quinta-feira, 30 de junho de 2011

Paixões platónicas

Existem paixões que nascem, acontecem, desenvolvem-se apenas na nossa cabeça. Há quem lhes chame platónicas, outros chamam-lhes tontices ou simples devaneios, mas o certo é que as mesmas acontecem, talvez em mais ocasiões do que a maioria admita. O grande problema destas paixões é o seu termino e digestão, porque para muitos nunca terminam, mantendo-se continuamente, ocultando-se apenas com o passar do tempo e creio que somente uma paixão real, palpável onde os intervenientes sejam mais do que apenas a nossa singularidade possa realmente limpar de vez todo e qualquer resquício do que ficou da tal paixão. No entanto a memória fica, fica sempre e as repetições acontecem porque enquanto tudo estiver na nossa cabeça, tudo funciona, tudo é perfeito, único, mágico e tendemos a pensar assim sempre que nada mais surge na realidade, quando esta última parece ter apenas uma parte minúscula do sabor que nos oferecemos a nós próprios, apenas pelo que pensamos, pelo que vivemos internamente na nossa cabeça, pelo facto de o futuro, nessa dimensão, ser feliz e sorridente, operando-se a apoteose quando há uma fagulha que seja que faça pensar que a mesma possa acontecer numa realidade próxima, pois tal tem o valor raro de um sonho que se concretiza. Mas raramente tal sucede, talvez pela própria natureza da razão que lhe deu origem, talvez porque de outra forma não seria possível ou então porque há coisas que vivem e sobrevivem apenas num plano que foge do real e que de outra forma não teriam sentido, sendo esse o motivo pelo qual não chegam a nada, se é que alguma vez foram alguma coisa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Do suposto parasitismo sulista

Como é sabido os países do Sul da Europa são uns gastadores de dinheiro, uma espécie de parasitas, reis do desperdício, da má gestão e acima de tudo senhores da boa vida. Boa vida porque aparentemente temos mais regalias que todos os outros, em particular no que diz respeito aos países nórdicos. Reformamo-nos mais cedo, temos mais subsídios, mais férias, mais isenções, um aparelho de Estado gigante e demasiadas empresas públicas. Contudo, e por estranho que pareça, é nos países nórdicos que as pessoas auferem de boas reformas, têm sistemas de segurança social, de saúde e de educação ímpares, gratuitos e célebres, dos quais ninguém se queixa e para os quais, quem mora no Sul da Europa olha com inveja. Desta forma o nosso problema estará certamente noutro campo, num lugar para onde ninguém parece olhar, se temos tantas regalias o certo é que elas a nós sabem-nos a pouco, aliás, algumas não sabem a quase nada, mesmo assim querem retira-las não para nos salvar, mas para salvar o Estado da bancarrota, afirmando que isso é o equivalente à nossa salvação. Duvido, duvido mesmo muito e duvido ainda mais quando depois de anos e anos a viver à conta de supostas e inúmeras regalias como estar a pagar a gasolina mais cara que todos os outros, de esperar horas para ser atendido num hospital, de me dizerem para fazer um PPR porque quando chegar o meu tempo o dinheiro para a reforma desapareceu, de ter de pagar propinas para estudar na faculdade, de ter direito a subsidio de férias e de Natal SÓ porque tenho um contrato e de saber que se recorro aos tribunais para um assunto qualquer mais vale dar um tiro na cabeça. Estas são as nossas regalias e se os governantes dos países nórdicos as acham assim tão gritantes ao ponto de quererem tira-las da nossa alçada é porque certamente não sabem do que falam, ou então sabem, afinal de contas temos uma coisa única regalia real que eles não têm, Sol! Resta saber do que são capazes eles de fazer para a obterem, porque se querem culpados para alguma coisa é olharem para o lado, para seus homólogos colegas do Sul e em vez de apertos de mão e abraços podem sempre usar umas algemas e um pau quando se encontrarem com os nossos governantes, assim sim, seriam amigos e nós agradecíamos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Somos

