sábado, 30 de abril de 2011

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Em todas as situações onde me sinto a perder, há sempre algo que aprendo, ficando sempre cá dentro para não esquecer. Aquilo que é ao certo não sei, positivo ou negativo permanece sob a forma de grito estridente ou num casulo de silêncio profundo, mas é guardado, revisto, ultrapassado em alguns dias, redescoberto noutros. Qual o seu efeito? Demora a perceber, aliás, nem sei se algum dia vá chegar mesmo a perceber, porque acaba por se transformar numa espécie de mitologia pessoal, cujos contornos e histórias apenas podem ser percepcionadas por nós, acompanhando-nos sempre, quer queiramos ou não, fazendo-nos reflectir se aquilo que fazemos, as coisas por que passamos terão um significado maior que nos supera, cujas dimensões não sabemos explicar, apenas sentir. Mas sem sombra de dúvida somos nós os seus responsáveis, arquitectos e acima de tudo guardiões, desconhecendo no entanto qual a finalidade do que construímos e guardamos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Das palavras

As palavras carregam muito mais do que som, carregam também sentido, sentimento e sobretudo parte de nós num dado momento. As palavras podem abrir portas, fechar portas, ou serem usadas somente como algo inerte, como aliás o são na maioria das vezes e talvez por isso é tão difícil usa-las, proferi-las noutro sentido que não seja o prático, o material, um simples meio para comunicar, menos do que um meio para estabelecer laços. As palavras são muita coisa, são usadas para muito mais do que aquilo que podemos perceber, mas tantas vezes não as sabemos usar do modo que queremos, ou nem nos apercebemos como as usamos ou da forma como as usamos, seja em discurso perfeito, imperfeito, com falhas e cheio de tanto ou continuo e inerte, elas voam mais depressa do que as conseguimos controlar, ainda que mais genuínas serão quanto mais livres se apresentarem.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Moi, o terrível!

Quando me dizem:

– Epá, és mesmo terrível!
Não posso deixar de responder com um sorriso misterioso e um tom de voz ligeiramente alterado:
- Nem imaginas como!
E aí sim, ficam a olhar com o ar mais confuso deste mundo!

[Quase sinto que tenho outra identidade ou alter-ego…]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

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Tantas vezes é à procura do nada que se encontra o tudo, e quando se pensa que se encontra o tudo percebe-se que afinal acaba-se por não se encontrar nada.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril, um príncipio, não um fim

