domingo, 31 de julho de 2011

Mais um!

A sempre simpática Essência ofereceu-me este mimo, que muito agradeço. Supostamente era para oferecer a 12 blogs, mas como dúzia é número que não gosto oferece-o a todos quantos quiserem levar.

sábado, 30 de julho de 2011

Ontem ouvi dizer #6

A inteligência é limitada, a estupidez por sua vez não tem limites e por isso não nos deixa de surpreender!

[Não podia concordar mais!]

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Da nacionalidade do dinheiro

O dinheiro é sem sombra de dúvida o objecto mais igualitário do mundo, não escolhe etnias, ideologias, religiões, nacionalidades, idades, géneros ou qualquer outra forma de distinção humana. Isto vem a propósito do interesse mendicante com o qual Portugal se mostra no exterior a fim de conseguir compradores para as suas empresas públicas. As empresas públicas para quem não sabe são parte do património do Estado, são uma parte do país e desengane-se quem pense que a sua privatização vai servir os interesses nacionais, isto porque mesmo enquanto foram públicas serviram apenas os interesses de meia dúzia que encheram os bolsos sem qualquer tipo de vergonha, justificando que deste modo, que mesmo pobres, teríamos algo que era controlado por “nós”, como se tal fosse uma espécie de afirmação patriótica, que nos custou durante todo este tempo preços de bens básicos altíssimos, tudo para justificar essa posse nacionalista (e sobretudo poder-se pagar altíssimos ordenados a administradores e aos seus respectivos conselhos  de administração que funcionam como centros de repouso de ex-políticos) Agora no entanto as coisas mudaram e é com jubilo que se mostram muitos por haver tantos a quererem comprar, e que ilustres compradores se apresentam nestes saldos, tudo gente séria, de países com baixos níveis de corrupção, onde a miséria é praticamente inexistente em certos bairros selados ao público em geral! Mas as boas novas não se ficam por aí, porque assim, dizem, vai haver mais concorrência, vai haver reestruturações (afinal os donos são outros e podem não gostar da pintura existente) e Estado esse garante que os pobres vão continuar a ser protegidos, como aliás têm sido sempre, contra eventuais abusos de um mercado que se quer desregulado. E o dinheiro que resultará dessas vendas será pois distribuído entre os “mercados” e os despedimentos de administradores, pelo que pouco sobrará a não ser mais desemprego num país com cada vez menos independência e orgulho. O dinheiro é sem dúvida igualitário, qualquer um o pode ter, o problema é que a posse do mesmo muito pouco tem de equidade, pelo que quem o tem tudo pode comprar, mas quem não o tem limita-se a ser enganado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

...


Perto é também estar longe, fugir serve muitas vezes para se ser mais rapidamente apanhado e pensar é somente desistir de agir. Em tudo há contradições que se digladiam constantemente, actos cujo efeito é o contrário do que se pretende, espaços onde a percepção é errónea e tantos quilómetros que se percorrem para se perceber que a Terra é redonda, iludindo apenas pela sua rotação. Nada há a procurar porque só será encontrado quando não se procura e aquilo que se encontra é sempre diferente do que se pensava encontrar. Opções há algumas, certezas, essas, é não.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Volatilidade


Difícil é quando numa noite se adormece de um modo para no dia seguinte se acordar de outra forma, mudado, alterado, tudo ao contrário, quase metamorfoseado, diferente mas igual na embalagem. Procura-se então a razão, mas ainda mais a memória do dia anterior, como se um modo de estar ficasse inscrito em nós pronto para ser revelado quando chamado à lembrança. Mas não, tudo se sucede num campo onde o pensamento pouco pode fazer, embora o pensamento seja vitima, refém de um estado que se alterou depois de uma noite de sono, sem razão aparente, pela única razão que nada é eterno e tudo é mudança constante, ontem de uma forma, hoje assim, amanhã de outro modo, conjugando-se tudo numa matriz que acaba por ser a nossa, nem sempre como queremos, mas da única forma possível, à qual temos de nos adaptar, de uma forma ou de outra, não existindo outro caminho senão esse.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Momento