Somos aquilo que somos muito longe por vezes de ser aquilo que gostaríamos de ser, assim como somos aquilo que somos acabando por ser algo distinto daquilo que podíamos vir a ser. Somos iguais a nós próprios, mas também somos muita coisa, mais do que conseguimos contabilizar ou até de racionalizar. Se somos capazes de mudar? Talvez. Conseguimos faze-lo sempre? Raramente. E acabamos por ser aquilo que não somos quando queremos à força ser aquilo que somos de melhor e forçar a espontaneidade ou um momento inspirado que é o mesmo que querer repetir o irrepetível.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dimensões


Existem coisas grandes, médias e pequenas. No entanto a dimensão de cada coisa é sempre relativa. Para alguns o que é grande para outros é pequeno assim como para uns o que é pequeno é médio ou grande ao passo que para outros é totalmente o oposto. Normalmente quem está dentro vê de uma forma, sente de uma maneira, perdido que está na conjugação de algo que à vista de outrem não tem razão de ser, não tendo tal coisa dimensão para tanto fazendo com que se abane a cabeça por não conseguir fazer ver isso ao outro. Estar de fora seria um exercício que todos deveriam ser capazes de fazer para assim tentar percepcionar na devida dimensão algo no momento em que tal é visto, sentido, tido e achado e não no depois, quando já nada há a fazer, porque o tempo funciona ele próprio como outrem que redimensiona tudo, pelo que o que sobra é apenas um complexa equação, sem uma solução única, mas sim com várias, uma por cabeça que pondera sobre tal. Deste modo uma dimensão, qualquer que seja, raramente é percepcionada de forma correcta, embora surja sempre uma certeza absoluta em quem a observa, pelo que a verdadeira dimensão entra-se assim fechada no próprio objecto.

domingo, 26 de junho de 2011

Constatação #26

Azar não é só aquilo que se tem, mas também ( e em muitos casos talvez mais) aquilo que não se tem!

sábado, 25 de junho de 2011

Cinzas

Embora uma fagulha possa provocar um incêndio, um incêndio nada produz a não ser a destruição. Contudo é das cinzas que muita coisa nasce mas somente passado algum tempo e o mesmo só se dá quando as mesmas conseguem assentar na terra e não são espalhadas pelo vento, onde, cada partícula por si só de pouco vale, espalhadas que estão por uma área imensa. Não basta uma ideia para mudar algo, para se produzir algo, embora uma ideia possa ser o inicio de algo, mas uma ideia por si só, crua e sem nada mais só pode dar origem à destruição, porque a ideia é vã, é diminuta, mas é destrutiva. Para se nascer algo da ideia é preciso algo mais para a sustentar, é preciso um objectivo, um contexto, de outra forma estará crua, incendiando-se, incendiando e rapidamente extinguindo-se por não ter controle, deixando atrás de si um rasto de destruição, sendo dividida por entre as cinzas, das quais poder-se-á obter novamente mas agora de uma forma madura, isto se o vento não espalhar as partículas onde a mesma se encontra diluída.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Agradar

Agradar é talvez das coisas mais fáceis e simultaneamente mais difíceis de se fazer. A contradição do acto está no facto de que na maior parte das vezes agradamos sem ter noção de que o fazemos, porque o fazemos inconscientemente, sem pensar muito no assunto e tudo segue um caminho simples sem preocupações ou demoras que tais. Por outro lado no entanto há o reverso da medalha, quando se quer agradar e tudo o que se acaba por fazer é exactamente o oposto, isto devido à ânsia de se querer agradar, estica-se a corda, chega-se ao exagero e a naturalidade é algo cuja sombra nem se vê aos olhos dos outros, ao passo que nos nossos olhos apenas a cega ideia do querer se vislumbra, traduzindo-se num redondo insucesso. Seria fácil dizer que para se agradar basta sermos nós próprios e não pensar muito nisso, o problema é quando se quer e não se sabe como, e o que deriva daí é difícil de resolver, assim como para os outros, que facilmente agradam, tudo parece simples de fazer não compreendendo as dificuldades manifestadas por parte de quem tem de tentar para conseguir, aqueles para quem agradar é uma questão de sorte ou de azar, sorte de quem não tenta, azar de quem tenta e não sabe como, tendo de trabalhar muito para o conseguir e mesmo quando há mérito pelo esforço nem sempre há compensação pelo mesmo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ser consciente

