terça-feira, 31 de maio de 2011

Os cães olham e a caravana ladra

Nunca percebi muito bem a razão das campanhas políticas na rua. Sempre que há eleições lá vão os políticos e respectivos acólitos pela estrada fora, de terra em terra, de rua em rua, de mercado em mercado, sempre acompanhados pelos respectivos jornalistas que fazem o frete de os seguir. Distribuem papéis, autocolantes, panfletos, umas t-shirt’s, bonés e mais umas lembranças, fazem uma espécie de carnaval improvisado onde aparece sempre quem queira dar os cumprimentos ao líder e dizer que o apoia porque é bonito. Sim, porque é bonito ou porque o acha simpático. Dizem os políticos que a campanha porta à porta se destina a passar a mensagem, a sua mensagem, como aliás o fazem os senhores das tv´s por cabo que nos enchem a caixa de correio com panfletos da mais recente promoção, as quais deitamos fora sempre a reclamar de ter tanto lixo e não sobrar quase espaço para o correio importante. Duvido por esta altura que as pessoas não conheçam a maioria dos candidatos e as suas mensagens. Duvido igualmente que todas as senhoras da fruta e peixeiras que trabalham num mercado não tenham já beijado com vigor boa parte dos candidatos, tanto mais que alguns têm um fetiche exclusivo pelas mesmas. Mas ainda assim continuo sem perceber a razão de tanto gasto de combustível, de contas em hóteis, de jantares e almoços, somente para aparecer ao vivo uma única vez e pedir o apoio popular. Desconfio que os políticos gostam de passear pelo País, para depois fazerem de conta e dizer que o conhecem muito bem, só por terem estado numa localidade uma hora ou duas ou nem isso. Também me parece que há narcisismo, de se sentirem aclamados por onde quer que passem, esquecem no entanto que o povo aclama-os a todos, de sorriso nos dentes, mas com a língua viperina do costume, porque todos sabem que venha quem vier, ficará tudo na mesma e do que todos gostam mesmo é de aparecer na tv, seja ao lado do candidato A, seja ao lado do candidato B, porque o voto desses há muito que está decidido, encontrando-se indecisos aqueles que, ao invés de aplaudir quem passa, lêem o que cada um diz e não escolhem pela beleza ou simpatia, mas sim pelas propostas, pela atitude e pelo passado de cada um.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Querer

Dá-se tantas vezes o problema de se querer, sem se saber o que se quer exactamente, temendo abrir a caixa, mas ao mesmo tempo desejar abrir a mesma, sem se saber qual a razão imediata para o fazer, sentindo somente o desejo de o fazer. Daqui nascem os actos impensados e os actos louváveis, aqueles dos quais nos envergonhamos e aqueles pelos quais nos orgulhamos por fazer e ainda os outros, aqueles que nos deixam com remorsos, tanto porque os fizemos ou porque não fizemos. De qualquer forma qualquer destes actos deixam-nos a pensar, sobre o resultado produzido, sobre o resultado que poderia ter sido produzido, ou sobre o resultado que podia ter sido produzido de outra forma. Mas a razão escapa-nos, acaba por se evaporar no momento antes e no momento depois, porque só deixamos de ter dúvidas quando nos decidimos a agir e assim fugimos à razão, fugimos à lógica e talvez por isso acabamos por nunca vir a saber o porquê de tanto, talvez porque há porquês sem resposta, que se seguem apenas, para o bem ou para mal e tantos outros porquês e dúvidas que mantêm a caixa fechada, para nunca mais a mesma se abrir, mantendo-se apenas a dúvida do que lá se encontraria e o que isso mudaria se é que mudaria algo.

domingo, 29 de maio de 2011

Veneno de cobra

Qual não é o meu espanto quando à saída do Vasco da Gama vejo numa tabanca em letras garrafais a seguinte frase:
- CREME VENENO DE COBRA.
Aproximei-me, não fosse estar a ficar com falta de vista e confundir a palavra “veneno” com a palavra “banha”! Sim porque sempre ouvi falar de vendedores da “banha da cobra”, de “veneno de cobra" nunca! Aparentemente trata-se de um creme para a pele e logo de cobra, bicho pelo qual nutro amores profundos e pavores ainda maiores. Resta saber se alguém vai na conversa, porque para mim de “veneno” a “banha” a diferença não deve ser muita, pelo que só se deixa enganar quem quiser!

