

O admirável mundo novo

Afirmam os pais e avôs que dantes não era assim. A beleza feminina não andava tão visível, havia, mas estava mais camuflada, por entre olhares, por trás de gestos, num jogo envergonhado vigiado severamente pela sociedade que facilmente rotulava e colocava de parte quem rasgava as tradições vestindo-se ou agindo em independência pensada ou correndo apenas atrás da mais reles tontaria. Na maior parte dos casos ao tomar esse caminho, a mulher é que perdia, a mulher é que era ostracizada, daí que poucas se mostrassem e as que faziam só tinham sorte se o fizessem perante alguém que realmente gostava delas e assumisse toda uma relação que iria ser futuramente firmada. Afirmam os pais e avôs que agora é mais fácil, a igualdade é praticamente plena, não há barreiras para uma conversa de qualquer tipo, trivial ou não, mas no fundo o modo como eles pensam deve-se apenas a manterem uma mentalidade de outrora, em que o simples facto de se poderem aproximar sem terem de pedir alguma coisa aos progenitores das candidatas, ultrapassado esse obstáculo tudo seria deles, abrir-se-iam de par em par as portas do paraíso. Talvez por isso estejam enganados, talvez por isso se os trouxéssemos do passado, dentro do vigor da sua juventude e os expusemos aos dias de hoje, a maioria não saberia o que fazer, sem barreiras chegariam lá, mas encontrariam outra barreira, outra muito mais forte do que qualquer sociedade imporia, a barreira de uma personalidade vincada, a qual, apesar de aparentar provocar mais do que eles alguma foram provocados, acaba por tecer a escolha, sem outros intervenientes, sem se deixar ir em conversas ou falinhas mansas, não dando qualquer tipo de valor a quem, como eles, ultrapassaram a barreira do chegar perto, do dizer uma palavra porque isso mais não é do que trivial. Acredito que esses homens do passado recente, que tanto choram por não viverem neste tempo, por julgarem que os mancebos de hoje são uns encolhidos iriam ser apenas mais uns, ou pior, ainda se sentiriam mais desenquadrados e quiçá deslumbrados com um admirável mundo novo, que apenas é uma ilusão para quem não o vê, vivendo somente do que julga que ele pode ser.

3 comentários:

GATA disse...

Como em tudo na vida, vai-se de um extremo ao outro...

Olhando para trás, comparada com algumas colegas do liceu e/ou faculdade, era muito "à frentex", não porque fosse uma doida (I'm a lady LOL) mas porque fazia coisas diferentes. E, além de forte personalidade, tenho mau feitio! :-)

S* disse...

Os extremos... não sou apologista deles. Acredito que a beleza é maior se for descoberta pouco a pouco...

A Minha Essência disse...

Havia tanta coisa do "antigamente" que não era assim tão fidedigno... ai, ai... ;)