Entendo-me como ser consciente desde tenra idade, contudo apesar disso muita coisa me escapava, fruto da falta de experiência que somente o tempo pode ensinar. Recordo-me que ainda criança já tinha noção que certos momentos seriam sem dúvida os melhores da minha vida, porque ficavam marcados na minha memória e isso acontecia até antes dos mesmos acontecerem, só por haver a perspectiva de os viver no dia ou dias seguintes e as expectativas nunca saiam defraudadas, corria sempre tudo bem, ou melhor ainda do que se esperava. Isto sucedia porque nunca tive vontade crescer, nunca tive vontade de fazer algumas das coisas que os adultos podiam fazer, vendo sempre os mesmos um pouco como seres de outro planeta, cujo teor das conversas, das aspirações, das acções pouco compreendia. Havia quem, igualmente criança como eu, apenas falasse de ser grande, do bom que iria ser quando fossemos grandes, da liberdade que isso nos iria trazer. Desconfiava, desconfiava sempre, porque para quê querer ser livre, se naquele momento tinha toda a liberdade para ser feliz, e era-o, sem sombra de dúvida, porque não se pensava, vivia-se, o amanhã não interessava, apenas o agora, tudo era simples mesmo quando o mundo era confuso, mas o mundo era meu, porque eu criava o meu mundo e ele era grande, chegava-me, eu moldava-o, sempre a meu gosto. Hoje tenho consciência que sempre fui consciente, mas fosse tão sábio para aproveitar a vida como somente as crianças o conseguem ser, como a criança que já fui.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Grandeza

Para alguns a “grandeza” está relacionada com o tamanho, seja do que for, para outros está no acto de ter que interliga-se rapidamente com o facto de se ter ou não ter e esticando-se mais acabamos por encontrar no caminho a quantidade, sendo que finalmente está a qualidade. Ser “grande” manifesta-se de muitas formas, mas na maior parte das vezes manifesta-se apenas na cabeça de alguns iluminados que se julgam grandes, que julgam ter grandeza tendo eles próprios chegado a essa conclusão por si próprios, tanto por comparação com os demais, como pelo facto de possuírem um tal grau de estimação individual por eles mesmos que a sua grandeza resume-se a isso mesmo, indo buscar aí a sua fonte de força, da qual derivam todas as justificações, reais ou surreais, que acabam por parecer aos olhos de alguns meros artifícios, ao passo que para outros está encontrada a inspiração que tanto buscavam. A grandeza mede-se pelas acções, pelo que se tem e como se obteve, pelo que se é, mas acima de tudo é uma noção interna e pessoal, guardada a sete chaves e não exposta aos sete ventos. A grandeza revela-se quando não se pensa na mesma, quando não pensamos em nós próprios, mas sim quando os outros a olham e aplaudem exactamente por perceberem que não é a exposição da mesma que queremos mostrar, mas sim fazer o correcto mais para os outros do que para nós próprios.

[Tão grande é a estátua que por um mísero pombo se deixa cagar...]

terça-feira, 21 de junho de 2011

Descubra as diferenças

Apercebi-me agora que eles os dois não são tão diferentes assim, aliás diferenças é coisa que pouco têm um do outro visto que tanto um como o outro adora o protagonismo, e a meu ver ao mesmo nível, parecendo brilhar e delirar por estarem perante uma câmara de filmar. É vê-los sempre a tomarem pose mal chega a comunicação social, que funciona, qual estimulo, para se endireitarem, quais pavões, abrindo o sorriso e tomando aquele ar entre o sério e o altivo. Se um vive e tem condições de se exibir à conta de um golpe do baú, o outro vive e tem condições de se exibir à conta do Estado, e até ambos os seus “patrocinadores” podiam ser parecidos não fosse o facto de um andar com dificuldades financeiras. Um é a “rainha” das revistas e programas do social, ao passo que o outro vive e vai viver agora como “rainha” da diplomacia e da imprensa. Para mais um parece gostar muito de chapéus ao passo que outro parece ser fã acérrimo de perucas…


[É junta-los no mesmo lugar e tenho a certeza que vai haver cabelos arrancados!]