Há exactamente 37 anos deu-se a revolução feita por militares descontentes com um sistema que estava caduco, que mantinha valores ultrapassados, uma guerra sem futuro e sobretudo porque as suas carreiras estavam a ser ameaçadas. Muitos só se aperceberam do quanto estavam fartos deste sistema no dia e nos dias que se seguiram ao mesmo, porque até aqui mantinham a cabeça baixa, como sempre estiveram habituados a fazer. E eis que libertados se sentiram senhores do mundo, senhores de si mesmo, mas rapidamente perceberam que a liberdade é muito mais complexa do que simples e degenera em outras coisas que não a própria liberdade. Os maiores contestárias não eram no entanto os militares, eram alguns civis, uns milhares de civis, uns refugiados no estrangeiro, outros que conspiravam no interior de Portugal, uns aspirando a utopia, o sonho, a esperança, outros somente partilhando a utopia, o sonho e a esperança, porque a verdadeira contestação era o facto de quererem a sua parte do sistema, ou quiça, tomarem conta do próprio, tornando-se assim senhores de tudo. Mas não o podiam fazer, não abertamente, tiveram de abraçar ideais, ideias e pela capacidade argumentativa, pelo despudor individual e aparente sacrífício, mais que trabalho ou competência para tal, tomaram o poder aos militares, os quais, um tanto desnorteados e sem saberam o que fazer, lhes entregaram de bandeja tudo aquilo pelo que os primeiros pouco haviam feito.  Seguiram-se os jogos do poder, as ideologias extremistas que só renovavam a retórica mas que na prática queriam tudo igual ao regime derrubado, mudaram os rostos, trocaram-se cadeiras, até que finalmente o pó assentou mas manteve-se o delírio, a utopia, até chegar uma bancarrota, depois outra e finalmente voltamo-nos para a Europa, como quem se volta para o El Dourado. A vida melhorou, conquistaram-se direitos, alguma felicidade, mas todo o modo de pensar foi-se alterando, em etapas drásticas, perderam-se valores, perderam-se deveres, porque dever era sinónimo do passado, de ditadura, ao passo que direito era sinónimo de liberdade, de futuro. No meio de tudo isto os actores mantiveram-se, forneceram um teatro em hemiciclo, dando a impressão que os tempos eram outros, que era possível debater sem haver sangue, de lutar e contestar sem tortura e tudo parecia bem. Mas muita coisa se escondia, sobretudo a mais importante, em cada aniversário da Revolução falava-se da brutalidade da ditadura, da tortura, da guerra, da injustiça, mas foi-se omitindo as expressões corrupção, da falta de transparência, da justiça, porque essas mantiveram-se, de igual, sanadas cirurgicamente aqui e ali, com golpes de publicidade, com um jogo da liga, perspectivas falsas de futuros próperos, pelo encanto de Expos, de Euros, do Euro, tudo fácil, tão fácil. O povo manteve-se igual, de cabeça baixa, mas rosnando como um cão, mas um cão bem domesticado, que sabe que mesmo rosnando tem sempre direito a almoço e jantar, temendo no entanto levantar a cabeça para morder, porque assim julga perder o pouco que obteve, agarrado que está ao material que pensa ser muito, mas cuja moral e ética é pouca. Quem manda sabe disso, porque arquitectaram isso, porque também eles vieram do povo, sem eira nem beira, invejando a nobreza dos ricos que suaram para o ser, mas não estando dispostos a suar para o alcançar, porque não sabem se esforçar, mas sabem aquilo que todos os portugueses sabem melhor, desenrascar-se e assim mantém o regime, mantendo um dos seus pilares imaculado e desenquadrado da realidade presente, porque se durante 40 anos de Ditadura ele funcionou, por certo também em Democracia funcionará e assim, mantêm-se tudo igual porque o povo, a nação, os indivíduos nunca estiveram preparados para viver em liberdade, porque nunca souberam assim viver, por falta de conhecimento para tal, mas acima de tudo de fibra ética e sentido cívico para a fazerem crescer. A imoralidade pública permanece, a tortura acabou, os velhos fascistas caíram levando supostamente consigo todos os males da República, mas uma juventude ambiciosa, comodista e indigente subiu ao poder. Se há 37 anos se derrubou a ditadura, agora seria preciso uma nova Revolução para derrubar não o regime, mas sim a corrupção e injustiça que sempre se manteve, entre políticos, entre empresários, entre oportunistas e ladrões da pior espécie, no fundo, seria precisa uma Revolução não para mudar o sistema, mas para o eliminar, mas para isso é preciso mudar algo que leva tempo a mudar, mais profundo que um modelo de Estado, é preciso mudar mentalidades para que se aprenda a viver em Democracia e não numa corruptocracia.

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa

Sempre que se fala em Páscoa fala-se em folares, amêndoas e coelhos.
E como a Páscoa não me diz nada, quando penso em coelhos penso nisto…



[Boa Páscoa!]

sábado, 23 de abril de 2011

Quando se diz...

Em muitas ocasiões da minha existência é quando me chateio de verdade com algo que resolvo um problema definitivamente. Isto depois de andar a dar voltas e mais voltas, de tecer pelos meios diplomáticos uma solução, de procurar  através da calma, do pouco alarido e de alguma despreocupação a serenidade. Mas quando digo basta é basta e quando isso acontece dá-se o cataclismo transpirado de irritação, numa convulsão profusa de palavras e actos agrestes, directos, sem corantes nem conservantes, indo ao âmago da questão numa velocidade sem curvas, pondo o jogo na mesa aceitando toda e qualquer consequência, mesmo quando as probabilidades estejam todas contra mim. Embora a fórmula pareça simples não é fácil de aplicar, porque para ter efeito é preciso partir do fundo, sendo uma arma de último recurso que se usa somente em casos extremos, porque é impossível viver sempre no limite, onde se extrapolam muitas vezes atitudes e pensamentos que se procuraram até aqui omitir, visto que tais ferem sempre susceptibilidades, perturbando uma imagem que se baseia num conjunto e não num acto isolado, a qual é sempre a que fica, marcando-nos e surpreendendo-nos a nós e aos outros para sempre, sendo que, ainda assim, nem sempre atingindo os resultados pretendidos, mas nesse momento qualquer resultado é válido, já que se está disposto a aceitar qualquer um.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Os trolhas

