segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Referências


Homens e mulheres têm por hábito definir os seus pares de sonho, para tal usam alguns famosos, porque os famosos são conhecidos por todos e é fácil assim criar uma matriz. Por outro lado e diga-se ao contrário do que se pensa, famosos não são somente aqueles com as medidas perfeitas que aparecem nas revistas cor-de-rosa, mas todos os que pura e simplesmente são conhecidos pelas mais variadas razões, daí que há famosos para todos os gostos. Contudo é normalmente por aqueles que são famosos pela generosidade genética que têm (ou arranjos cirúrgicos) que todos se regulam, com vista a estabelecer um padrão baseado, pois claro, no que consideram a obra-prima! A maioria sabe que isso é apenas uma referência longínqua e impossível de alcançar. Tanto assim é que muitos nunca chegam a alcançar nada porque o que encontram nunca chega aos calcanhares desse molde, não que seja a totalidade, mas sim um conjunto de itens considerados imprescindíveis. Mas depois há aqueles que encontram algo que até supera as expectativas da referência em todos os aspectos, de tal forma que parecem ficar abananados com tanta perfeição, e eis que surge a frase – é perfeito(a) demais! Isto provoca a fuga e a revisão de tudo o que se tinha por verdade, afinal a matriz estava errada e foi tecida apenas para não se obter e tantas vezes isso acontece. Mas voltando aos famosos, alguns são pouco perfeitos até terem alcançado a fama, mas quando atingem esse patamar rapidamente se tornam referências, quando anteriormente ninguém lhes passava cartão. Tudo isto para chegar à conclusão que as referências, sejam elas quais forem são enganadoras e mais enganadoras se tornam quando incarnadas por alguém.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Porque será?


Porque será que aquilo que queremos, aquilo pelo que mais ansiamos, onde se investe a energia dos sonhos, a força do desejo, aquilo pelo que somos capazes de deixar de ser ou tornarmo-nos outro ser ou mais do que já somos, é também aquilo que mais mal nos faz, nos corrói como ácido, nos devora como uma fera, nos magoa como uma queda?
É sabido que existem sempre duas faces numa moeda, duas partes numa equação, mas porque será que estas têm de concorrer uma com a outra sempre no extremo, digladiando-se num luta infinita apenas porque para se atingir uma é preciso passar pela outra?
A sabedoria popular diz que aquilo que mais queremos é aquilo que mais nos faz mal, como se querer fosse mau ou possível de deixar de sentir, quando querer e desejar bem como sonhar é tão natural como respirar, mas o mesmo implica igualmente ter de sofrer de alguma forma a não ser que todo esse querer seja apenas um capricho cuja realização pouco impacto ou mossa tem na nossa vida.
O problema é que existem coisas que não podemos esconder a não ser dos outros, mas de nós nunca, porque batem e rebatem sempre, obrigando-nos a aprender a viver para superar ou somente a sofrer conformados e resignados.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A impaciência e o egoísmo


Não somos pacientes. Queremos tudo e queremos agora, não pode ser depois tem de ser já, em quantidade e qualidade superior, porque à mais pequena imperfeição ou quantidade diminuta esquecemos de imediato ou não continuamos porque outra coisa surge e depressa nos falta a paciência.
Somos egoístas, mas também dependentes, vivendo de um egoísmo que ao invés de nos completar apenas nos incompleta mais, deixando-nos sem sentir, sem sabor, num tormento inaudível que nos torna surdos e mudos. Sabemo-lo, conscientemente, mas não o admitimos e muito menos sabemos lidar com isso, de modo que tudo anda em desequilíbrio longe de purgar essa atitude, essa forma de ser e estar que existe reproduzindo-se, não pelo que nos é ensinado, mas sim pelas experiências que temos ao longo da vida.
O egoísmo e a falta de paciência transformam-nos apenas em meros peões, figuras anónimas no meio da tantas outras que correm à pressa guiadas por uma fome interna que a todos deixa cegas e ásperos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A vaselina