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"Conselhos"

Há sempre quem me diga, mais do que uma vez, para deixar-me ir por uma vez que seja e parar de pensar. Nas raras vezes que sigo esse “conselho” sabendo que possui alguma razão de ser, acabo por ir mais além mas mais depressa volto, absorto de arrependimento por ter seguido o “conselho”, contrariando-me a mim próprio, baixando as barreiras e perceber que a água está mais gelada do que todos diziam e não é o facto de mergulhar de cabeça que vai a tornar mais quente e agradável. Deixar-me ir sim, aos poucos, com parcimónia, o que pode aos olhos de uns parecer ser o oposto, mas para mim é a natureza da minha realidade e a essa não há volta a dar, muito embora a mesma quebre e por si só se atire em momentos de conjugação única, mas nunca pelo conselho alheio ou razão própria, mas sim pelo grito do instinto, o qual produz as mesmas consequências, muito embora com saldo mais positivo do que quando se vai apenas usando de uma tímida razão que atrapalha e ouvindo a voz da plateia.

domingo, 19 de junho de 2011

Directo ou indirecto

Existem várias facetas em mim, a directa correcta, a directa incorrecta e a directa indirecta, isto para no fundo achar que sou directo, mas nem sempre o sou é certo e tantas vezes sou mas escondo que sou, preferindo manter longos silêncios e frases curtas. Sou directo, demasiado directo quando me sinto injustiçado, quando me sinto forçado a sê-lo, quando me sinto a perder algo ou a quere-lo mais que tudo. Contudo ser-se directo não é uma benesse, não é uma virtude, é algo que se tem de controlar, que se tem de distribuir na dose sorte no momento certo sob pena de nos tornarmos demasiado directos e perdermos assim, para a nossa secura e falta de sensibilidade, tudo o que nos rodeia, em particular quem nos rodeia. Existem coisas que se podem dizer, outras que se sabem ou sentem mas têm de ficar dentro de nós, podendo ser proferidas apenas por entrelinhas de uma argumentação difusa e pouco clara, a qual, para se conseguir tecer é preciso paciência, perspicácia, astúcia e até inspiração. Cair no erro de dizermos tudo o que pensamos, mesmo que verdadeiro é dar a comer algo cru, sem tempero, que pode cair bem em algumas ocasiões, mas cai mal na maioria das mesmas, em particular para quem nos ouve.

sábado, 18 de junho de 2011

Constatação #25

Ainda que esquecer certas coisas possa ser positivo, a longo prazo se não forem definitivamente digeridas, trabalhadas e transformadas,  essas mesmas coisas acabam sempre por vir à tona, na maior parte das vezes renovadas e ampliadas de forma pior do que aquela em que se encontravam quando esquecidas da primeira vez.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Bailos"

Por conta dos santos populares tenho um (como diz uma amiga minha) “bailo” aqui ao pé de casa. Ele é música pimba até às tantas, o barulho de gente a passar e carros a ir e a vir num frenesim constante. No ano passado o “bailo” acabou por volta das 23 horas, apenas umas duas horas após ter começado, com uma dúzia de indivíduos de mãozinhas na parede e perna aberta enquanto eram revistados pelo corpo de intervenção da PSP armado até aos dentes e eu, cá ao longe, da janela, a ver o espetáculo. Então sim, foi o meu momento de fazer a festa! Só gostaria era de ter oportunidade de repetir o evento este ano.

