sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Constatação #33


A linha que separa aquilo que nasce da inspiração daquilo que nasce do raciocínio é muitas vezes difusa, mas o que daí resulta, vindo de uma fonte ou de outra, é perfeitamente distinto.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Acordar #2


Acordo igual, julgando ir para a frente ao mesmo tempo que sinto o círculo a fechar-se, o gesto a repetir-se, sem que nada mude de facto, sem que nada possa soar a novo, ou se faz de conta que ao apenas se inscreve numa memória vã que se esquece e entende como mais como sonho e ilusão do que como realidade cinzenta. Acordo igual, sabendo isso no momento em que abro os olhos e vejo a mesma escuridão a engolir-me ou a luz flamejante a cegar-me e confrontando que estou com essa dualidade eterna o passo seguinte será sempre o mesmo, o caminho pode curvar mas levará ao mesmo destino e se algo parece diferente será apenas o pensamento, que ainda assim apenas aproveita a novidade para debitar as mesmas conclusões que pouco ou nada subtraem ao peso do acordar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dizer e pensar

Há coisas que não se podem dizer, da mesma forma que nem se devem pensar, contudo, podemos reprimir a sua expressão, já o limpa-las do nosso pensamento é mais complicado, senão mesmo impossível, isto porque de outra forma as mesmas não existiriam porque só existem exactamente por serem apenas pensamentos, sendo que dessa forma não podem ser apagadas, ali nascem, crescem e por vezes morrem, mas é o único sítio onde podem viver, onde ninguém as pode ouvir, ver, cheirar, tocar ou simplesmente aperceber-se que as mesmos existem, ou existiram. Há coisas que não se podem pensar, mas só o facto de não querermos pensar nas mesmas faz com que as mesmas emerjam e quanto mais tentamos recalcar, mais alto gritam no nosso interior, daí que a única forma de lidar com as mesmas é deixar que aconteçam, que circulem, que façam o que entenderem, desde que haja garantia que nunca fujam de nós, do esconderijo em que se abrigam, para que não nos magoem nem pelo exterior nem pelo interior.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

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Por vezes somos loucos somente por pensar, não tanto por fazer, porque o pensamento é mais perigoso que acção em virtude de a poder vir a criar, a desenvolver, a alterar esculpindo-a para depois a edificar no meio de tantas outras. Mas a gravidade do pensamento prende-se não só por ter influência nas nossas acções, mas igualmente por poder influenciar as demais, as dos outros, ou até mesmo os outros. Mas o pensamento é das poucas coisas que se pode manter para nós próprios e a análise que fazemos dos mesmos altera-nos o percurso, faz-nos olhar no espelho em busca de alguém que julgávamos conhecer, de alguém que por vezes parece fugir e ser tomado por outro igual, mas diferente. Aquilo que pensamos é nosso e só nosso, mas por vezes parece transmutar-nos noutro ser que somos nós, mas não nós como pensávamos ser.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Da esperança


A esperança é sempre a última coisa a perder-se, embora seja a primeira que se queria cobrir, que se queira esquecer e a primeira a ser atacada, mas resiste, resiste sempre, mesmo que torturada, mesmo que vilipendiada e jogada na lama, persiste, mantém-se, se não às claras escondida, nas sombras, disfarçada e munida da capacidade de se metamorfosear, tentando sempre voltar para se manifestar, lançando sinais mesmo do exílio mais longínquo. A esperança é resistente, é forte, morre e volta a renascer milhares de vezes, qual Fénix flamejante, ultrapassa obstáculos, vence inimigos, engana a probabilidade, contudo e ainda assim, a esperança é sempre humana e como tal não é eterna nem imortal. 

sábado, 24 de setembro de 2011

Os outros


A vida dos outros é sempre mais fácil. Os problemas dos outros têm sempre resolução. Os outros são para nós muitas vezes como que crianças para quem sabemos sempre o que dizer, para quem conhecemos sempre a solução e poucas são as coisas que nos outros sejam encaradas por nós como uma dificuldade. Por vezes dá-nos para pensar como seria tão fácil sermos os outros e não nós próprios, assim como seria simples viver em dois planos em que duplamente seríamos nós a aconselharmo-nos a nós próprios, interiorizando no nosso interior aquilo que dizemos e transmitimos aos outros. Mas a real dificuldade reside nos nossos problemas e não nos problemas dos outros, sendo que a solução para os mesmos encontra-se talvez na energia positiva que até podemos saber produzir e transmitir, mas não sabemos aproveitar em nosso benefício.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Constatação #32


Por vezes vemos a perfeição para aquilo que não somos e queremos ser, ao mesmo tempo que vemos a imperfeição para aquilo que realmente somos e não conseguimos deixar de ser.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Estado de espírito

Um estado de espírito é exactamente isso, um estado de espírito, algo que se manifesta por razões óbvias, concretas, ou simplesmente por nenhuma razão aparente. Podemos acordar todos os dias da mesma forma, numa rotina constante e igual, mas o estado de espírito muda, altera-se, e nem sempre é aquele que gostaríamos de sentir, mas sim aquele que temos de carregar e contra o qual tantas vezes lutamos, umas vezes com sucesso, outras com insucesso. Um estado de espírito pode-nos caracterizar, mas não é a síntese daquilo que somos, apenas uma manifestação mais permanente da nossa pessoa, contudo tantas e tantas vezes somos abalados por uma força que muda tudo em nós, e tudo resume-se ao nosso estado de espírito, que nos pode fechar as portas ou abrir as janelas de uma inspiração e criatividade que não sonhávamos por um momento ter. O estado de espírito em alguns é praticamente constante, noutros inconstante, mas parece-se que a maior parte vive tendo dentro de si uma miríade de estados de espírito.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

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O concreto da existência perde-se por entre as teias daquilo que tantas vezes pensamos ser uma certeza, quando no fim de contas a certeza é apenas um artificio que serve unicamente para nos orientar, uma base que nos fixa os pés à terra, ponto do qual tantas e tantas vezes queremos fugir, escapar, esquecer para poder voar e alcançar o outro extremo que é o concreto da ilusão, do sonho, daquilo que se quer apenas sentir e desejar sem barreiras, numa liberdade irracional que dura por curtos momentos, conduzindo-nos tanto ao sublime na subida, como ao desastre na descida.