domingo, 15 de maio de 2011

Das palavras #2

Existem palavras que nos arrependemos de ter proferido, que parecem ter sido soltas no ar numa certeza enganadora, as quais tentamos ainda apanhar sem hipótese para tal, para depois as mesmas formarem essa nuvem negra à nossa frente que tudo parece escurecer, fazendo-nos recuar ao invés de avançar. Mas da mesma forma existem palavras que nos arrependemos de manter cá dentro, tendo as mesmas uma vontade indómita de querer sair, mas sendo-lhe recusada a licença para tal, e eis que as mesmas se atropelam e fazem barulho partindo para o vandalismo que tudo abala no nosso interior. E depois existem as palavras que saem no momento certo, numa rara combinação de pontos que se cruzam, em que parecemos tomados por algo que é nosso mas nos supera, em que esquecemos tudo, concentrando-nos nesse único instante, tão ínfimo e singular, que gostaríamos de agarrar e toma-lo como algo concreto para o usar e repetir continuamente por toda a eternidade.

5 comentários:

caramelo disse...

Concordo contigo.
Quanto mais guardo as palavras dentro de mim, mais vontade tenho de as dizer, mas refugio-me no silencio para não perder alguém.
Sei magoar, mas á certas alturas que temos de ter coragem e desanuviar a alma, para não ser tarde demais.

Girl in the Clouds disse...

De afcto temos que controlar o que dizemos, tantos os elgios como os insultos!!

A Minha Essência disse...

Eu tenho o dom de conseguir magoar com as palavras. Enfim...

Olívia Palito disse...

Resumindo: muitas vezes devíamos estar calados e falamos, outras devíamos falar e ficamos calados. ;)

hierra disse...

Se n falamos, ficamos consumidos pelas palavras!