sábado, 29 de outubro de 2011

Das palavras #3


Soa sempre a estranho quando ouvimos certas palavras, sobretudo aquelas que são ditas tantas vezes como meras expressões sem qualquer conteúdo ou significado profundo, ditas de uma forma leviana, onde a razão para o uso das mesmas trata-se apenas de uma forma de comunicar e pouco mais. Mas quando as mesmas estão carregadas com o seu verdadeiro valor, com o seu verdadeiro sentido, acabamos por pensar se ouvimos bem, ou de outra forma, se as mesmas provocaram em nós algo para lá da sua compreensão lexical e semântica. As palavras têm esse poder de nos fazer sentir, mas também nós exercemos poder sobre elas, o poder de as manipular a nosso belo prazer, seja para as usar como meros artigos comunicativos, seja para influenciar quem nos rodeia. Nem todos o conseguem fazer ou nem sempre o conseguem fazer, ao mesmo tempo que nem sempre quem as escuta as sabe decifrar e interpretar de tão habituado que está a ouvir simplesmente e nada mais.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Da certeza

É fácil agir quando se tem a certeza, quando se sabe para onde se vai, o que se quer por muito louco e impossível ou doloroso que seja, bastando isso para se seguir em frente e com toda a determinação. Difícil no entanto é ter certezas e ultrapassar o mais pequeno receio ou pelo menos tentar esquecer essa orquestra macabra que mina o terreno da convicção, porque enquanto a ouvimos não nos conseguimos mexer, da mesma forma que a mesma nos ilude e hipnotiza.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Antecipação

Por vezes chega-se e diz-se, sem grandes ponderações ou preparações, conduzidos simplesmente por aquilo que queremos dizer no momento, de improviso, sem preocupações que nos coíbam de dizer simplesmente. E que bem que sai, e que bem nos corre, sem plano, sem antecipação que não seja a de ter de dizer para obter. Mas basta haver muita coisa a correr, pequenas parcelas que se multiplicam criando a possibilidade do esquecimento levando ao preparo, ao registo mental, ou então quando se quer mas não se sabe a palavra para tal, a expressão que compreenda, desenha-se o caminho, ensaiam-se os argumentos, esgrimam-se as possibilidades, tudo para no fim nada se dizer, ou dizer mal, o que nos deixa a pensar em tudo, no momento que até correu, mas poderia ter corrido melhor, com naturalidade e não com a artificialidade que nos desnorteia e preocupa. Seria sempre fácil se improvisássemos, porque a vida é um improviso e querer criar barreiras ao fluir da mesma é fazer nascer em nós a discordância afirmativa que pensamos ser mais certa do que a própria realidade que nos rodeia e preenche.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Coisas que me irritam #3

Quando me dizem: Mas sabes ou tens a certeza?


[Não é porem-me em causa é dizerem essa frase! Irrita-me!!!]

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Justificação

Há coisas que não se justificam simplesmente porque não têm de ser justificadas, nascem somente do facto de se gostar ou não de algo, o que muitas vezes ultrapassa o conteúdo da argumentação racional, porque ao tecer-se essa mesma ideia num modelo que pouco a caracteriza está-se a espartilhar algo que será sempre muito mais e desse modo acabamos por nos referir sobre muito com quase nada. Ainda assim pode-se tentar dar uma ideia, mas também essa não pode partir de um molde primário, mas sim de algo que inspirado num momento único traduz-se de forma singular e irrepetível em algo que fica guardada mais no espírito do que na ideia.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Daquelas coisas #4


Hoje escrevo não sei, amanhã não sei o que escreverei...

sábado, 22 de outubro de 2011

Constatação #36

Por muito bom que seja um jogador de poker, ele está sempre dependente das cartas que saem. E quem diz jogador de poker, diz outra coisa qualquer.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Diferenças entre homens e mulheres #8

Os homens são Pc's, as mulheres são Macintosh.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Daquelas coisas #3

Em conversa alguém referia que outra pessoa vivia em "mancebia".
Pus-me a pensar - "mancebia", que palavra bonita!

[Os termos que ainda se usam...]

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Do saber


Há sempre quem pareça saber tudo ou de tudo e tão depressa sabem como rapidamente julgam os demais. Eu ao contrário apercebo-me que de cada vez parece que sei menos, ou então o pouco que sei não é suficiente, da mesma forma que aquilo que julgava saber afinal nunca soube. Talvez seja um problema de memória e de inteligência, mas arrisco-me a pensar que muitas vezes é mais um problema de desleixo e consequente burrice. No entanto há sempre quem saiba mais e sempre, quem nunca se engane, quem seja perfeito, mas uma coisa eu sei, que todas as peças de teatro têm um fim, nem que seja de acto e quando cai o pano finda o papel e aí, no confronto com a realidade, é preciso improvisar sabendo-se então se realmente se sabe ou se nunca se soube de facto.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Do iva da pinga!


O governo decidiu taxar a água engarrafada a 23% e o vinho a 13%, ou seja quem está mal tem sempre a benesse de beneficiar da manutenção do preço da garrafa de vinho e escapar à crise pela via do alcoolismo. Afinal de contas toda a gente sabe que a embriagues torna o país mais seguro e produtivo, sem falar do facto de estar ligado a acidentes mortais de viação o que por si só reduz o número de futuros pensionistas, melhorando por essa via as contas públicas. Da mesma forma o governo acalma os ânimos, na medida que em vez de alguém se passar dos carretos e ir apedrejar os políticos vai afogar as frustrações à taberna e ao sair de lá já não dá com o caminho para casa. Agora pergunto-me se é essa a ideia ou se simplesmente os políticos do governo são eles próprios uns bêbados e querem manter o seu vício sem aumentos ao mesmo tempo que a cultura, essa, permanece a mesma.