quinta-feira, 31 de março de 2011

Impossível

Ninguém acredita nos impossíveis exactamente por serem impossíveis, mas o certo é que apesar disso muitos perseguem-no, mesmo sabendo tratar-se de algo impossível, julgando assim ser possível contrariar a essência da impossibilidade e obter desse modo o maior prémio que é o de atingir o impossível. No entanto muitos outros tentam alcança-lo, sem saberem que o fazem, chegando mesmo a nega-lo e tantos assim se iludem, perseguindo o impossível julgando que perseguem o possível. Mas mais difícil que alguém perseguir o impossível é convencer outro a faze-lo também, isto porque por vezes, conseguir colocar alguém do nosso lado para ir atrás do impossível é, por si só, alcançar o próprio impossível.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Determinismos de uma sorte atribulada

Ontem, de manhã, encontrei no chão uma moeda de um cêntimo. Protestei mentalmente sobre a minha sorte e deixei-a no mesmo sítio. Depois, de tarde, noutro lugar completamente diferente, dei de caras com outra moeda de um cêntimo no chão. Pensei novamente que raio de sorte a minha, mas desta vez apanhei-a e guardei-a na carteira. A sorte podia-me reservar uma nota de vintes euros, ou de dez, ou de cinco, ou até uma moeda de dois euros, de um euro, ou cinquenta cêntimos, já nem peço uma notas de cinquenta, de cem, duzentos ou quinhentos euros. Mas não. Reserva-me apenas moedas de um cêntimo e seguindo o provérbio popular mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, acho que se  encontrar uma moeda de um cêntimo novamente virá parar directamente à minha carteira sem hesitações,  ao que parece é a única sorte a que tenho direito nessa matéria!

terça-feira, 29 de março de 2011

Diferenças entre homens e mulheres #5

A medida de um volume obtêm-se somando a largura x altura x profundidade. Se nenhum destes parâmetros se alterar o volume vai ser sempre igual. No entanto um dado volume para um homem chega perfeitamente e é até grande. Para uma mulher o mesmo volume é pequeno nunca chega para o suficiente. Ou seja, devido a isso o volume, um valor concreto, acaba por se relactivo!

[Só para sossegar as mentes depravadas, no caso em apreço falo do volume de uma mala de viagem e não do que quer que estejam a imaginar!]

segunda-feira, 28 de março de 2011

O admirável mundo novo

Afirmam os pais e avôs que dantes não era assim. A beleza feminina não andava tão visível, havia, mas estava mais camuflada, por entre olhares, por trás de gestos, num jogo envergonhado vigiado severamente pela sociedade que facilmente rotulava e colocava de parte quem rasgava as tradições vestindo-se ou agindo em independência pensada ou correndo apenas atrás da mais reles tontaria. Na maior parte dos casos ao tomar esse caminho, a mulher é que perdia, a mulher é que era ostracizada, daí que poucas se mostrassem e as que faziam só tinham sorte se o fizessem perante alguém que realmente gostava delas e assumisse toda uma relação que iria ser futuramente firmada. Afirmam os pais e avôs que agora é mais fácil, a igualdade é praticamente plena, não há barreiras para uma conversa de qualquer tipo, trivial ou não, mas no fundo o modo como eles pensam deve-se apenas a manterem uma mentalidade de outrora, em que o simples facto de se poderem aproximar sem terem de pedir alguma coisa aos progenitores das candidatas, ultrapassado esse obstáculo tudo seria deles, abrir-se-iam de par em par as portas do paraíso. Talvez por isso estejam enganados, talvez por isso se os trouxéssemos do passado, dentro do vigor da sua juventude e os expusemos aos dias de hoje, a maioria não saberia o que fazer, sem barreiras chegariam lá, mas encontrariam outra barreira, outra muito mais forte do que qualquer sociedade imporia, a barreira de uma personalidade vincada, a qual, apesar de aparentar provocar mais do que eles alguma foram provocados, acaba por tecer a escolha, sem outros intervenientes, sem se deixar ir em conversas ou falinhas mansas, não dando qualquer tipo de valor a quem, como eles, ultrapassaram a barreira do chegar perto, do dizer uma palavra porque isso mais não é do que trivial. Acredito que esses homens do passado recente, que tanto choram por não viverem neste tempo, por julgarem que os mancebos de hoje são uns encolhidos iriam ser apenas mais uns, ou pior, ainda se sentiriam mais desenquadrados e quiçá deslumbrados com um admirável mundo novo, que apenas é uma ilusão para quem não o vê, vivendo somente do que julga que ele pode ser.

domingo, 27 de março de 2011

Cinquenta mil quilómetros


A Cláudia Neves do blog Evil Yuna ofereceu-me este selo e fico desde já muito agradecido pelo mesmo. É preciso responder o que me faz correr cinquenta mil quilómetros.