[Se isto pega começam as madames do Jet-7 a andar com serpentes ao pescoço em vez de lontras ou castores mortos, a ver se picam para manterem a expressão da juventude... e com um bocado de sorte vendem-lhes, em vez de víboras, constritoras e dessa forma não haverá certamente velhice que lhes pegue!]

sábado, 28 de maio de 2011

Falhar

Uma das coisas que mais me irrita em mim mesmo são as minhas falhas. Não as falhas conscientes, embora essas também me irritem mas num outro patamar de irritação, mas sim as falhas inconscientes, aquelas em que falho porque não me apercebo de, ou estou a pensar noutra coisa, distraído que sou e não reparo naquilo que tenho de reparar, de agir como deveria agir e assim espalhar-me ao comprido para depois não ter argumentos válidos para me justificar, porque justificar a distracção ou a pura falta de atitude correcta no momento certo é torna-se díficil de justificar. Da mesma forma tantas outras coisas, coisas feitas, coisas ditas, coisas pensadas, coisas por fazer e todas acabam nisso e só nisso, na perfeita falha, facto que me deixa a pensar, que me dá desejos descomunais de poder voltar atrás, de refazer, de voltar a fazer reset e jogar novamente para chegar ao fim do nível. Talvez a maior das minhas perfeições seja falhar, porque falho e falho muito, mais do que gostaria, mesmo quando tento não falhar, quando faço o oposto disso mesmo, acabando no entanto por falhar novamente, não no agora, mas no depois e carregar o peso de falhar é sempre difícil, porque tal deixa-me retraído, preferindo tantas vezes recuar e não avançar somente para não ter de falhar, quando o facto de não agir e permanecer estático é por si só uma estar a falhar novamente.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Da justiça

Vendem-nos, praticamente desde que nascemos, a teoria de que há algo chamado justiça, que acaba de uma maneira ou de outra por prevalecer, isto tendo como cenário um mundo que identificam como preto e branco. Mas conforme crescemos descobrimos que tudo não passa de um logro, tanto ao nível da existência e persistência da justiça como sobre a natureza do próprio cenário onde a vida acontece, que muito pouco tem de preto ou branco, imperando antes tons de cinzento das mais variadas tonalidades, tornando tudo complexo, demasiado complexo mas que ainda assim acabamos por perceber, mesmo quando afirmamos não perceber. A justiça existe, mas é rara e a sua noção sempre relativa, difusa, acontecendo muitas vezes por acaso, mais do que por acção de alguém ou de nós próprios, mas é uma construção sempre incompleta, sem principio e sem fim, degenerando muitas vezes em algo que a contradiz. Da mesma forma é o cenário, há demasiados tons, demasiadas cores, mas mais não são do que pontos aqui e acolá, contribuindo deste modo como partes de um todo maior, não constituindo desse modo o tudo. A razão pela qual tantos ainda falam de justiça e de um mundo a preto e branco prender-se-á numa esperança um tanto vã de manter essa chama viva, de acreditar que talvez assim se vai compreender o mundo e vingar no mesmo, mas tal acaba por nos restringir e obriga-nos mais cedo ou mais tarde a enveredar pelo amargo caminho da realidade onde há muito deveríamos saber caminhar.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Das eleições

Só se fala em campanhas, de sondagens, em propostas e contra-propostas, empates e desempates, da verdade e da mentira, se pagamos ou não pagamos, de quem já pagou e de quem deve pagar, do que foi feito e não foi feito, do que está para se fazer e do que não se deve fazer, do inferno que vai vir ou do apocalipse para onde vamos e no meio de tudo isto estão os indecisos que se perguntam ardentemente em qual dos cinco votar, se no partido se na pessoa, se no que vai no que está ou no que quer estar, se no igual ou na igual diferente, se na ideologia ou na razão, se na realidade ou na utopia e discutem, dando voltas e mais voltas procurando as semelhanças e as diferenças, assistindo a debates, sorvendo os detalhes, buscando desta forma um sinal que contribua para uma decisão.