A vaselina é um assunto taboo entre as pessoas. Falam é claro desse produto mas apenas em moldes de malícia. O problema é quando alguém precisa mesmo da vaselina sem ser para efeitos lúdicos. Dizer que se tem o nariz assado e se anda a pôr vaselina dá logo origem a olhares que expressam malandragem e riso gerando-se imediatamente uma ou mais expressões, ditas sempre com um sorriso manhoso, que provoca o descambar de qualquer conversa daí para a frente. Mas na própria farmácia, local supostamente respeitável, ao fazer-se pedido de semelhante produto há sempre um sorriso que se tenta disfarçar exposto na cara da farmacêutica ou da velhota que por lá pára (sim que nas farmácias há sempre uma velhota, sempre!!!), isto sem contar com o ar desolado de quem solicita que fica sempre com aquela cara-devia-se-abrir-já-aqui-um-buraco-para-eu-me-enfiar!
[Hmm, agora reparo que não deveria ter usado as palavras “buraco” e “enfiar” num texto sobre vaselina…raios!]

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Divagação


Não há mas já houve, mas mesmo quando houve não foi garantia de nada a não ser do sofrimento por não se saber chegar e digerir. Mas quando não há, há um vazio, uma secura, um vácuo que parece aspirar de nós o ar deixando-nos vazios. Haver não significa melhor, não significa remédio nem solução, mas sim um objectivo que pode não ser definitivo mas é sempre um ponto de partida para nos arrastar num misto de contradições, ora vivos demais por sentir, ora desejos de morrer por sentir. É difícil encontrar, mas mais difícil ainda resumir, concluir, chegar ao fim e sintetizar. Um ponto de partida é apenas isso porque não define a chegada, porque se pode ter de percorrer apenas mais um caminho para nada, pelo qual se derrama suor e lágrimas que são alimentadas pela combustão das nossas emoções, para no fim se encontrar apenas um deserto e dentro de nós nada sobrou para consumir

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Erro crasso #2


Procurar no exterior a solução para aquilo que temos de resolver no interior.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Obstinado


Dizem que sou. Mas esquecem-se ou ignoram que é algo de curto prazo, momentâneo e que não acontece sempre ou em relação a tudo ao mesmo tempo, podendo-se traduzir umas vezes em algo positivo e noutras em algo negativo. Porque em muitos casos a determinação acaba em inflexibilidade fechando-se assim a janela de manobra necessária para compreender e ver tantas outras coisas ao mesmo tempo que sem persistência e firmeza não é possível alcançar tantas mais, pois a mesma falta ou falha nos momentos em que deveria estar marcadamente presente

sábado, 22 de janeiro de 2011

...


Perco-me demasiado. Nos meus pensamentos, nos pensamentos dos outros, nos caminhos que percorro voluntária ou involuntariamente, nas coisas que digo, faço ou quero fazer e dizer. Perco-me e nem sempre encontro o caminho de volta, ou um caminho sequer.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Constatação #13


Há quem sofra pelo que já viveu e há quem sofra pelo que ainda não viveu.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Caminhos e atalhos


Quando se escolhe um caminho escolhe-se o destino para onde vamos, mas por vezes caímos no engano de pensar que esse caminho nos possa levar a outro sítio qualquer, levando à descoberta de algo novo durante o percurso, o que até pode acontecer para nosso jubilo. Contudo nós continuamos a seguir o trajecto definido à partida, o qual nos leva, por mais atrasos ou percalços, sempre aonde pretendíamos ir no início. Desta forma os atalhos, por onde nos aventuramos por vezes, julgando que os mesmos nos possam levar para algum lugar mais apetecível, acabam por ser isso mesmo, contratempos e acidentes de percurso que em nada mudam a nossa viagem.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Felizes e infelizes


Dizer que somos felizes não é fácil. Há um certo temor que pronunciar tais palavras é deixar a felicidade escapar por entre o sopro das mesmas, ou então que o mesmo acto seja como que um aviso às forças malignas, que nos identificam rapidamente caindo sobre nós com um aparelho extractor que suga de nós toda e qualquer felicidade existente, deixando no seu lugar o vazio da infelicidade. Assim dizemos que somos felizes, não directamente, mas por indirectas e são corajosos aqueles que o dizem abertamente e sem rodeios.
Dizer que somos infelizes não é fácil. Fica mal porque se espera que nunca pronunciemos tais palavras. Porque dize-lo pode atrair ainda mais infelicidade e o que é negativo é como uma doença que se pode propagar aos outros e contamina-los, daí que seja um motivo para afastar de nós todos os que nos rodeiam, porque acham que devido a isso queremos o mal global, queremos a vingança, pois seremos portadores de uma amargura que só pode ser saciada quando se atingem os que nos rodeiam, que julgam à partida que os culpamos a eles por tal sentimento.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Não, parece que não é pelo nariz!