R: Vejamos, pode ser muita coisa, o autocarro quando só há outro dali a uma eternidade.  As mulheres de bigode e que não tomam banho. Os problemas, mas o raio dos problemas por vezes conseguem apanhar-me! Mas acima de tudo corro cinquenta mil quilómetros se tenho esperança que no fim de tal tarefa tenho a felicidade à minha espera.

Passo o selo e a pergunta a todos os que quiserem o levar e responder.

sábado, 26 de março de 2011

Das oportunidades

Dizem que as oportunidades estão ali à nossa beira, por detrás de cada porta que abrimos, que surgem do nada, que basta um olhar, um gesto, algo que permita a concretização das mesmas. Deste modo, o problema coloca-se não na oferta mas sim no facto de não sabermos perceber, ver ou aproveitar as mesmas. Para tal é preciso atenção, é preciso audácia e argúcia para que uma oportunidade, qual semente que se expõe à nossa frente, possa ser colhida, tratada e assim crescer para nosso beneficio. Contudo mesmo quando se encontra, quando se vê, quando se percebe algo, é preciso aquele ímpeto do momento, a palavra dentro do contexto, aproveitar o take oportuno em que se diz “acção”, mas não para actuar, não para fingir, mas agir com total serenidade, com toda a confiança e naturalidade, improvisando um guião perfeito. De outra forma, podemos ser mestres em encontrar, mas sem saber agir em conformidade de pouco servem as oportunidades, venham elas de onde vieram, camufladas ou não.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Da presunção

Só se é bom em algo, só se é imprescindível e único quando são os outros e não nós a dize-lo. Contudo podemos ter alguma consciência disso, mas se o anunciamos, se o achamos de forma peremptória, acabamos por parecer ou ser  presunçosos, arrogantes e sobretudo acabamos por nos enganar a nós próprios. Porque no meio de tanta "perfeição" consciente arrastamo-nos indubitavelmente para a imperfeição e para o desiquílibrio enquanto seres humanos que somos e como tal, perfeitamente imperfeitos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Aceitar

Aceitar a mudança, o fim ou o início é difícil, mais ainda mais quando não o esperamos, ou esperamos mas só o aceitamos conscientemente, mas não inconscientemente, como se algo estivesse cá dentro a contrariar aquilo que há muito a razão já percebeu. Aceitar traduz-se muitas vezes numa recusa ilógica, num grito de raiva e revolta, que como um último suspiro parece emanar de nós, como que a irradiar o pouco que restava e estava escondido no nosso interior. Aceitar é a razão das coisas, da vida, algo que se tem de fazer, de viver com, para não se sucumbir à loucura ou à ilusão que tantas vezes nos contamina. Aceitar é esse lamento longo que carrega o desanimo, o olhar que baixa e parece ficar cego, é o apetite que falta e a vontade que agonia. Aceitar é também superar, mas nem sempre nos convencemos que o conseguimos fazer ou se o vamos ser capazes de fazer.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Da sorte


Há aqueles que têm sorte, outros que a tentam fabricar e depois há os outros, os que nunca conseguem ter, encontrar, fabricar ou serem bafejados pelo acaso da sorte. Mas também existe ainda uma minoria, aquela que não acredita na sorte, nos acasos, não a encontra, não a quer encontrar, não pensa na mesma, nem faz conta com ela mesmo e quando esbarra com a mesma ignora-a, percorrendo a vida sempre em linha recta, sem desvios, acabando por não provar o sabor que a própria vida oferece.

terça-feira, 22 de março de 2011

As grandes paixões

As grandes paixões não se esquecem, não se apagam, permanecem dentro de nós alterando-se apenas, substituídas por outras, servindo para nos mudar, seja para melhor, seja para pior, mantendo o seu âmago, a sua energia, tornando-se parte uma parte do nosso interior que muitas vezes parece ser pouco definida, embora seja concretamente silenciosa. Elas resistem na nossa memória, mas por vezes escondam-se, seja por nossa vontade, seja de forma inconsciente, permanecendo camufladas, surgindo em pequenos gestos que mudam devido ao toque, imperceptíveis aos outros e sobretudo a nós próprios.
As grandes paixões marcam-nos antes e depois, diferenciam uma era, criam a transição e embora por fora possamos ser os mesmos, por dentro alteramo-nos sob a maré de escombros que se origina com o seu impacto, restando depois saber se o que fica serve para construir algo ou somente para nos pressionar e esmagar com o seu peso.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Objectivos

