segunda-feira, 14 de março de 2011

Pontas soltas


Deixamos ao longo da vida muitas pontas soltas. Umas vezes porque queremos, outras porque os acontecimentos acabam por levar-nos ao seu fabrico. Pontas soltas são as palavras que não se dizem, ou deviam ter sido ditas, as coisas que eram para ter sido feitas e não foram, desejos incumpridos, vontades que ficaram nossos reféns, silêncios profundos e palavras curtas que padeciam de companhia de outras. Tudo somado traduz-se num rasto enorme que se projecta no caminho que percorremos. As pontas soltas deviam-se auto-extinguir, deviam-se autodestruir, apodrecer por si mesmas como qualquer matéria orgânica na natureza. Em alguns casos isso acontece, mas noutros não, ficando ali, espreitando para nos atormentarem todos os dias ou então hibernam, mantém-se estáticas aguardando um momento para nos surpreender. As pontas soltas acabam em certos casos por se reproduzir, por se transformar, unindo-se entre elas, gerando uma forca que nos asfixia, evocando tanto o que se deixou para trás como o que se esqueceu e de onde se tentou fugir mas não se conseguiu.

3 comentários:

GATA disse...

Não gosto de pontas soltas, mais tarde ou mais cedo tropeço nelas...

PS: não gosto da imagem, parece-me larvas vistas no microscópio!

S* disse...

O problema das pontas soltas é que facilmente se agarram ao fim condutor, gerando um nó...

A Minha Essência disse...

Pontas soltas nunca dão resultado. Não, não!

Kiss ;)