domingo, 19 de junho de 2011

Directo ou indirecto

Existem várias facetas em mim, a directa correcta, a directa incorrecta e a directa indirecta, isto para no fundo achar que sou directo, mas nem sempre o sou é certo e tantas vezes sou mas escondo que sou, preferindo manter longos silêncios e frases curtas. Sou directo, demasiado directo quando me sinto injustiçado, quando me sinto forçado a sê-lo, quando me sinto a perder algo ou a quere-lo mais que tudo. Contudo ser-se directo não é uma benesse, não é uma virtude, é algo que se tem de controlar, que se tem de distribuir na dose sorte no momento certo sob pena de nos tornarmos demasiado directos e perdermos assim, para a nossa secura e falta de sensibilidade, tudo o que nos rodeia, em particular quem nos rodeia. Existem coisas que se podem dizer, outras que se sabem ou sentem mas têm de ficar dentro de nós, podendo ser proferidas apenas por entrelinhas de uma argumentação difusa e pouco clara, a qual, para se conseguir tecer é preciso paciência, perspicácia, astúcia e até inspiração. Cair no erro de dizermos tudo o que pensamos, mesmo que verdadeiro é dar a comer algo cru, sem tempero, que pode cair bem em algumas ocasiões, mas cai mal na maioria das mesmas, em particular para quem nos ouve.

1 comentário:

Utena disse...

Mas não valerá a pena sermos... não ficaremos mais descansados com a nossa consciência?