Ouvi dizer que algumas mulheres seleccionam os homens, imagine-se, pelo tamanho das orelhas. Ao que parece as mesmas estabeleceram uma relação entre o órgão exterior auditivo e o tamanho do dito cujo. Ao pensar sobre a dita questão penso que cheguei à origem de tal conclusão: Qual é o animal com orelhas maiores? O burro. Ora se tem umas orelhas de burro terá…
[Agora percebo porque é que há tipos que andam sempre de chapéu ou gorro e outros metem-lhes argolas enormes…]

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Paralelos sem paralelo


À cerca de um ano atrás só se falava em gripe A e pandemias e do medo das pandemias e do problema das doenças e de como no decurso da história os vírus tinham atacado o homem com resultados catastróficos para a humanidade e de sucesso para as enfermidades…
Hoje só se fala em crise, economia, crise económica, política económica, recessão, revoltas, subidas de preços e desemprego, descidas de nível de vida e de como os políticos roubam, roubaram, corromperam, corrompem, do sucesso dos gestores públicos que ganham milhões e dos resultados catastróficos das políticas de endividamento que põem em evidência a má gestão perpetrada por protagonistas que se mantêm e lutam na arena sem ar de culpa ou vergonha...
Há um ano muita gente aprendeu a lavar as mãos e lava-se as mãos várias vezes ao dia, hoje já toda a gente esqueceu isso.

domingo, 16 de janeiro de 2011

...


Aquilo que é importante não é o que me lembro ou sei, mas sim o que não sei ou me esqueço.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Constatação #12


Todas as histórias têm dois lados, mas a verdade essa permanece apenas de um dos mesmos, sendo no entanto sempre e só uma. Assim sendo a verdade pode não pertencer a nenhum dos lados, mas sim a outro que se desconhece ou omite de propósito.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fórmula divergente


Tudo de muito bom e muito mau acontece sempre quando menos esperamos.
Desta forma o acaso deseja-se e teme-se.
E isto só prova o quanto a vida é contraditória.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Dos problemas


Os problemas existem, sempre para nossa infelicidade. Se não aparecem de lado, rapidamente aparecem do outro. Ao resolver-se um, ficam sempre outros em espera. Para uns há solução, para outros não. Os problemas podem ser muitos e pesam, poucos e parecem muitos, profundos ou leves, com várias características, formas e modalidades, mas têm sempre o mesmo objectivo, moerem-nos o juízo, muito, pouco, assim-assim, desaparecendo ou ficando sempre a martelar. Mas os piores problemas são aqueles que só se sentem, que não se materializam num conceito ou substância, não se compreendendo bem o que são, sabendo-se apenas que há um problema qualquer e isso por si só já constitui um problema que dá pano para mangas!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sabedoria popular


Mais vale ter um pássaro na mão do que dois a voar, diz a sabedoria popular a respeito do ter e não ter, ou seja, mais vale ter algo pouco que seja do que almejar por muito para nada se ter. Contudo para se ter algo, mesmo pouco que seja é preciso por vezes saltar um pouco mais alto do que se costuma, ser corajoso, ter alguma ambição, dar resposta ao desafio, porque de outra forma as coisas não caem do céu e mesmo aquilo que parece abundar torna-se escasso na hora de agarrar, por vezes raro, tão raro que podemos passar uma vida sem o ter ainda que esteja dentro das nossas possibilidades alcança-lo. Mas para que assim seja, mesmo que alcançável e objectivo, é preciso existir para que se possa obter, é preciso que tenha alguma substância definida para que se possa segurar, mas sobretudo é necessária a vontade e a certeza de o fazer, sem cair nos rodeios da dúvida e da incerteza que tanta vez nos ilude e faz com que nem um pássaro na mão possamos ter, quanto mais ver dois a voar.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Da amargura