A maior parte das mulheres com algum grau de sofisticação tem um nojo abominável em relação aos homens que trabalham na construção civil. Isto porque esta classe profissional tem por hábito mandar piropos à cara podre a toda e qualquer mulher mais vistosa sobre a qual os mesmos coloquem a vista em cima. Creio que tal acaba por ser praticamente um gesto cultural ainda que os contornos educacionais e cavalheirescos do acto ou actos estejam longe de qualquer parâmetro educacional e até civilizacional. Ainda assim no dia que uma mulher, ou mulheres, passarem perante um estaleiro, obra, ou coisa que valha e não receberem o “elogio” carregado de pérfida masculinidade troglodita certamente vão estranhar. Por outro lado o pouco que conheço deste mundo permite-me dizer que aparentemente para os trolhas qualquer mulher que tenha duas pernas adquire de imediato estatuto de estrela de cinema, em particular quando os mesmos se deparam com as mesmas em grupo, isto é, num meio que favorece a competição feroz entre machos pelo que os mesmos têm de demonstrar da forma mais rude a sua masculinidade. No meio disto aposto que algumas das mulheres, embora envergonhadas e até enojadas, sentem que pelo menos perante tais mamíferos são os seres mais apetecíveis deste mundo e do outro, já que para os trolhas todas as mulheres são boas, com uma única excepção, as suas próprias esposas, sim, porque perante essas piam fininho.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ontem ouvi dizer #5

A felicidade mede-se não pela quantidade do que se tem, mas sim pela qualidade com que se consegue usufruir de algo.


[Será?]

quarta-feira, 20 de abril de 2011

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Sem nenhuma razão especial há dias em que acordo perante uma angústia ensurdecedora, onde sinto todo o peso da atmosfera nos meus ombros, um frio que me faz suar por cada poro da pele e um calor que gela cada tendão do meu corpo. Mesmo sabendo que é apenas um dia, passageiro e finito, fico sempre com o mesmo na memória, talvez para procurar, sem concluir, quais as causas do mesmo, os sinais que o possam pronunciar. Mas sei que isso de nada serve, todo e qualquer uso da razão para tentar adivinhar ou domar tais sensações que provêm unicamente do espírito são sempre vãs, pois o mesmo move-se sem restrições e permanece sempre um mistério, quer na sua forma, quer nos desígnios misteriosos que transporta e acima de tudo provoca. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Descrenças

Em relação a muitas coisas sei o que é, como é, mas ainda assim não acredito que seja ou se alguma vez chegará sequer a ser.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Avançar

Avança-se, não quando se tem dúvidas, mas sim quando se tem a certeza. Avança-se não quando se tem de partir, mas sim quando já se chegou. Decide-se quando já se decidiu e não antes de se pensar em decidir. Mas tanto avançar como decidir não nos mostram o caminho, sabe-se apenas o que se quer obter, onde se quer chegar, mas muito pouco sobre o como lá chegar e o que fazer depois de lá chegar. Era bom decidir e chegar, avançar e atingir o destino, assim, no momento, sem grandes divagações ou pensamentos, fazer e acabar, clicar no botão e acender a luz sem especular, sem teorizar, sem nada para atrapalhar o gesto e a acção. Apenas e só decidir e avançar, sem perguntar sequer ou temer o depois, tomando como concreto o objectivo, o destino. Mas não poucas vezes isso acontece e depois percebe-se o erro, o engano e tudo mais que não se esperava ou então permanece-se no ponto inicial, carregado pelos remorsos que ainda vão vir, os quais somam-se àqueles que se carregam por não se decidir ou avançar. 