Por vezes parece que andamos nesta vida para perseguir um objectivo definido. Algo que procuramos de forma consciente ou inconsciente, encontrando-se presente em praticamente todos os nossos passos, nas nossas decisões, sejam elas pequenas ou grandes. Determinado de modo encoberto, transforma-se na confusão diária que reside na nossa cabeça, que levanta todos os porquês, quando queremos perceber a razão de certas atitudes que tomamos, a razão pela qual tendemos a agir de uma forma que parece predeterminada, onde todo o universo, seja por linhas tortas ou direitas parece conduzir-nos. Nós, condutores que somos, continuamos, de olhos abertos ou fechados, a percorrer uma caminho, mas tendo o poder de escolha da mesma, já o destino a que nos conduz, pode ser o que não esperamos, pode ser o que sentimos apenas ou aquilo que sempre sonhamos, ou outra coisa num mar aberto de opções. Se chegamos lá, raramente. Se o queremos atingir, muito. Porquê? Porque de outra forma a vida perderia todo o sentido, até mesmo quando o sentido da mesma é totalmente indefinido.

sábado, 19 de março de 2011

Coisas em que sou básico


Diz-me um amigo:
- Eu só como bem quando tenho prazer a comer!
...
[E eu que pensava que para se comer bem era só preciso ter fome!]

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fazer

Existem muitas coisas que já pensei fazer, muitas que já fiz e tantas mais que desconheço e ainda irei fazer. Outras há que nunca quis fazer, não quero e tentarei não fazer, embora muitas vezes as tenha de fazer e certamente no futuro muitas vou ter que fazer, mesmo assim, contrariado, porque embora possamos controlar muito do que fazemos, há também muito que somos obrigados a fazer, seja por força das circunstâncias, seja porque as vontades se alteram.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Constatação #17

Queremos sempre tudo, mundos e fundos, mas acabamos sempre por perceber que basta tão pouco para nos sentirmos felizes.  

quarta-feira, 16 de março de 2011

Miragem

De pouco serve ter um plano, um objectivo, definir um fim quando não há vontade para concretizar, para prosseguir, nascendo tal da necessidade de fugir de forma incompleta da solidão, do aborrecimento, da letargia que se apoderam de nós nos momentos difusos, pouco definidos. Quando buscamos algo nesses termos o que queremos é sentir a capacidade de voltar e ser, de conquistar a vontade, mas para tal é preciso mais do que teorizar uma acção concreta, antes temos de nos redescobrir, de nos encontrar para  trazer de volta a nossa essência e isso carece de tempo, de ponderação, pelo que fugir tentando ir contra o que sentimos mais não é que perder o rumo no deserto e em vez de caminharmos para um oásis, perseguimos uma miragem.

terça-feira, 15 de março de 2011

...

A questão muitas vezes não é poder ou não se poder fazer algo, mas sim saber ou não saber fazer algo, sendo que essa capacidade está presente tanto na duração do processo como também no sucesso a que eventualmente a acção possa conduzir. Isto porque quando o resultado é incerto ou mesmo uma derrota, há desde logo uma barragem para nos impedir de nos aventurarmos no processo. Contudo, quando se quer muito algo, mesmo sem se saber qual vai ser o desfecho, se ele vai ser positivo ou negativo, e mesmo sem saber bem o que fazer para o atingir, dizem que o espírito humano é prodigioso e contra todas a probabilidades inventa e reinventa-se se necessário. Mas no meio de tanta incerteza, de tantos destroços e experiências falhadas, receio que o espírito humano se tenha tornado cada vez mais cauteloso ou mesmo inerte, apenas aspirando à ilusão e atrás dela ao sabor agridoce da consternação.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Pontas soltas


