quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Chatices e companhia

Não queremos saber porque não nos queremos chatear, porque quando nos chateamos as coisas acontecem, mas custa chatearmo-nos, dá trabalho e já temos tantas chatices daquelas que são mesmo nossas e das quais não podemos escapar. Para além disso há o tempo que dispomos que é sempre pouco para aquilo que gostamos de fazer, por isso economizamos, tentamos gerir e somente as sobras destinamos às chatices, se bem que o tempo que gastamos efectivamente com elas é muito reduzido e acabamos sempre por perder mais tempo a reclamarmos com as chatices que surgem e à espera que as mesmas desapareçam por si do que propriamente a enfrenta-las e a resolve-las. Não nos queremos chatear e por isso procuramos sempre delegar as nossas chatices em quem esteja disposto a resolve-las, a ficar com elas, para que esse, pensamos, chatear-se por nós, mas quem fica com elas não se chateia, não as resolve ou faz desaparecer, pelo contrário, mantém-nas vivas e frescas para que fiquemos sempre dependentes e quando descobrimos isso, resmungamos, esbracejamos, protestamos mas raramente chamamos as chatices novamente a nós, porque não queremos saber e preferimos que alguém se chateie por nós, mesmo que só o faça no papel e com isso acabe por viver uma vida melhor que a nossa, mas ainda assim nós não queremos saber porque não nos estamos para chatear.

3 comentários:

Ana disse...

Não te chateies com isso!

hierra disse...

olha se não se chatear fosse um defeito era um dos meus maiores. De facto odeio chatear-me e odeio discutir...para o evitar até sou cega, surda e muda...mas dp tb tenho o meu limite e uma vez atingido...chateio-me à séria!

Bella disse...

Chatear-mo-nos é uma chatice.

"Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção de alma que nem chegou a falecer."
Mia Couto em Mar me quer

Não te chateies e sê feliz:)