Encantos

Há encantos que parecem nascer do nada, mas na verdade eles são apenas uma construção, um somatório de pequenas coisas que se foram colhendo ao longo do tempo, as quais em separado pareciam não dizer nada por não terem um sentido amplo ou por falta de despertarem a atenção de modo tão concentrado, mas o conjunto que formam acaba por se traduzir em algo que se apresenta a nós como uma novidade plena de valor, porque partem de um inesperado que talvez até se esperava, mas apenas de modo subliminar, como se o nosso subconsciente preparasse um presente ao nosso consciente e assim eis que o mesmo se desembrulha para nosso deleite e o sabor da surpresa é nestes termos sempre doce, o problema é quando já chegamos tarde para colher esse mel ou simplesmente não o sabemos colher.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Talvez

Já deveria talvez ter aceite há muito tempo que o mundo não é justo, que eu próprio não sou perfeito e que os sonhos realizam-se por vezes, mas nunca como nós queremos. Já deveria talvez ter passado a fase de acreditar, mesmo quando parece que não acredito em nada, de correr atrás de coisas que me levam a lugar nenhum ou a um lugar que mais não é o lugar onde já estou. Já deveria talvez ter aceite muitas coisas, de tentar por tentar, de jogar no escuro e à luz sabendo que tanto, de uma forma ou de outra, a probabilidade de ganhar é sempre igual. Talvez devesse tanta coisa, mas o certo é que não consigo e continuo sempre na tentativa de, mesmo sem esperar, quebrar o círculo sem saber se não será ainda ele que me quebrará a mim.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Diferenças entre homens e mulheres #6

As mulheres falam de tudo entre si, os homens não!
Isto vem a propósido do facto de ter percebido a partir de uma conversa com uma amiga, que as mulheres têm entre si as mais variadas conversas sobre as suas respectivas...

[E sabe-se lá mais o quê!]

terça-feira, 14 de junho de 2011

Desejos

Se existem dois poderes que desejaria ter um dia seriam certamente poder ler mentes e saber o futuro!

[Mas em ambos os casos apenas para situações especificas e quando quisesse não fosse dar em maluquinho! Sim, desejar por desejar ainda me dou ao luxo de ser esquisito!]


segunda-feira, 13 de junho de 2011

...

Há coisas que se podem controlar, outras não, nascem em nós de forma inusitada, espontaneamente, não nos restando outra hipótese senão tentar controlar as mesmas na medida do possível, o que por vezes torna-se por si só uma impossibilidade, porque são elas que acabam por tomar conta de nós e dessa forma acabamos tantas vezes apenas por ser meros espectadores da nossa própria vida.

domingo, 12 de junho de 2011

O regateador

Dizem que negociar com Paulo Portas é duro, que o mesmo é um osso duro de roer no que toca a fazer acordos. Tal não me admira, afinal ele sempre fez as campanhas em feiras e mercados, logo já estará mais que habilitado na arte de regatear!

[Já o consigo imaginar, de avental vestido, chinelo calçado com meia branca, mãos na cintura a fazer o pregão, alto e bom som, à frente do Passos Coelho!]

sábado, 11 de junho de 2011

Rosto

Por maior que seja um sorriso, por mais elegante que seja um corpo, dê o cérebro mostras da maior inteligência e sabedoria, haja um vector de calor presente na voz, nada mas mesmo nada substitui um rosto e tudo o que ele, por si só, pode transmitir. É certo que muitos factores influem na percepção que temos de uma face e que a mesma não é avaliada por si só, mas um conjunto sem um rosto é o mesmo que uma ideia sem expressão, perdendo aquilo que melhor a representa e mesmo que apenas uma parte seja revelada não é suficiente para se conseguir ver na sua totalidade, sendo que o conjunto é sempre representado pelo rosto e não por outra parte, nem somatório de partes. O rosto não é tudo, mas é boa parte do tudo, sem ele apenas se pode tentar adivinhar aquilo que num segundo pode ser revelado pela face que nos olha.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cair em graça ou ser engraçado