A amargura é essa substância de baixo ph que se infiltra em nós deixando-nos após corroer todo o nosso interior, a nossa substância, deixando-nos quase vazios, ocos e com um sabor metálico na nossa boca. A amargura é a Némesis que nos devora como uma tortura silenciosa contra a qual não sabemos lutar, a qual vai crescendo pouco a pouco com a finalidade de nos tomar por completo terminando somente quando já nada mais há para consumir, quando a única coisa que falta devorar é ela própria, sendo que é nesse momento que podemos começar a ter novamente esperança.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Constatação #11


Olhar para os outros e ver as figuras ridículas que por vezes fazem é fácil. Difícil é imaginarmos um espelho à nossa frente para vermos as figuras ridículas que nós próprios fazemos e nem damos conta.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Continuidades


A vida é feita de altos e baixos, mas também de continuidades e estas últimas são talvez aquilo que mais perdura, muito embora por vezes o esqueçamos confundindo-a com um desses vértices que positivamente ou negativamente acabam por transformar toda a nossa memória e distorce-la, alterando a visão do nosso passado e resumindo-o apenas aos seus pontos críticos quando o mesmo foi muita mais do que isso, porque as continuidades têm dentro de si mais do que aquilo que parecem conter, mas em tantas ocasiões optamos pelo fácil e visível e esquecemos o difícil e invisível.

sábado, 8 de janeiro de 2011

...


Há dias em que sinto-me cheio de vazio...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Somatório


O somatório de duas coisas boas nem sempre se traduz num resultado positivo e aumentado, pois o mesmo leva por vezes à diluição daquilo que por si só já era bom, transformando-se esse algo noutra coisa que, apesar de ser mais, acaba por ser menos. Existem coisas que para serem o que são não precisam de adições ou misturas com outras semelhantes, basta que sejam apenas e só, sem corantes nem conservante, sem mais nem menos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Do limite


Porque será que é na despedida que temos vontade ficar? Porque será que quando se precipita o fim da conversa surgem os verdadeiros temas de interesse? Porque será que é no termo iminente que encontramos as respostas, a inspiração, todo um conjunto de coisas que não nos lembramos no durante, criando aquela vontade de querer prolongar mais, de querer fazer durar? Porque será que só quando se encontra a resposta, a mesma já não serve porque se deixou escapar a oportunidade? Porque será que quando temos o tempo ao nosso dispor, o momento destinado para o efeito nunca o conseguimos aproveitar em pleno e somente no seu término toda a vontade de o aproveitar convenientemente surge, sendo sempre demasiado finita e como tal tanto fica por fazer e dizer? Porque será que aquilo que é bom dura tão pouco e surge no limite e o que é mau dura tanto e permanece na amplitude mais longa?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aquilo que mais me irrita...


...é perceber que por mais que o tempo passe, que por mais que algumas coisas se alterem ou parecem estar a mudar, eu permaneço sempre na mesma...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Do ser


Até se pode vestir aquilo que não se é, mas rapidamente é-se apanhado, desmascarado, nem que seja pelo desconforto que outra pele nos provoca. Podemos enganar-nos, mas também nos podemos equivocar, quando num momento somos algo que gostamos de ser, apenas porque sentimos do fundo do nosso espírito que o somos realmente, e somos, mas não sempre, nem somente isso. Somos mais, o bom, o mau, momentos inspirados raros que contrastam com os momentos menos inspirados de quase sempre, traduzindo-se a mistura num aguardar constante por algo que não controlamos, por esses ensejos que parecem ser o pico da nossa existência, sem sabermos de onde, o quando e como vão surgir novamente para nos animarem os nossos dias que se pautam por uma existência resignada à espera constante. Então ansiosos que estamos, queremos recria-los, usa-los de forma artificial, imitando-nos a nós próprios, baseados numa memória e não no pulsar interior e verdadeiro. E nesses momentos surge o arrependimento e a incompreensão na nossa própria consciência que não percebe porque algumas coisas, mesmo que nossas não se podem controlar ou acender quando queremos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

...


No que toca a sentimentos, as incertezas são quase sempre certezas de que se sente algo e maiores se tornam quando o negamos objectivamente.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Porta


A vida é por vezes uma porta que se abre, outra que se fecha, ou simplesmente uma espera perante uma porta que não se abre ou nunca se fecha.