A questão para mim não é em qual dos cinco votar (e nem faço contas com os outros porque os mesmos são excluídos por força dos cinco grandes).
A questão para mim é como nos vamos livrar dos cinco que sempre nos governaram e se governam e impedimos outros iguais de aspirar ao mesmo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Da inveja

Digam o que disserem, de forma directa ou indirecta, a felicidade alheia incómoda muita gente. E mais notório isso se torna quando se tenta negar que não, procurando-se dar a volta à conversa para se justificar aquilo que não passa de pura inveja, de ciúme ou simples cobiça. Acredito que existem aqueles para quem o que os outros têm nada influência o seu estado de espírito ou toma conta dos seus pensamentos, não ficando a desejar encarnar a vida alheia sejam quais forem os motivos, mas o certo é que é difícil de evita-lo, embora a maioria se tenha tornado mestra em esconder ou ludibriar qualquer um desses sentimentos. Contudo há também o outro lado, os que gostam de ser cobiçados, aqueles que tudo fazem para dar nas vistas, para incutir aos outros a mais pura das invejas, fazendo da mesma uma espécie de chapada que se dá na cara e tudo para encher os egos tristes e pequenos dos mesmos. Creio que invejar a felicidade alheia é tão natural como ter fome, podendo até ser usado para nos inspirar a conseguir atingir os nossos próprios objectivos, muito embora tal também possa dar origem ao mais vil dos crimes. Aquilo que para mim não me parece natural são exactamente esses que vivem inspirando o ciúme aos outros, muitas vezes sob uma capa espessa de falsidade e mentira, dada que tantas vezes a sua única aspiração não é ser invejado, mas sim destruir o pouco que os outros têm, retirando-lhes para isso as certezas e vendendo-lhes uma realidade carregada de ilusões, somente para os verem tropeçar e cair, embora em alguns casos, felizmente, se vire o feitiço contra o feiticeiro.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Motivação para correr?

É, enquanto corro, deparar-me com um casal de obesos sentados num banco de jardim  a lamberem como se não houvesse amanhã, um corneto de chocolate, ali debaixo da sombra de uma árvore, junto ao caminho por onde todos correm.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

...

Perco as palavras e o seu significado por tantas vezes as usar apenas para preencher um espaço vazio, mas faço-o também com palavras vazias e depressa o que aparentava estar a carregar conteúdo, revela-se também cheio de vazio. Gostaria de proferir palavras certas, carregadas de significado, mas para tal teria de ter algo cá dentro para pintar as mesmas com substância, com um recheio que respirasse em chamas, que transpirasse de emoção e quebrasse o gelo que gela dentro de mim e assim acender a chama de alguém especifico, alguém real, alguém que se encontraria ou me encontraria e gerasse uma revolução, não um mero tumulto, mas algo grandioso onde não se encontrariam respostas, mas sim perguntas aliadas a novos caminhos, que embora desconhecidos tragam em si o delírio da aventura e não o medo das trevas. As palavras estão em mim, as emoções também, mas cada dia que passa reservo-as cada vez mais só para mim, assim como as emoções que parecem pesar sem ter saída por onde ir, refugiando-se deste modo tudo o que se quer dizer ou dizendo-o sem emoção aparente.

domingo, 22 de maio de 2011

Constatação #23

Os animais vendem-se ao quilo, as pessoas vendem-se à hora!

[E não pensem que estou a falar de prostituição, muito pelo contrário, todos nós acabamos por receber pelo tempo que dispendemos!]

sábado, 21 de maio de 2011

Do amor #2

O amor sente-se, ponto final.

O problema surge depois, no que fazer a seguir a esse ponto final, assumi-lo como um fim por si só remetendo o futuro para o silêncio ou prosseguir com outra frase quando tudo o que se sente está contido na primeira. O ponto final pode ser conclusivo, mas a seguir ao mesmo podem nascer universos de palavras, frases, textos, parágrafos inteiros, capítulos ou um livro completo e no momento em que nos apercebemos disso começam os problemas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sonhos

É raro me lembrar com o que sonho. E quando me lembro não percebo porque não sonho com nada concreto, apenas com o surreal tal e qual um quadro de Dali ou pior. Mas depois, há estes sonhos que tenho e me lembro, os quais parecem quase reais porque nos mesmos entram pessoas reais, locais reais, mas tudo misturado e com tons de outro mundo. O problema é que as pessoas que entram no mesmo, apesar de serem deste mundo não pertencem muitas vezes ao meu mundo, estão distantes, existem sem se cruzar comigo, sem nada que nos ligue e tudo isso faz-me pensar qual o significado dos mesmos, porque uma coisa é ter sonhos sem realidade outra é ter sonhos sobre algo real e que parecem sinais, chamamentos, indicações, ou somente a pura afirmação dos devaneios do inconsciente. A razão apenas detecta os seus elementos, as suas figuras, os seus actores, mas de modo nenhum entende o cenário e muito menos o que fazer com tal episódio, se o deve entender como algo para ignorar, ou se o deve entender como algo de onde se pode retirar uma qualquer coordenada que se possa seguir.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Transmissão