Existem dois tipos de mulheres no mundo. Aquelas que nos acham graça sem termos feito nada em particular, apenas só porque sim e as outras, aquelas para as quais somos muito “engraçadinhos” mas não temos graça nenhuma e nem que chovam canivetes nos vão achar graça algum dia. Como tudo há um tempo para as pessoas se conhecerem, mas se o primeiro impacto ou os primeiros reparos se traduzem em algo pouco atraente para as mulheres, não há hipótese, e elas nisso são implacáveis. Depois, os homens, percebendo que estão a perder, embora na realidade já tivessem perdido logo no primeiro momento, tentam esticar a corda e é vê-los com as piadas parvas, a fazerem uma serenata pirosa, usando clichés mais que batidos, desconfortáveis e instáveis que estão por sentirem o tapete a ser puxado debaixo dos seus pés. O truque, dizem alguns, é responder às mulheres, que instantaneamente colocam a cruz no nosso rosto, da mesma forma, mostrando pouco interesse pelas mesmas de forma a quebrar a sua confiança e a criar-lhes uma certa raiva provocada pelo impacto da rejeição. Por outro lado há os que começam uma relação exactamente por se odiarem mutuamente, por dizerem que não simpatizam de todo um com o outro, mas nesse caso o problema é ao contrário, acharam graça, mesmo muita graça um ao outro em simultâneo e o ódio surge porque não sabem lidar com esse sentimento gritante que toma conta deles.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Constatação #24

O problema não é o facto de vermos bem ou mal, mas sim o facto dos outros não verem ou não quererem deixar ver a realidade das coisas, acabando a visão alheia por influenciar a nossa, turvando-a e criando barreiras que nos impedem de ver o concreto do real, tranformando uma linha definida numa teia indefinida sem início ou fim.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A atração culinária

Da análise que faço de forma perfeitamente empírica chego à conclusão que as mulheres preferem homens que saibam cozinhar. E quando digo cozinhar, digo cozinhar bem, capazes de fazer aqueles pratos de crescer água na boca onde a qualidade e imaginação primam sobre a quantidade, tanto mais se na confecção dos mesmos houver preocupações de cariz nutricional e calórico. Aparentemente os papéis inverteram-se pelo que antigamente dizia-se que o caminho para o coração do homem passava pelo estômago, daí que as mulheres se esmerassem para agradar os apetites dos seus pretendentes a fim de os conquistarem. Mais curioso no meio disto tudo é que os homens com queda para a cozinha são também aqueles com têm sempre o que dizer a uma mulher, isto no sentido pleno de meterem conversa sem rodeios, com a maior das naturalidades e elas, mesmo que inteligentes e sofisticadas acabam sempre por ouvi-los mesmo que saibam a razão por detrás de cada frase, isto acontece talvez porque um homem com sensibilidade para cozinhar supostamente não as ameaça, ou as ameaça, tendo ao mesmo tempo maior capacidade para escolher os "ingredientes" certos de modo a obter determinado sabor. Deste modo, nos tempos actuais elas parecem preferir os charmosos com queda para “chef’s”, lixam-se obviamente todos os outros que só sabem estrelar um ovo, fazer uma sandes de presunto ou cozer umas batatas! Em definitivo um homem que  não sabe cozinhar parece estar condenado a nunca encontrar a receita para o coração das mulheres, se calhar o “Pantagruel” deveria substituir o “Kamasutra” na cabeceira de muitos deles!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Causa-efeito

Em diversas ocasiões da nossa vida temos a tendência, o hábito ou a mania de atribuir a alguns acontecimentos, ou a um qualquer percurso, um significado, um objectivo, o qual parece revelar-se num momento futuro, como que uma etapa para nos levar a um qualquer caminho onde nos encontramos no presente. Contudo nem sempre esse significado é óbvio, na maioria das vezes não percebemos, não vemos, nem advínhamos a razão do mesmo, parecendo ser mais um acaso do que outra coisa qualquer, um acto isolado sem qualquer repercussão futura apenas no momento, uma ponta solta sem consequência passível de verificar. Mas ficamos sempre a pensar no porquê, se isso terá acontecido por alguma razão quando tantas vezes não acontece por razão nenhuma e o facto de procurarmos uma consequência ou uma razão é por vezes deturpar um acontecimento para o transformar num aviso que não se ouviu, como se não conseguíssemos viver sem actos inconsequentes, sem que tudo tenha de ter uma razão de ser e tantas vezes deveríamos apenas respirar e dar à vida uma oportunidade sem tecer ilações artificiais sobre o que quer que seja, mas resistir a essa tentação é quase como resistir a não se ser humano.