Um momento pode ficar impresso na nossa cabeça, no nosso âmago, em qualquer lado do nosso ser, para depois ser lembrado nos momentos seguintes, nos tempos próximos ao mesmo, mas conforme o tempo passa vai sendo igualmente esquecido, fragmentando-se por entre nós, dividindo-se em pequenas partículas, as quais são peças mais ou menos reais, concretas, que uma vez em contacto com algo que no futuro vislumbramos, nem que seja numa fracção de segundo, fazem renascer esse momento, não no seu estado completo e unânime, mas na forma suficiente para nos lembrarmos de algo que parecia esquecido e sem paladar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Constatação #29

Uma perspectiva não acaba nela própria, como o próprio nome indica uma perspectiva é apenas uma parte de um todo muito maior, significando apenas que muitas outras existem e concorrem para a completar ou combater.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Constatação #28

Há coisas que não sabemos porque as fazemos, assim como há coisas que devíamos fazer mas parece que surge sempre algo que nos impede de as concretizar, talvez por receio, talvez por desconhecimento, ou então por outra razão qualquer que de "razão" nada tem na sua substância, mas nos limita os movimentos, levando mais tarde a uma luta interna contra um racional remorso.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Conversas #8

Ela: …imagina só, o tipo deixou-se dormir quando me estava a bater o couro!
Eu: A sério?!
Ela: Sim! Já imaginaste a cena?
Eu: Bem, podia ser pior.
Ela: Pior? Como?
Eu: Podia ter flatulência...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Moralismos

Nunca entrei na Universidade Católica e das vezes que lá passei à porta senti assim uma nuvem negra a formar-se no céu como que a avisar-me que qualquer tentativa para tal seria imediatamente fulminado por um raio! Agora que os alunos estão proibidos de andarem vestidos como querem certamente muitos mais vão ser fulminados, se não por raios pelo menos pelos colegas que até concordavam com tal “protocolo” de vestuário porque havia abusos! O que esses supostos pseudo-moralistas se esquecem é que da mesma forma que um raio pode fulminar quem entrar na Universidade de chinelo de dedo ou vestido de uma forma supostamente “arejada” também eles podem ser fulminados quando saem do mesmo estabelecimento, ou pelo menos deviam, que de falsos moralistas está o mundo cheio, tanto mais quando a instituição que supostamente têm de representar e defender do vestuário impróprio é conhecida pelos divertidos jogos cujos seus patronos gostam de fazer com as criancinhas, desde que claro, não se “mostre” nada de impróprio aos olhos do público em geral!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Daquelas coisas


Ontem acordei a pensar que ia ter um dia como os outros. Conclusão, tive um dia como os outros.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Gravidade

A gravidade é garantida e por isso tudo pode cair, pelo que a certeza reside no chão do qual alguns conseguem fugir, equilibrando-se de uma forma ou de outra ou então iludindo como que por artes de mágica a força da gravidade. Mas tantos outros caem e custam-se a levantar, alguns depois de cair nunca chegam sequer a levantar-se. A ciência está portanto em saber como nos erguemos novamente, como se mantém contrariada a gravidade, e o modo que usamos para o fazer vai definir o tempo em que conseguimos mantermo-nos de pé, seja em equilíbrio, seja em desequilíbrio.   

domingo, 17 de julho de 2011

Constatação #27


Saber fazer nós é diferente de saber dar nós, porque quem sabe dar nós sabe desata-los, quem só os sabe fazer já dificilmente os sabe desatar, daí que é fácil fazer nós, dar nós requer aprendizagem, mas tantos se põem a dar nós quando na verdade apenas os estão a fazer.

sábado, 16 de julho de 2011

Sabedoria


Diz-se que há pessoas mais sábias que outras, da mesma forma que se diz que uns são mais inteligentes que todos os outros. Ainda que alegadamente se consiga “medir” a inteligência, ou pelo menos ter uma ideia quantitativa do valor da mesma por meio dos famosos testes de QI, o certo é que no que respeita a medir o intelecto humano nada é muito certo e cai-se profundamente no campo da subjectividade. Poder-se-ia dizer que a sabedoria nasce com as pessoas, talvez, mas creio que é algo cujos alicerces se encontram firmados naquilo que se aprende e sobretudo na disposição que cada um tem para aprender. Ainda assim, por muita sabedoria que alguém tenha ela não é algo continuo, constante ou não fosse o ser humano essa fonte de inconstância e inquietude permanente. Os mais velhos são mais sábios e isto, diz-se, deve-se ao tempo e à vivência maior que tiveram em relação aos mais novos, mas creio que a sua sabedoria nasce do facto se apenas poderem opinar e não realizar, daí que consigam ser figuras isentas, espectadores que como tal conseguem a distância necessária para formular a sabedoria, tecida isso sim pelas teias do tempo que os mesmos conservam. Quanto a todos os outros, aqueles que ainda não chegaram a uma provecta idade para chegar a esse ponto, resta-lhes pensar que a sua sabedoria reside não no que sabem, mas antes naquilo que não sabem e ter essa consciência é talvez a única coisa sábia que conseguem atingir num dado estágio da vida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Aquilo que nunca se sabe sabendo de alguma forma