A complicação apodera-se de nós, não por aquilo que se diz, porque de uma maneira ou de outra todos temos língua para falar, ou alguma forma para comunicar. A complicação nasce quando queremos dar a entender algo sem o querer fazer realmente, na perspectiva de passar uma mensagem não sabendo no entanto como o fazer, isto porque cada receptor tem uma frequência definida e entre homens e mulheres não há canais em aberto, há sim um infinito leque de sintonias que se têm de procurar, de ajustar à medida de cada um, isto mesmo que o emissor seja o mesmo. E a complicação acontece quando sabemos emitir mas não sabemos qual a área do espectro está livre, quando não sabemos qual vai ser o impacto das interferências e assim ficamos sempre na dúvida se algo que é transmitido chega em perfeitas condições ao destino, mas mesmo que chegue pode muito bem não ser na mesma entendido.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não, não é um post sobre moda!

Há dois tipos de mulheres, as que se vestem bem e as que se vestem para provocar. De uma forma ou de outra os homens sentem-se sempre provocados.

[Pois, somos uns fracos!]

terça-feira, 17 de maio de 2011

Constatação #22

As coisas que melhor sabemos são aquelas que sabemos sem ter noção que as sabemos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Construções

Construímos e desconstruímos muita coisa, a realidade, o conhecimento que temos, a vida em si. Nada há que seja definitivo e no que toca a verdades absolutas ainda menos. Por vezes ao desconstruir algo pensamos estar a destruir para sempre uma parcela, mas no fundo acabamos simplesmente por a reformular, ainda que fique meio esquecida, voltada do avesso, escurecida aos nossos olhos, adquire apenas uma nova roupagem, uma nova posição num patamar que se intervala entre tantos outros. Aquilo que conhecemos melhor acaba por ser aquilo que sentimos num dado momento presente, o qual, conjugado com todo o peso do passado acaba no futuro por nos dar um contexto que só é percebido no durante, para ser destruído no depois. As concepções que fazemos dizem-nos do que supostamente gostamos e o que queremos, mas no fundo são tão variáveis conforme a vida avança. O que hoje pode ser uma verdade, amanhã pode ser uma mentira ou então outra coisa qualquer que tanto nos pode embaraçar como orgulhar. Mas o pior no meio disto tudo é quando o que fica não assume um estatuto definido, não deixa de ser para continuar a ser mas de uma forma diferente ainda que toque em pontos daquilo que foi, metamorfoseando-se e tornando-se uma crisálida da qual tanto pode sair a mais bela borboleta como a pior das traças.

domingo, 15 de maio de 2011

Das palavras #2

Existem palavras que nos arrependemos de ter proferido, que parecem ter sido soltas no ar numa certeza enganadora, as quais tentamos ainda apanhar sem hipótese para tal, para depois as mesmas formarem essa nuvem negra à nossa frente que tudo parece escurecer, fazendo-nos recuar ao invés de avançar. Mas da mesma forma existem palavras que nos arrependemos de manter cá dentro, tendo as mesmas uma vontade indómita de querer sair, mas sendo-lhe recusada a licença para tal, e eis que as mesmas se atropelam e fazem barulho partindo para o vandalismo que tudo abala no nosso interior. E depois existem as palavras que saem no momento certo, numa rara combinação de pontos que se cruzam, em que parecemos tomados por algo que é nosso mas nos supera, em que esquecemos tudo, concentrando-nos nesse único instante, tão ínfimo e singular, que gostaríamos de agarrar e toma-lo como algo concreto para o usar e repetir continuamente por toda a eternidade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Violação pouco violenta

Aparentemente, segundo um colégio de juízes do Tribunal da Relação do Porto, os actos praticados pelo psiquiatra João Villas Boas num crime de violação a uma paciente grávida, não foram suficientemente violentos, pelo que o digníssimo Tribunal absolveu o dito médico.

