segunda-feira, 23 de maio de 2011

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Perco as palavras e o seu significado por tantas vezes as usar apenas para preencher um espaço vazio, mas faço-o também com palavras vazias e depressa o que aparentava estar a carregar conteúdo, revela-se também cheio de vazio. Gostaria de proferir palavras certas, carregadas de significado, mas para tal teria de ter algo cá dentro para pintar as mesmas com substância, com um recheio que respirasse em chamas, que transpirasse de emoção e quebrasse o gelo que gela dentro de mim e assim acender a chama de alguém especifico, alguém real, alguém que se encontraria ou me encontraria e gerasse uma revolução, não um mero tumulto, mas algo grandioso onde não se encontrariam respostas, mas sim perguntas aliadas a novos caminhos, que embora desconhecidos tragam em si o delírio da aventura e não o medo das trevas. As palavras estão em mim, as emoções também, mas cada dia que passa reservo-as cada vez mais só para mim, assim como as emoções que parecem pesar sem ter saída por onde ir, refugiando-se deste modo tudo o que se quer dizer ou dizendo-o sem emoção aparente.

4 comentários:

Margarida disse...

Somos as palavras que proferimos e tudo o que estas carregam... Somos o que deixamos que estas carreguem, com mais ou menos facilidade, com mais ou menos vontade, com mais ou menos partilha...

Beijo

Utena disse...

Somos o que pensamos e o que dizemos.
Mas a verdade é que se banalizou muito as palavras e a sua força.
Beijo

hierra disse...

Eu cada vez mais reservo palavras só para mim até porque eu não acredito em bruxas mas que as há, há e eu conheço pelo menos duas...

Laura M. disse...

Por vezes, é nos momentos em que perdemos as palavras, que temos mais a dizer...e a sentir também.