domingo, 17 de abril de 2011

Pensar e não pensar

Durante toda a vida procuramos pensar em tudo, em todos os pormenores, em todas as coisas, sempre com receio de esquecer ou não prestar atenção em algo importante. Enchemos a cabeça de horários, de tarefas, de planos, de memórias, de toda uma logística onde se algo falha, tudo falhará. Daí que tantas vezes o único desejo que temos, ao invés de nada esquecer, seja ter um para não pensar, ou não pensar de todo, porque tal é igual a esquecer os problemas, as perguntas, o cansaço e ordem certa pela qual se tem de fazer as coisas obrigando-nos a uma rotina desgastante, preocupados que estamos em não deixar escapar nada. O grande problema é que quando optamos por não pensar, depois de viver esses momentos em que julgamos ter obtido a paz, a leveza e de nos julgarmos um tanto superiores por isso, surgem problemas muito maiores somente por termos “desligado”. Desmonta-se a estrutura, dá-se a ruína do castelo e preocupados que estávamos em não pensar torna-se nesse momento aos nossos olhos uma preocupação irrelevante, fútil e perigosa que ameaça destruir tudo aquilo pelo que se trabalha e luta. Ainda assim permanece a vontade de não pensar, mas ao mesmo tempo o controle mental mantém-se devido ao receio de tudo se agravar e sobretudo por não sabermos tantas vezes viver no equilíbrio necessário para saber ligar, mas também desligar sem que tudo se apague à nossa volta.

sábado, 16 de abril de 2011

Da Desculpa

Aprendemos a desculpar-nos quase ao mesmo tempo que aprendemos a falar. Quando sabemos dizer a palavra “desculpa” servimo-nos dela como remédio para tudo. Basta dizer “desculpa” e tudo fica desculpado, num ou no outro a palavra é sempre a mesma. Contudo tanto de tanto a usar acaba-se a mesma por ficar gasta e mesmo repetida não a conseguimos fazer ouvir. Pior é que depois não conseguimos encontrar outra expressão tão forte para a substituir mesmo que transbordemos de sentimento e profundidade ao dize-lo. A “desculpa” acaba por se tornar inevitavelmente sinónimo de falsidade, desacreditada que fica pelo seu uso constante. Talvez por isso, assim como é por vezes tão difícil dizer “amo-te”, deveria ser igualmente complicado dizer “desculpa”, para não tornar a carga da palavra inócua e sem sal, muito embora sejam muitas mais as situações em que temos de desculpar-nos do que aquelas em que dizemos “amo-te”.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Da Sabedoria

Existem muitas frases feitas que carregadas de sabedoria e bom senso que se apresentam como a solução para tudo. Até podemos pensar que basta repeti-las dentro da nossa cabeça inúmeras vezes para que a sua “magia” possa funcionar de modo a que estas surtam em nós o efeito desejado. Mas repetir, ter as mesmas sempre presentes no nosso pensamento, não é suficiente para as sentir visceralmente dentro de nós, de modo que acabam por parecer meros artifícios de um consciente que tenta moldar à sua vontade as vontades misteriosas do inconsciente. Estas frases, expressões, ditados dão-nos pistas, sugestões, funcionam como panaceia na tentativa de aplacar os nossos desejos, medos e indecisões, mas não nos dizem como as instalamos no nosso hardware, como fazemos para as tornar parte do nosso intimo, para que possam ser nossas e não meros seres estranhos disponíveis para qualquer um, que por isso parecem ser falsas. No fundo é preciso criar o nosso caminho, a nossa compreensão e integrar dentro nós tudo o que ouvimos e pode ajudar, mas talvez seja devido a essa mesma dificuldade que tantas vezes a sabedoria não passe do papel, não por não a compreendermos, mas por não a sentir-mos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Exigências que me fazem, conselhos que me dão...

As minhas tias e em particular uma das minhas primas, estão sempre moer-me a cabeça de cada vez que nos reunimos. Já faz parte da “tradição” perguntarem-me quando lhes arranjo uma sobrinha/prima, pisando e repisando no assunto. Os meus tios e primos aproveitam a deixa e deitam água na fervura pela via cómica, ampliando deste modo o coro. Mas depois, estes últimos, quando os elementos de sexo feminino estão ao longe, dizem-me baixinho, uns de uma forma outros de outra:
- Não vás na conversa delas, deixa-te estar assim que assim é estás bem, aproveita enquanto podes, soubesse eu o que sei hoje…

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Do Cansaço

O cansaço deriva daquilo que fazemos, mas mais ainda daquilo que queremos fazer, viver e não conseguimos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Terminar