Deixamos ao longo da vida muitas pontas soltas. Umas vezes porque queremos, outras porque os acontecimentos acabam por levar-nos ao seu fabrico. Pontas soltas são as palavras que não se dizem, ou deviam ter sido ditas, as coisas que eram para ter sido feitas e não foram, desejos incumpridos, vontades que ficaram nossos reféns, silêncios profundos e palavras curtas que padeciam de companhia de outras. Tudo somado traduz-se num rasto enorme que se projecta no caminho que percorremos. As pontas soltas deviam-se auto-extinguir, deviam-se autodestruir, apodrecer por si mesmas como qualquer matéria orgânica na natureza. Em alguns casos isso acontece, mas noutros não, ficando ali, espreitando para nos atormentarem todos os dias ou então hibernam, mantém-se estáticas aguardando um momento para nos surpreender. As pontas soltas acabam em certos casos por se reproduzir, por se transformar, unindo-se entre elas, gerando uma forca que nos asfixia, evocando tanto o que se deixou para trás como o que se esqueceu e de onde se tentou fugir mas não se conseguiu.

domingo, 13 de março de 2011

O estado amorfo do noivado


Nunca entendi muito bem a razão de ser do “noivado”. Compreendo que uns dias ou semanas antes de um casamento se passem a chamar noivos aos até então namorados, contudo quando os mesmos são noivos por uma eternidade (e eternidade para mim é tudo o que é superior a três meses) já me causa imensa confusão. Tanto mais que esse estado é em bom rigor uma transição e não um dado adquirido, está-se no meio do caminho entre uma relação e a oficialização civil da mesma e bem se sabe que estar no meio da estrada é uma boa justificação para levar uma panada. Isto porque há noivados que duram não meses, mas anos, como se isso fosse uma garantia mais definida como se houvesse uma suposta subida de nível, um upgrade, de namorado(a) para noivo(a), sem esquecer de todo o negócio de anéis e jóias que rodeiam a transição da fase que como tal rejubilam sempre que a mesma é oficializada. Mas porque não ultrapassar este estádio? Porque não passar de casal de namorados a casal civilmente reconhecido? Porque passar primeiro pelo estado de noivo? E acima de tudo para que é que ele serve quando de estádio de passagem acaba muitas vezes por ser mais um estádio de chegada que se mantém por longos tempos, durante o qual a garantia do seu propósito acaba muitas vezes por se esvanecer mais rápido que toda uma relação de namoro. Se me disserem que um casal de noivos se pode traduzir por um casal de namorados que têm uma coisa séria posso aceitar, mas aceito mais facilmente que um casal casado é, isso sim, um casal de namorados com uma coisa séria cujo conteúdo até foi reconhecido à luz da lei, se bem que aqueles que fogem a esse padrão, que vivem somente justos possuem também algo sério e reconhecido legalmente. Já os que são só noivos, são somente isso, noivos, nem larva ou borboleta, apenas crisálida.

sábado, 12 de março de 2011

Geração à Rasca


Antigamente havia a "Geração Rasca", termo simpático atribuído pelos nossos políticos a uma juventude que não respeitava as normas instituídas num país ainda cheio de muita moral e bons costumes. Para os que mandavam essa geração mais não era que um bando de maltrapilhos que faziam ruído que soava pouco alto junto dos mesmos. O problema dessa geração rasca é que muitos se politizaram, entregaram-se voluntariamente ou foram mesmo requisitados para as fileiras partidárias que aproveitaram a sua energia para se fortalecerem e assim muitos desenrascaram-se sendo possível vê-los escondidos em bons empregos, onde ninguém sabe o que fazem. Como esta geração muitas outras, anteriores e posteriores, encontram-se assim, com bons ordenados, com bons carros, vivendo à custa do Estado, tendo como única obrigação pagar as cotas do partido e estar sempre do seu lado para fazer o trabalho sujo deste.
Hoje diz-se que uma nova geração acordou, mas na verdade ela não é nova nem é uma geração. São várias, misturadas e não se traduz apenas numa faixa etária determinada, estendendo-se antes às demais, àquelas que sempre estiveram na mó de baixo, que batalharam e continuam a batalhar, que querem produzir e lutaram seja pelo esforço do trabalho ou do estudo para o fazer, mas viram-se impedidas por toda um sistema corrupto que cria barreiras com a finalidade de proteger os seus infantes, os seus príncipes que mais não são do que uma praga de gafanhotos que se escondem sob a capa da Democracia, mas que toda a gente já percebeu tratar-se afinal de uma Corruptocracia, onde a cunha vale mais do que um diploma, onde a incompetência é normal tal como é normal a normalidade ser podre, desigual e injusta para todos. Os factos de hoje não são estranhos ao passado, as palavras de ordem também não, contudo a diferença é que os intervenientes são mais e estão dispostos a riscar do mapa o poder institucionalizado por esses centros de emprego e distribuição de dinheiro que são os Partidos Políticos, restando saber se o conseguem fazer ou apenas se vão deixar engolir por um monstro que tudo devorou durante décadas. Não sei se esta geração à rasca, mesmo consciente, terá capacidade de mudar as coisas, mas tenho esperança que pelo menos possa abalar o sistema. As consequências da sua acção está dependente de até onde pretendem ir e dos motivos que os levam a fazerem-se ouvir e mostrar, se o fazem porque acreditam num futuro melhor ou simplesmente porque deixaram de acreditar em tudo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Constatação #16