Agarrar a cabeça da mulher pelos cabelos e obriga-la a fazer sexo oral, empurra-la para um sofá para obriga-la a realizar a cópula não são, segundo este Tribunal actos violentos. Resta saber o que serão para estes juízes actos violentos, se calhar os mesmos digníssimos magistrados estão habituados a agarrarem-se pelos cabelos uns aos outros obrigando-se a fazer sexo oral entre eles, ao mesmo tempo que se empurram a ver quem realiza a cópula com quem. Ou então os mesmos magistrados têm um fetiche por grávidas e este médico acaba por isso por ser um herói, o ideal a atingir. Deve ser por isso que a justiça tem processos em atraso, porque os juízes devem andar divertidíssimos a copularem uns com os outros, tudo na maior das brincadeiras, nada de violências, até porque a própria palavra “violação” não comparta por si só violência. Gostava de saber se o Código Penal apresenta alguma tabela, tipo a Escala de Richter, onde se apresente qual o grau de violência necessária num crime para alguém ser condenado, porque pelos vistos estes juízes têm acesso à mesma e tomam as suas decisões baseadas na mesma. 
Pergunto-me se o dito médico ou algum dos juízes aparecer por estes dias com a boca cheia de formigas numa valeta não será um acontecimento perfeitamente normal, se tal, é claro, for feito sem violência envolvida, afinal de contas uma mulher, ainda por cima grávida só foi violada de forma pouca violenta, desta forma se alguém morrer de uma forma pouco violenta os acusados devem, pela mesma ordem de ideias, ser absolvidos. Desta forma creio que fica patente entre a “classe” dos violadores de mulheres deste mundo, que as podem violentar à vontade, desde que o façam com jeitinho, sem violência, com meiguice.


[Por outro lado aconselharia, maridos, pais, irmãos, primos, avós e afins a resguardarem os respectivos membros femininos da família, em particular se estiverem grávidas, porque, ou muito me engano, ou abriu a época da caça!]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Procuras

Há muitas coisas que procuramos, que queremos alcançar, conhecer, saber, tirar partido, usufruir ou viver apenas. Mas em muitos queremo-las não da forma como nos são oferecidas, mas sim da forma como nós gostaríamos que as mesmas fossem, o que tantas vezes contraria a realidade intrínseca às mesmas, realidade essa que queremos ver apenas conforme os nossos olhos e não de acordo com o que realmente é. E eis que se dá a desilusão, o travo amargo de algo que se consome azedo quando se julgava doce. Em alguns casos conseguimos acabar por gostar, mas também há situações, senão mesmo as mais comuns, em que nos vemos forçados a engolir o que queríamos, fazendo força para gostar sem gostar, querendo deitar fora, mas por teimosa ou vergonha não o fazer de imediato e então a vontade degenera na falta da mesma, procurando-se a melhor forma para se sair, para voltar a atrás, para dizer que não, recusar e recuar com ou sem justificação fundamentada, porque esta última acaba por ser o novo desejo que se persegue, mas um desejo sem brilho, apenas uma necessidade de nos impormos a nós mesmos e que tantas vezes acaba por substituir os sonhos que perseguimos.

Estereótipos

Colocamos uma mulher e um homem ao lado um do outro. Agora digam-me qual dos dois é o tarado e qual é o histérico?


[Não é preciso pensar muito pois não?]

terça-feira, 10 de maio de 2011

Os problemas de correr

Decide-se ir correr como se faz tantas outras vezes durante a semana. O clima ajuda e tanto corpo e espírito agradecem. Escolhe-se um local propício para o efeito onde tantas outras pessoas correm, caminham, andam de patins, de bicicleta, passeiam ou ainda passeiam os seus animais de estimação (e atentei a esta última parte porque ela é busílis da questão!). Enquanto se corre aprecia-se as vistas e isto tanto inclui a paisagem como as pessoas. Ora eis que quando me vou a aproximar num certo banco de jardim começo a reparar nos belos contornos da figura lá sentada, uma jovem que segura pela trela um pequeno cachorro. Inevitavelmente há um trocar de olhos quando ainda venho a alguns metros do dito local. Contudo o animal de estimação, talvez imitando a dona, também troca de olhares comigo e começa numa roda vida aos saltos e pinotes como quem quer brincadeira. Entretanto toca o telemóvel e não era o meu, era o dela e quebra-se o contacto muito perto do momento em que estou quase a passar. Quer dizer, quebra-se um dos contactos, porque o dito animal mantém-no e faz pior, agarra-se com todo o seu corpo à perna do banco de jardim e toma lá disto! Com tal cenário descrevo uma curva para o lado mais distante possível do banco contrariando o arco que havia tecido quando ainda vinha longe. E eis que passo em frente ao banco olhando para todos os lados menos para um, mas sempre atento não fosse a trela do cachorro partir-se e eu ter de começar a acelerar como se não houvesse amanhã!