As coisas começam por nossa vontade, pelo acaso, através da vontade dos outros, mas uma vez iniciadas temos de prosseguir com as mesmas. Muitas vezes terminamo-las logo à partida, de forma brusca, radical, mas em tantas mais deixamo-nos ir, mesmo quando nos sentimos obrigados pelo facto de termos começado. Continuar, manter, alimentar torna-se um desafio, mais até do que iniciar embora seja este último o degrau que tantas vezes nos queixamos de não conseguir ultrapassar. Mas mais difícil que começar e manter é mesmo terminar, porque isso é pôr termo a todos os nossos esforços, os primários e os secundários, é perceber que erramos na aposta e como tal sentimo-nos culpados de ter desperdiçado tempo, energia e tudo o mais, reconhecendo que se termina para ficar com menos e não com mais do que se tinha antes. Desse modo, terminar é igualmente doloroso e não só para nós, mas igualmente para os outros, quando há outros envolvidos, porque se sabe à partida que quando uma parte cede a outra verga também, embora o faça para um lado diferente, mas a nível de peso reparte-se igualmente, tanto da parte de quem risca uma etapa, bem como de quem é riscado da mesma.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cara-metade

Numa boa parte das vezes é a primeira aquela que marca, a que fica mais do que qualquer outra, mas também pode ser a segunda, a terceira, ou qualquer uma que se atravesse ou venha atravessar no nosso caminho. Aqueles que têm sorte sabem nesse exacto momento que é esse o caminho, a síntese, não sofrem dúvidas, não mudam de direcção ou rodopiam sobre si próprios, ao invés disso caminham em frente confiantes e firmes obtendo, muitos vezes de forma inconsciente, aquilo que tantos aspiram sem conseguir. Mas para muitos, talvez para uma grande maioria não é isso que acontece. Diversos factores, internos e externos, acabam por se meter no caminho, fazendo duvidar daquilo que se sente na certeza que de tão fulminante acaba por nos baralhar e mais além no tempo, curto ou longo, olhando para trás, é que nos apercebemos, pela intensidade do que sentimos, que foi e não voltará a ser. Mesmo quando se julga encontrar outra, mesmo que se encontrem tantas mais, haverá só uma, passada ou ainda por vir num tempo futuro e mais nenhuma pode competir com essa, porque a cara-metade é algo ímpar, é aquela, a definitiva, que tantas vezes julgamos ter encontrado no desespero do engano, mas a verdadeira, a singular, é que a nos fica para sempre na memória quando a deixamos passar ao lado, ou quando nos apercebemos fora de prazo que deveríamos ter feito mais, olhado de outra forma, enfrentado dúvidas, conflitos, medos, porque a vida é só uma e a felicidade ou se agarra ou se perde.

sábado, 9 de abril de 2011

Constatação #19

Às vezes espero mais de algo do que aquilo que estou realmente à espera e ainda assim desespero fazendo de conta que não sei do que estou à espera.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Aquilo que nos inspira

Aquilo que nos inspira tanto pode estar perto como longe. Tanto pode existir como ser apenas fruto da nossa imaginação. Mas aquilo que nos inspira não serve somente para nos fazer prosseguir, porque muitas coisas juntas contribuem para isso, embora por vezes só apontemos uma determinada máxima esquecendo ou desvalorizando tantas outras. Aquilo que nos inspira tanto nos pode libertar como prender, provocar dor como felicidade, mas é sempre de algum modo o suporte que nos mantém, a base sobre a qual caminhamos e tantas vezes não sabemos bem para onde. Aquilo que nos inspira leva-nos a pensar, leva-nos a perceber muitas coisas sobre o mundo, sobre os outros, sobre nós próprios, mas mais ainda permite-nos saber que quanto mais julgamos saber algo, menos sabemos de tudo. Aquilo que nos inspira dá-nos a resposta para acordar no outro dia, mas isto sem responder às perguntas de hoje, as quais por vezes tanto nos agoniam.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quem tem?


Facto: O país está à beira da bancarrota.

Responsáveis: Maus governos sucessivos que aplicaram políticas desastrosas contínuas, tudo em prol das promessas aos amigos e patrocinadores, dando umas migalhas falsas aos restantes.