A vida por vezes parece ser apenas algo que se soma e subtrai continuamente. Aos nossos olhos o resultado parece, deste modo, estar sempre inalterado e estático ou em alguns momentos tendencialmente negativo, mas talvez o mesmo seja mais positivo do que possamos julgar.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Da espera


O problema de estar sempre à espera apenas serve para nos provocar angústia. Contudo não podemos fazer outra coisa senão esperar, porque existem coisas que só acontecem com o tempo e como tal resta-nos aguardar com uma paciência que não se tem ou se evapora rapidamente. Estar à espera é ouvir constantemente o tic-tac de um relógio que não pára e lentamente o tempo vai passando, eis que então esperar torna-se num desespero que nos invade com as suas vestes negras, algo cósmico que nos ultrapassa grandemente fazendo-nos sentir tão pequenos e fracos perante a imensidão de algo que não podemos controlar. Podíamos deixar de esperar, de esquecer a espera, mas isso seria apenas uma forma de tentar enganar, trocar as voltas, a algo que no fundo, associado à esperança, está sempre cá, queimando por dentro e que não podemos esquecer ou fazer de conta que não nos preocupa.

terça-feira, 8 de março de 2011

Tempo e fases


Embora o desenrolar da nossa existência se possa processar sem sobressaltos de maior, sempre no mesmo marasmo rotineiro, surgem fases que se alternam entre si de modo abrupto. Num momento mal arranjamos tempo para o que quer que seja e quando terminamos algo logo outra coisa sucede sem que haja tempo para pensar. Noutro continuamos a ter demasiadas coisas para fazer, algumas mesmo inventadas na outra fase para dar resposta à necessidade de mexer continuamente, mas vontade e apetite para as mesmas parece ter-se entretanto extinguido, assim do nada, subitamente e o tempo passa devagar e sem graça, sem ser aproveitado, onde a fraqueza parece apoderar-se de nós, ao mesmo tempo que pensamos em demasia sobre tudo e sobre nada, queremos sair mas parece que nos afundamos ainda mais e de súbito voltamos ao outrora, sem saber como, apenas porque sim, como se o ontem fosse há demasiado tempo para nos lembrarmos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dos decotes


Muito já se disse, escreveu ou mostrou acerca dos decotes (e mostrar aqui roça o literal!). Os decotes são para algumas mulheres uma forma de afirmação, de mostrar auto-confiança, algumas conseguem/sabem usa-los, outras não, pelo menos é isso que capto em determinados círculos. Outras dirão que é porque acham que lhes fica bem, que não é para os homens mas sim para elas. Aceito, mas não consigo deixar de pensar que esse gesto carrega em si uma forma inconsciente com a qual se pretende atrair o sexo oposto. Contrariando isso poder-se-á dizer que o decote já caiu na generalização, no entanto um decote é um decote e nunca passa despercebido (pelo menos para grande maioria dos homens) ainda mais quando a pessoa em causa raramente é vista com tal indumentária ou a mesma lhe assenta muito bem. Por exemplo aqueles vestidos (de gala) onde a juntar ao decote dianteiro há o decote traseiro (mostrando boa parte das costas até ao fim das mesmas) e eis que todos olham para o dito “modelo” e dizem que “bonita” que está a sua portadora. Se esse elogio partir das mulheres, desconfio que há no meio muitas que carregam semelhante enaltecimento com uma grande carga de inveja. Se o panegírico partir de um homem, bem bonita sim senhor, mas o que realmente pensam é: - Uau! Rasgava-te esse vestido e comia-te toda já aqui! (Isto sem esquecer aqueles que não falam e só se babam!) Mas nem é preciso ir tão longe, basta um decote simples do dia-a-dia para despertar semelhantes pensamentos, desejos ou invejas. De facto um decote funciona num homem como um íman para os olhos do mesmo, dificilmente se consegue evitar olhar. Tenta-se disfarçar, aproveitar quando ninguém está a “ver” para se dar uma rápida olhada. Depois há a reacção ou não reacção. A reacção parte da mulher que não se sente à vontade com o decote, ou então daquela que está confortável mas dá o toque de aviso quando quem olha se esquece do jogo da subtileza e é apanhado com os olhos caídos mais do que dois segundos no agradável cenário. Já aquelas que sofrem da não reacção fazem o oposto, quase que metem o decote pelos olhos dos homens a dentro, falam, olhando para todo o lado, evitando assim o rosto do espectador para que este possa olhar (e babar-se) sem restrições. Para muitos homens um decote pronunciado é uma porta para a perdição, mas para muitas mulheres é uma forma de se mostrarem, mas muitas não sabem depois lidar com isso, ao passo que outras sabem, até bem demais!