Ao virar de cada esquina tudo pode acontecer, do mesmo modo que nada pode ocorrer. A surpresa, pensamos nós, pode estar à espreita, boa ou má não sabemos, optamos por pensar que é boa, mas ficamos cautelosos não vá ser má, porque nisto de esperar espera-se tudo, mas normalmente esquece-se nada esperar, quando na maioria das vezes é justamente isso que poderá estar à espreita, mais do que outra coisa qualquer com substância não neutra.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Coisas que me irritam #2


Normalmente quando escrevo algo num papel para não me esquecer nunca recorro à dita cábula porque me lembro de tudo salvaguardado pela segurança de ter o dito papel no bolso. Quando decido não escrever porque “não me vou esquecer” é certinho que me vou esquecer e esqueço-me!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

As vítimas

Ser vítima é a coisa mais fácil deste mundo e até parece estar na moda. Facilmente se é vítima, basta querer, mas o que se quer mesmo é outra coisa, é ter algo ou obter algo pelo apelo à solidariedade alheia, que é muito bonita mas por vezes um tanto ingénua. Noutros casos a vítima surge em resposta a uma acusação, acusa-se e a desculpa é estar-se a ser vítima, nem que seja de uma conspiração perpetrada por entidades ou pessoas de que ninguém ouviu falar antes. Desculpas para o ser existem aos milhares sendo que as vítimas aumentam exponencialmente de dia para dia, isto porque as verdadeiras vítimas não o anunciam aos sete ventos, porque na verdade a única coisa que gostariam era deixarem de ser ou do nunca ter sido. Contudo as outras “vítimas”, aquelas que fazem questão de se anunciar antes mesmo de lhes ser perguntado alguma coisa, gostam de se mostrar, de passear na passerelle social distribuindo o seu charme com uma vergonha muito mal disfarçada, para além de entraram num qualquer lugar já vítimas e saindo de lá ainda mais vítimas, por vezes apenas porque alguém se limitou a dizer a verdade, e a verdade por vezes não é aliada da vitimação.

terça-feira, 12 de julho de 2011

...

Patenteassem-se todas as desculpas que se inventam por este mundo fora e desconfio que todos os gabinetes de patentes não tinham condições para registar, gerir e arquivar as solicitações. De igual forma poder-se-ia considerar fazer o mesmo com as mentiras, mas dado que a mentira é algo sempre volátil nunca podia ser patenteada.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

É parar rir não é?

Ouvi este fim-de-semana a nova ministra da Justiça afirmar que a corrupção ia ser combatida de forma implacável. Realmente depois de ouvir estas palavras fiquei a aqui a pensar, será que agora vamos começar a ver ministros, ex-ministros, deputados, presidentes de Câmara, das Juntas, de clubes de futebol, administradores, empresários a aparecerem fortemente algemados pela PJ perante as câmaras de TV, serem julgados, e metidos dentro da prisão por uns anos junto com a fina flor do crime português? Será que vamos ver as suas contas bloqueadas e a reverterem para o erário público, o fim das contas off-shore, a invasão dos grandes  escritórios de advogados (e desta feita sob o patrocínio do presidente da Ordem dos mesmos já que tanto gosta de falar da luta contra a corrupção) onde se escondem a maioria das provas de muita coisa que se passa e corre à margem do conhecimento público, o GOE ir em missão ”secreta” ao Brasil, à Inglaterra buscar fugitivos e transporta-los para Portugal pela porta do cavalo a fim de serem presentes à justiça ou cumprirem penas? Será que é isto que é isto que vamos ver? Ou será que a nova ministra queria dizer que a corrupção ia ser combatida de forma implacável noutro país qualquer? Cheira-me que isto é para rir porque só a falar também consigo fazer muita coisa, até fazer os outros rirem!