 

[Sorte minha que ninguém viu, está visto que tenho de deixar de apreciar a paisagem e concentrar-me somente na corrida...isto só comigo...]

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Decisões

Existem momentos em que temos de decidir sem ter tempo para pensar, para planear ou ponderar quais vão ser as consequências que podem advir das nossas decisões. Depois estes momentos ficam gravados na nossa retina como um momento de sorte ou azar que dá origem a um momento de clarividência ou estupidez pura consoante o caso, produzindo-se em nós um profundo sentimento remorso ou de alívio pela decisão tomada. Alguns de nós improvisam melhor que outros, estão mais preparados ou simplesmente acabam por ter a tal "sorte" nos momentos de pressão mais do que nos momentos de perfeita acalmia. Mas todos acabam sempre nestes momentos, nestes instantes que se podem traduzir no sucesso ou na derrota. Aquilo que mais nos complicada a vida é o facto de por vezes o nosso futuro estar pendurado por esses escassos segundos que gritam por uma acção da nossa parte, onde se decide o tudo ou nada. Enganados estamos quando pensamos que podemos decidir mais tarde, na esperança que entretanto surja a resposta ao melhor caminho, ou então que alguém ou algo decida por nós, um sinal, um click, mas essa é a melhor forma de perder o comboio e tão difícil que é correr depois atrás do mesmo para se ter hipótese de o apanhar novamente, e aí o arrependimento mistura-se com a necessidade de se ter decidido de qualquer maneira somente para afastar de nós o estigma de não se ter aproveitado aquilo tantas vezes queremos mas surge sempre inesperadamente, do inesperado, colocando-nos no desespero de agir ou não agir.

domingo, 8 de maio de 2011

Do sexo e do amor

Embora se entrecruzem e estejam ligados, na maioria das vezes as diferenças entre os dois é grande. No entanto muitos querem apenas sexo, mas para tal desculpam-se com o amor para o conseguir, ao passo que outros inicialmente querem sexo, mas depois acabam por se deixar prender nas teias do amor sem que as mesmas tenham sido desejadas. Poder-se-ia criar uma regra à partida, mas na vida a única regra que há é viver e arriscar, depois resta saber como lidar com as consequências das nossas acções ou inacções e consoante as mesmas podemo-nos tornar mais felizes ou infelizes, sem nenhuma garantia ou indicação de qual o melhor caminho para tal.

sábado, 7 de maio de 2011

Diz que é humano e tem estilo

A Blair Randall do blog Xá das 5 ofertou-me este selo, o qual eu muito agradeço. A acompanha-lo um questionário o qual respondo abaixo:

1. Se fosses uma peça de roupa, o que serias? Uns jeans (mas uma saca de serapilheira também dá!)
2. Se fosses um personagem de bd/ desenhos animados quem serias? O Spider-Man (Muito embora a última vez que tentei escalar uma parede só serviu para me arranhar todo!)
3. Se fosses uma praia, qual serias? Uma no Caribe, com Sol deslumbrante e tempestades tropicais!
4. Se fosses um destino turistico, qual serias? Estou indeciso entre a Transilvânia e o Iucatão.
5. Se fosses uma cidade, qual serias? Lisboa.
6. Se fosses um apresentador de talk-show, quem serias? John Stwart ou talvez o Jel, hmmm, mas esse último não é apresentador…
7. Se fosses uma parte do corpo, qual parte serias? Os olhos.
8. Se fosses um beijo, que tipo de beijo serias? Isso não sou eu que posso dizer.
9. Se fosses uma estação do ano, que estação serias? Verão.
10. Se fosses um blog, que blog serias? (Escolhe um blog da tua lista, não vale o teu) Já me entalaste, assim não consigo definir um que me defina…

Sunshine Award!