domingo, 6 de março de 2011

Sofrer


Sofrer por algo em concreto pode ser inspirador e profícuo. Sofrer pelo concreto do nada serve apenas para nos inspirar a tristeza e sobretudo o vazio na sua total plenitude.

sábado, 5 de março de 2011

7 coisas


A Blair Randall ofereceu-me este selo o qual muito agradeço. Com o mesmo há um desafio, contar 7 coisas sobre mim. Pois aqui vai:

1 – Gosto de ler, mas tenho fases para o fazer;
2 – Tenho mau acordar e sou rabugento até “acordar”;
3 – Quando posso durmo por este mundo e o outro;
4 – Não gosto de futebol, aborrece-me;
5 – Gosto de cinema, teatro nem tanto;
6 – Odeio matemática e tudo o que sejam problemas abstractos;
7 – Nem sempre faço e digo as coisas acertadas, tento melhorar, mas acho que serei assim para sempre.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Distâncias


Há aqueles que entendem a lógica e aqueles que a sentem. Embora ambos tratem da mesma coisa, fazem-no de forma diferente e como tal a distância entre os mesmos é enorme, porque quem sente a lógica não a entende e quem a entende não a sente.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Dizer


Dizer que se gosta de alguém é complicado. Complicado porque não se pode dizer assim, a cru, a frio, de rajada, porque tal perde toda a poética bem como toda e qualquer magia, simplesmente porque se algo é dito assim perde a credibilidade e mais parece que se está a recitar de um livro qualquer uma fórmula muito usada. Não que algumas frases não sejam adequadas, mas a forma como elas são colocadas, a quantidade das mesmas utilizada e todo o resto que faz a ocasião conta. Infelizmente nem todos são poetas e muito menos magicos, nem todos estão inspirados ou conseguem produzir um momento em que, qualquer coisa que se diga, mesmo que simples e directa, seja aceite pela outra parte. Há um momento e uma forma para se fazer tudo mas também um caminho que se constroi. A forma não se deve aprender mas sim sentir e por vezes sente-se mas não se sabe explicar bem o quê, já o momento e o caminho são são mais complicados de encontrar e construir, mesmo quando o sentimento é genuíno, de tal forma que gera a atrapalhação, daí que muitos se precipitem alienados que estão por julgarem que nunca mais vão obter outra oportunidade e no desespero, ainda no inicio do caminho, acabam por proferir frases feitas por não saberem ou conseguirem outras pronunciar, perdendo assim a ocasião e fechando o caminho para nunca mais o conseguirem recuperar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Consumos


Existem muitas coisas em saldo, em promoção e com desconto. Fazem-se campanhas, renovam-se colecções, apela-se ao consumo oferecendo-se a ilusão do sucesso, da felicidade e do preenchimento. Mas há outras coisas que estão sempre do outro lado da montra, atrás de um vidro frio e transparente que nos mostra aquilo que apenas podemos ficar a olhar, porque nem tudo o vil metal compra ao mesmo tempo que há tanto que gostaríamos de ter e não podemos, restando-nos ver e suspirar.

terça-feira, 1 de março de 2011

A batota da preguiça


Cheira-me que isto dos Óscares mete batota e muita preguiça. Quando a maioria dos filmes nomeados para a categoria de melhor filme de 2010, ou mesmo para outras categorias, estrearam justamente no fim do mesmo ano, começo a achar que os júris da Academia não estiveram para se dar ao trabalho de ver cinema e tirar notas o ano todo. É claro que há excepções, mas poucas, muitos estiveram nomeados, mas os mais fortes candidatos estrearam no mês de Dezembro! É estranho que os realizadores e produtores guardem as estreias das obras-primas para o mês de Dezembro, deve ser para depois terem mais hipóteses de vitória! Cá para mim aquilo é tudo combinado, aproveitando a segnícia do júri! Calões os gajos!