quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ser consciente

Entendo-me como ser consciente desde tenra idade, contudo apesar disso muita coisa me escapava, fruto da falta de experiência que somente o tempo pode ensinar. Recordo-me que ainda criança já tinha noção que certos momentos seriam sem dúvida os melhores da minha vida, porque ficavam marcados na minha memória e isso acontecia até antes dos mesmos acontecerem, só por haver a perspectiva de os viver no dia ou dias seguintes e as expectativas nunca saiam defraudadas, corria sempre tudo bem, ou melhor ainda do que se esperava. Isto sucedia porque nunca tive vontade crescer, nunca tive vontade de fazer algumas das coisas que os adultos podiam fazer, vendo sempre os mesmos um pouco como seres de outro planeta, cujo teor das conversas, das aspirações, das acções pouco compreendia. Havia quem, igualmente criança como eu, apenas falasse de ser grande, do bom que iria ser quando fossemos grandes, da liberdade que isso nos iria trazer. Desconfiava, desconfiava sempre, porque para quê querer ser livre, se naquele momento tinha toda a liberdade para ser feliz, e era-o, sem sombra de dúvida, porque não se pensava, vivia-se, o amanhã não interessava, apenas o agora, tudo era simples mesmo quando o mundo era confuso, mas o mundo era meu, porque eu criava o meu mundo e ele era grande, chegava-me, eu moldava-o, sempre a meu gosto. Hoje tenho consciência que sempre fui consciente, mas fosse tão sábio para aproveitar a vida como somente as crianças o conseguem ser, como a criança que já fui.

4 comentários:

Utena disse...

Por isso amo o Peter Pan e a sua capacidade de se manter criança!

hierra disse...

ora nem mais, por isso tenho muitas vezes saudades de ser criança....

A Minha Essência disse...

Todos somos um pouco! :)

Gostei da imagem.

GATA disse...

Eu recordo a minha infância com nostalgia, porque foi a única época em que fui feliz.