A Utena do blog “Os meus idealismos ofertou-me este selo que eu agradeço desde já. A acompanhar o mesmo um conjunto de regras:

1 – Agradecer a quem ofereceu: Já está!
2 – Escrever um post sobre isso: é o presente!
3 – Oferecer a 12 blogs: Ofereço a quem quiser levar.
4 – Dizer qual a palavra que melhor me define: Uma só não chega, seriam precisas tantas, ou talvez nenhuma.
5 – Dizer qual o sentido que menos me engana: A visão.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sentido


O sentido que me falta encontra-se no sentido que não tenho, que não sei ter, que busco sem buscar, que perco, sem encontrar, que adivinho em algo que nunca chega a ser sendo apenas uma ilusão da qual fujo mas à qual acabo sempre por voltar. O sentido que me falta não é fácil de definir, não é fácil de proferir, embora saiba qual o destino para onde gostaria de caminhar, mas quanto mais penso no mesmo, mais desnorteado fico e mais longe de qualquer sentido fico.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Constatação #21


Quando se quer misturar aquilo que se é com aquilo que se quer ser/parecer, o resultado tende com alta probabilidade para roçar o ridículo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Das imperfeições


Muitas vezes a nossa imperfeição vem ao de cima sempre que nos deparamos com a felicidade alheia. A inveja, um certo ciúme, pronunciam-se no nosso interior, mesmo de forma discreta, inaudível aos outros, mas que ressoa dentro de nós como uma trombeta que tudo abala, sendo suficiente para termos consciência que algumas coisas são inevitáveis, mesmo quando estamos treinados para remeter de imediato tais emoções para outro paralelo. Embora possamos sentir sabemos também o errado desse sentimento, tanto mais que tal pesa-nos na consciência, porque acabamos por não saber lidar com o mesmo e nos casos mais extremos esconde-los, porque faze-lo é de certa forma negar o que nos vai na alma, sendo por isso necessário expulsa-los de alguma forma ou tentar destrui-los. Em todo o caso, conseguindo ou não conseguindo, permitindo que os mesmos evoluam ou se extingam, a marca da sua passagem afecta-nos, pois acabamos por entender que ser-se humano não é só ter uma força e capacidade imensas, mas também fraquezas e falhas amplas, difíceis de gerir, de controlar, que se traduzem em nós como imperfeição em estado puro, o que tantas vezes custamos a admitir, mas com a qual sempre temos de viver.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Explicação de muita coisa

Diz-me uma amiga que durante um ano em que almoçou num restaurante de higiene duvidosa não houve maleita ou bicho que lhe pegasse, a ela e aos colegas que com a mesma lá iam. Mal mudaram de local, para um que cumpre todos os requisitos de saneamento apareceu logo quem se tivesse constipado ou ficado à rasca da barriga.

Posto isto, pondero como será a higiene na cantina da Assembleia da República, visto que as centenas de deputados que lá almoçam não parecem apanhar nada para nosso grande desgosto. Imagino que ser cozinheiro na dita cantina não deve ser fácil, já que por muito esforços que os mesmos façam a ruindade dos que a frenquentam é tanta que nem os bichos lhes pegam e parecem cada vez mais fortes!

[A ASAE devia lá ir urgentemente para o bem de todos nós!]

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Amor e ódio

É comum dizer-se que uma linha ténue separa o ódio do amor, como se fossem ambos faces da mesma moeda, equilibrando-se assim em partes iguais. No entanto creio que as diferenças entre os mesmos são imensas. Desde logo o ódio é sempre mais fácil do que o amor, não é preciso muito para se odiar, ao passo que com o amor é sempre mais complicado e mesmo nos casos em que acontece “como por magia” dá muitas vezes voltas e mais voltas até se atingir o seu verdadeiro patamar. O ódio não precisa de muito para subsistir sendo constante, ao passo que o amor é inconstante, tem altos e baixos e não raras vezes se extingue tal como surgiu. Assim sendo há um desequilíbrio profundo entre o amor e o ódio, são dois pratos da balança totalmente opostos ao invés de se encontrarem em planos paralelos, não se tocam, nem estão à beira de se tocar, quanto mais não seja pelo facto do amor ser raro e ódio ser tão comum.

domingo, 1 de maio de 2011

Constatação #20

Uma das piores sensações é quando nos sentimos a mais, porque nessas situações acabamos sempre por nos sentir-mos a menos, desnorteados, desenquadrados, um peso, um empecilho que mais nos atrapalha a nós próprios do que os outros.