quarta-feira, 11 de maio de 2011

Procuras

Há muitas coisas que procuramos, que queremos alcançar, conhecer, saber, tirar partido, usufruir ou viver apenas. Mas em muitos queremo-las não da forma como nos são oferecidas, mas sim da forma como nós gostaríamos que as mesmas fossem, o que tantas vezes contraria a realidade intrínseca às mesmas, realidade essa que queremos ver apenas conforme os nossos olhos e não de acordo com o que realmente é. E eis que se dá a desilusão, o travo amargo de algo que se consome azedo quando se julgava doce. Em alguns casos conseguimos acabar por gostar, mas também há situações, senão mesmo as mais comuns, em que nos vemos forçados a engolir o que queríamos, fazendo força para gostar sem gostar, querendo deitar fora, mas por teimosa ou vergonha não o fazer de imediato e então a vontade degenera na falta da mesma, procurando-se a melhor forma para se sair, para voltar a atrás, para dizer que não, recusar e recuar com ou sem justificação fundamentada, porque esta última acaba por ser o novo desejo que se persegue, mas um desejo sem brilho, apenas uma necessidade de nos impormos a nós mesmos e que tantas vezes acaba por substituir os sonhos que perseguimos.

5 comentários:

PauloSilva disse...

E por vezes, torna-se esse desejo uma necessidade.
Muito bonito, o post.

Utena disse...

E algumas vezes gostamos do que não devemos e damos valor ao que perdemos...
A isso chamamos crescimento
=)

Dança dos Dias disse...

O ser humano é insatisfeito por natureza. Queremos sempre mais e melhor e há coisas que, pura e simplesmente, não estão ao nosso alcance ou nem sequer dependem de nós.
Gostei do texto.
(creio que existe uma pequena gralha na penúltima linha)

Dança dos Dias disse...

A pequena gralha persiste. Eram duas, aliás. Agora ficou apenas uma. Precisamente na mesma linha. Falta aí um "de", não?

GATA disse...

Eu gostava de ser uma mulher rica mas contento-me em ser (é o que dizem!) uma rica mulher! :-)