domingo, 5 de junho de 2011

Essência

Não sei se aquilo que me angustia é o que perdi ou o facto de um dia voltar a perder se surgir novamente. Não sei se vivo com angustia num passado sem novidades ou se vivo angustiado por sentir que o futuro pode igualmente não trazer nada de novo, tudo porque o tempo muda e avança, mas eu permaneço igual, piorando numas coisas, melhorando noutras, mas a essência essa continua a ser a mesma e talvez seja isso que me faça sempre perder tantas vezes ao invés de me fazer ganhar.

sábado, 4 de junho de 2011

Da beleza

A beleza não existe por si só, de outro modo não existiria, porque a mesma nasce do encontro de dois pólos, quando se dá a perspectiva daquilo que é belo e daquilo que não é, num jogo de comparações onde há admiração que pode surgir de um só lado e tão raras vezes surge mutuamente. Muitos afirmam que a beleza serve somente para ser admirada, apreciada, para nos indicar um caminho que nos conduza à felicidade, à esperança e assim dar-nos paz interior, mas a beleza também faz sofrer, sofrer por não se poder alcançar, porque não a podemos ter, sentir ou fazer parte da mesma e tantas a vezes a beleza é fugidia, encerrando-se num castelo que se abre somente para aqueles que têm a perícia de o saber invadir conseguindo desse modo toca-la e quiçá ampliarem a mesma ao tornarem-se parte integrante da mesma.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Problemas auditivos

Se os homens ouvem as mulheres, podem não acreditar mas o facto é que as ouvem e ouvem bem. Agora se as percebem ou se estão dispostos a dar-lhes resposta, isso já é outra coisa!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Alquimia

Existem coisas que têm de partir de dentro, do nosso interior e estas não surgem quando queremos, não surgem devido aquilo que pensamos ou aprendemos, acontecem no campo da espontaneidade, quando acontecem, quando querem acontecer, quando por alguma razão que nos é totalmente desconhecida sentimos que nascem dentro de nós como algo que parece não ser nosso embora o seja. Aquilo que queremos pode levar a isso, aquilo que os outros querem e nos dizem pode provocar, mas somente cá dentro se faz a mistura, a qual tem de ser feita na temperatura correcta, durante o tempo que permita que tal aconteça até se tornar uma massa crítica, pronta a fazer efeito. Muitas coisas podem dar origem à transformação, mas na verdade só nos apercebemos da sua origem depois da mesma acontecer e tanto que procuramos no antes a fórmula que se obtém apenas no depois, porque aquilo que germina só conseguimos sentir, não conseguimos pensar, racionalizar como tantas vezes fazemos na ideia vã de controlar o processo, de tentar anotar os parâmetros para os recriarmos sempre que queremos. Se aparece ficamos tentados a dizer que é nosso e na verdade é, mas numa escala maior, numa escala que desconhecemos e devido a isso sabemos que é genuíno e garantido, de outra forma é apenas um engano, um remendo que se coloca para estancar algo e por mais tempo que o mesmo possa durar, acabará sempre por romper.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

...

Todos os dias penso na minha vida, no passado, no presente e no futuro. Penso e repenso desejando esquecer e tantas coisas que esqueço e não quero esquecer, para depois haver tantas outras que preferia esquecer e nunca consigo esquecer, sabendo no entanto que o deveria fazer assim como deixar de pensar e seguir em frente, porque embora caminhe numa direcção não o faço como deveria fazer, arrastado que estou pela estagnação que acaba por ser uma constante, a qual atrapalha-me os movimentos e deixa-me um gosto ácido permanente na boca, o que me leva a pensar continuamente e a nunca esquecer.