Tentativas: Os políticos corruptos e bonacheirões do costume tentam fazer de conta que sabem governar e aplicam PEC’s, cujas consequências afectam os mesmos, aqueles que já pouco tem, mas têm o suficiente para pagar o desgoverno e a manutenção das regalias escandalosas e dos tachos.

Resultado: O buraco é grande de mais e aquilo que sobra, os despojos, são disputados pelos dois maiores partidos, prometendo os mesmos mais austeridade, mas nunca falando em reformas estruturais de fundo e muito menos em meter os responsáveis deste regabofe na cadeia.

Consequências: É preciso vir alguém de fora para por ordem nas contas públicas, ordem nas políticas do governo, ordem nos políticos, ainda que não faça uma purga, acaba por tecer medidas que afectam não apenas uns, como se verificava até aqui, mas todos. Os políticos recusam-se ao início, cerram os dentes e dizem "nunca", mas no exterior já ninguém acredita neles, por isso não têm outro recurso senão estender a mão ao mesmo tempo que maquinam na melhor forma de conseguirem aproveitar a ajuda em seu benefício próprio.

Assim sendo a pergunta que faço a cantar é:

QUEM TEM MEDO DO FMI, DO FMI , DO FMI?
QUEM TEM MEDO DO FMI,  DO FMI, DO FMI?





Cheio e vazio

Tantas vezes andamos de barriga cheia, julgando no entanto que a mesma está vazia. Outras vezes andamos de barriga vazia, mas achamos que a mesma está cheia. E na falta do conhecimento acertado sobre a questão, tendemos a comer demasiado, ou a chorar demasiado pelo que não podemos comer e os resultados, numa forma ou outra, acabam sempre por ser desastrosos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

...

Se o mundo olhasse para mim, certamente ir-me-ia encolher, sentir-me pequeno, pálido e tentaria buscar um lugar para me refugiar. No entanto quando olho o mundo sinto-me grande, sinto-me capaz, mas não é por isso que faço ou exprimo essa grandeza, ao invés apenas suspiro, dando largas à minha imaginação que se projecta nos meus sonhos, onde tudo acontece verdadeiramente e de estáticas tento que essas ilusões passem a activas. Tudo porque não se consegue viver e olhar o que se está a viver ao mesmo tempo, existem entre os dois planos uma disparidade que pode ser de segundos apenas, mas é suficiente para se perder toda a percepção entre o real e o irreal.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Diz que este blog ensina

A Blair Randall diz que este blog ensina e eu agradeço o elogio, embora francamente acho que o mesmo está a anos-luz de ensinar o que quer que seja, pois isto parece-me cada vez mais um poço de desinformação! Se calhar é melhor criar uma rúbrica de como tirar nódoas dificeis da roupa ou plantar batatas, mas o problema é que nem isso sei fazer o suficiente para ensinar!

domingo, 3 de abril de 2011

Ter esperança é...

...esperar mais do que aquilo que a realidade nos oferece, mesmo sabendo, de forma crua e consciente, que tudo o que ultrapassa o palpável é inatingível.

sábado, 2 de abril de 2011

Constatação #18

A pior raiva não é aquela em que se explode, mas sim aquela em que se implode, porque na primeira dá-se um momento final, terminando o processo, ao passo que a segunda é o início de uma lenta combustão que perdurando nos consome aos poucos pelo facto de nos sentirmos impotentes. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Gostar

Só se gosta quando se sofre, quando se sente que a felicidade não é fácil, não está ali, à mão de semear, pronta para nos satisfazer quando nos lembramos. Só se gosta quando a realidade parece turva, quando o irreal se mistura no nosso olhar e tudo parece ser pouco definido. Gosta-se quando uma pequena partícula invade o nosso pensamento e todos os restantes pensamentos são contaminados pela mesma. Gostar parece fácil, mas é difícil, é complicado, é um tudo e um nada de quereres sem querer, é uma palavra que não se diz quando se tem tantas para se dizer. Pode-se gostar num único momento, num segundo que marca o antes e o depois, mas dificilmente se deixa de gostar, a não ser que nunca se tenha realmente gostado, porque esquecer que se gosta é tão difícil ou impossível como o próprio acto de gostar.