domingo, 10 de julho de 2011

Alterações

Há quem diga que devemos mudar alguns aspectos da nossa atitude, depois há também quem diga que nos devemos manter fiéis a nós próprios e manter a nossa personalidade. Fazer mudanças é difícil e em casos extremos acaba por ser mesmo impossível, só é possível quando não forçamos tal, porque as mesmas operam-se a um nível subconsciente levando tempo até se fazerem sentir. Mantermo-nos sem alterações é positivo, mas também negativo, quando alguns dos nossos componentes são defeituosos carecendo de melhoria, mas a teimosia ou a falta de esforço traduz-se por isso num estagnatismo cujas consequências podem não ser animadoras. No meio de tantos conselhos e perspectivas a única conclusão a que chego é que a vida é totalmente contraditória e mais vale não pensar muito nisso, embora acaba-se sempre por pensar mais do que mudar ou manter propriamente alguma coisa.

sábado, 9 de julho de 2011

Razões


Nunca percebi a razão de muitas coisas, tanto minhas como dos outros. Sei no entanto que há uma suposta razão, por muito tresloucada ela deve existir, porque de outro modo não aconteceriam ou se fariam tantas coisas. A busca para entender a razão é talvez aquilo que sempre levou a humanidade a procurar, abrindo-lhe a curiosidade e a imaginação. Contudo muitos julgaram e julgam ainda hoje terem encontrado a razão, explicação para tudo, mas não percebem que esse mesma hipótese não passa disso mesmo, sendo que a mesma acaba por gerar uma base de onde surgem tantos outros problemas, os quais depois se afastam progressivamente da linha inicial, sendo que é necessário procurar novas razões para novos problemas e assim continuamente. Mas parece-me que poucos são aqueles que preferem viver sabendo apenas que não sabem, não tendo explicações e esperando que as mesmas surjam um dia ao passo que os outros ficam-se por meia dúzia de hipóteses e chamam-lhes verdades, as suas bases para a razão, mesmo quando as mesmas estão longe de explicar tudo. Para mim o conforto de uma ideia falsa é dispensável perante a possibilidade de viver sabendo que para já não se pode saber tudo e talvez por isso nunca percebi a razão de muitas coisas e desconfio que por muito que viva, em alguns aspectos, nunca irei perceber.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Probabilidades #2


Normalmente quanto maior é o nosso número de apostas em algo maiores são as probabilidades de obter esse algo. No entanto os sonhos não se regem pelas leis da probabilidade, podemos ter muitos e muitos mais, mas sabemos que o facto de termos muitos não quer dizer que um sequer se venha a realizar, talvez por isso seja preferível apostar em meia dúzia deles, passíveis de realmente se realizarem do que inventar inúmeros julgando que assim nos sai a lotaria.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tendências

A tendência para o desastre é algo que se tem ou não tem. Existe quem faça algo e saia sempre bem à primeira, mesmo quando parece que está a apalpar terreno e não conhece o caminho, outros porém façam o que fizerem, por mais cuidados que tenham e atenção sabem que basta um pequeno deslize para o acidente acontecer e ele acontece mesmo quando se aplica toda a cautela, como se tal fosse um elemento intrínseco à genética de quem padece dessa enfermidade. O combate a essa predisposição é ficar alerta, mas tudo parece contribuir para que os sentidos se reduzam e os acidentes apenas diminuam de frequência, porque a tendência, essa, nunca pode ser erradicada.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Diferenças entre homens e mulheres #7

Os homens andam com as coisas do dia-a-dia (chaves, carteira, telemóvel) nos bolsos ou então usam para colocar os mesmos, uma pequena bolsa que se adquire em qualquer tendeiro e o certo no meio disto tudo é que à excepção de os bolsos encontrarem-se rotos ou a bolsa ser esquecida em qualquer lado, nunca demoram mais do que alguns segundos a encontrar o que precisam. As mulheres por seu turno não dispensam uma mala, ou melhor, no mínimo uma meia dúzia das mesmas, pois as mesmas têm de combinar com a roupa que têm vestida ou os restantes acessórios. Para adquirir uma a mesma tem de subscrever duas coisas essenciais, o sentido estético e a marca, só depois vem o sentido prático, a quantidade de bolsos interiores e a disposição dos mesmos, os quais acabam deste modo por ficar em segundo plano, o que se torna visível quando se nota o tempo que qualquer mulher demora para encontrar o que quer que seja no interior daquelas verdadeiras malas do Sport Billy. Ah, e as bolsas interiores bem como a sua disposição de pouco servem visto que só servem para baralhar ainda mais a arrumação e esconder aquilo que se precisa por vezes com urgência. Ainda assim admito que as mulheres são mais organizadas do que os homens, mas essa organização termina quando se chega às suas malas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Causa-efeito


Por vezes dizemos que nada acontece por acaso, isto porque na nossa cabeça estabelecemos paralelos de forma quase imediata entre causa consequência ou vice-versa, traduzindo-se tal mais como um hábito do que uma realidade concreta. A criação de padrões algo típico do ser humano, não significando por isso que os mesmos aconteçam realmente, dando-se mais pelo nossa necessidade de combater o caos natural que nos rodeia do que pela substância real dos mesmos. Quanto a mim tento sempre lutar contra a formação dos padrões, mas raramente consigo, somente aqueles que se traduzem em algo físico como andar à chuva e ficar depois constipado tem mérito para existirem, todos os outros, que são visíveis apenas para nós numa escala unicamente consciente, luto para ficar cego perante os mesmos, isto porque não conseguimos distinguir se realmente são reais ou meras ilusões provocadas pelos nossos desejos e tantas vezes ao pensarmos neles como a chave para explicar algo ou para determinar o caminho a seguir, acaba-se por constatar que de pouco serve haver um padrão pois a conclusão nunca é clara e há sempre mais do que um caminho para seguir, sendo que as escolhas têm sempre de ser feitas e nem sempre são as melhores seguindo ou não um padrão.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ler e reler


Há sempre quem escreva e leia o que escreveu, uma, duas, três ou mais vezes, mas ainda assim há sempre algo que falha, que escapa, um pormenor aqui, outro ali, ou um conjunto dos mesmos para os quais parecemos estar cegos, não os conseguindo perceber como se uma barreira estivesse sobre os nossos olhos dizendo que tudo bate certo, mesmo que a perfeição suscitada pela leitura nos pareça boa demais para ser verdade, desconfiamos, mas acabamos por desistir para mais tarde repararmos ou, mais habitualmente, alguém nos fazer reparar que falhou ali qualquer coisa, algo que esteve sempre ali, à nossa frente, escondido apenas da nossa percepção. Assim acontece quando se escreve e em tantas outras coisas da vida, quiçá, creio que a própria vida é feita disso mesmo, de milhares de linhas escritas e na composição das mesmas nem sempre vemos os pormenores, os erros e tantas outras vicissitudes, mesmo quando tudo se encontra ali à nossa frente e ainda assim quanto mais olhamos e voltamos a olhar menos vemos.

domingo, 3 de julho de 2011

Do perder


A razão de um desgosto não é somente perder, é também tentar e perder e perder tentando de forma diversa à anterior, resumindo-se tudo num rotundo insucesso, porque seja qual for a técnica a aplicar quem aplica é sempre igual, logo não é no processo que reside a falha mas sim em quem o tenta controlar. No entanto o processo pode ser estudado, pode-se mudar, pode ser aprimorado já o mesmo em quem o aplica é mais complicado de fazer, porque se há mudanças elas ocorrerem sem que se tenha noção disso, sem controle ou consciência das mesmas e quando se forçam deixa-se de ser para não se ser ou fingir que se é, não sendo de todo aquilo que se gostaria. A razão de um desgosto pode ser muitas coisas, mas um elemento é sempre central, a falha que de uma forma ou de outra se manifesta, o desejo não concretizado e a esperança que se esvazia para lugar nenhum.

sábado, 2 de julho de 2011

...


Por vezes encontra-se perdendo e perde-se quando se encontra. Nada é definitivo, garantido, espectável ou definido. Tudo é algo que não se sabe bem o quê, é aquilo que se sente num momento e aquilo que se julga sentir, é aquilo que se pensa ou que se julga pensar ou é um misto de pensar e sentir e sentir sem pensar, anulando-se tudo numa amalgama definida pela indiferenciação que se encontra e perde ao mesmo tempo que se perde para se encontrar.