sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano Novo

Apenas e só para desejar boas entradas, boas saídas e já agora tudo de bom para o que estiver no meio!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Juízos de final de ano

Queremos sempre que o ano que se avizinha seja melhor do que o anterior, tanto mais quando o que acaba não se revelou grande coisa e isto mesmo que nada de sobejamente negativo tenha acontecido, bastando para tal que um somatório de coisas nem boas nem más tenham marcado o mesmo. Isto de fazer juízos de final de ano é um pouco como a economia, um ano tem de ter sempre crescimento positivo em relação ao anterior, sendo que isso significa que se aumentou a percentagem a qual descreve uma curva ascendente, caso contrário entra-se em recessão ou mesmo em depressão, sendo necessário apenas que o crescimento seja igual a zero, o que significa que se teve exactamente as mesmas coisas que se teve no ano anterior. Desse modo o rácio de felicidade, de coisas boas, de gargalhadas, de boas memórias, de acontecimentos felizes terá de ser sempre maior do que nos anos anteriores para que possamos considerar um ano óptimo, perfeito, marcante em coisas positivas, ainda que, como seres subjectivos que somos, baste um marco positivo o suficiente grande que contagie todo o ano e nos faça esquecer as pequenas dificuldade e chatices que aconteceram durante o mesmo. Talvez por isso seja difícil fazer o juízo do ano, porque só o podemos fazer verdadeiramente no tempo médio ou mesmo longo, porque se julgamos que um ano sabe pouco e o que se lhe segue sabe a amargo mudamos complemente a nossa percepção sobre o primeiro. Por outro lado há os anos que são mistos, que têm tanto de bom como de mau, pelo que se torna difícil tomar uma decisão sobre o gosto dos mesmos. No entanto queremos sempre mais, temos sempre esperança que o ano que começa seja melhor do que o anterior, mas esquecemos muitas vezes que para isso basta que o se avizinha seja somente igual ao anterior. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Chatices e companhia

Não queremos saber porque não nos queremos chatear, porque quando nos chateamos as coisas acontecem, mas custa chatearmo-nos, dá trabalho e já temos tantas chatices daquelas que são mesmo nossas e das quais não podemos escapar. Para além disso há o tempo que dispomos que é sempre pouco para aquilo que gostamos de fazer, por isso economizamos, tentamos gerir e somente as sobras destinamos às chatices, se bem que o tempo que gastamos efectivamente com elas é muito reduzido e acabamos sempre por perder mais tempo a reclamarmos com as chatices que surgem e à espera que as mesmas desapareçam por si do que propriamente a enfrenta-las e a resolve-las. Não nos queremos chatear e por isso procuramos sempre delegar as nossas chatices em quem esteja disposto a resolve-las, a ficar com elas, para que esse, pensamos, chatear-se por nós, mas quem fica com elas não se chateia, não as resolve ou faz desaparecer, pelo contrário, mantém-nas vivas e frescas para que fiquemos sempre dependentes e quando descobrimos isso, resmungamos, esbracejamos, protestamos mas raramente chamamos as chatices novamente a nós, porque não queremos saber e preferimos que alguém se chateie por nós, mesmo que só o faça no papel e com isso acabe por viver uma vida melhor que a nossa, mas ainda assim nós não queremos saber porque não nos estamos para chatear.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Problemas

Por vezes chateamo-nos com coisas mínimas, parvas mesmo, coisas que se fossem bem pensadas nem uma faísca produziriam para nos aborrecer. Acontece que nem sempre estamos na posse da nossa plena consciência e muito menos do bom senso, pelo que nos deixamos levar pela reacção momentânea, a qual depois produz um problema que se arrasta dentro de nós pelo tempo suficiente para nos fritar o juízo. É certo que na maioria das vezes acabamos por superar, ainda mais quando percebemos que tal é apenas um pseudo-problema e depois pensamos na quantidade de tempo e energia perdida por nada, por algo que não merecia sequer a nossa atenção, mas quando somos tomados pela surpresa nem sempre tomamos as melhores opções e ao ferver em pouca água uma mera espinha parece ser o fim do mundo. Prometemos então ficar vigilantes, ficar alerta, mas isso pouco importa, porque tantas vezes é ao contrário, aquilo que não vemos como problema acaba por ser um verdadeiro problema e desse modo receia-se mais do que se compreende  tudo aquilo que nos rodeia.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Constatação #42

É recorrente os sonhos transformarem-se em pesadelos, mas raramente um pesadelo se transforma num sonho.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Festas

Parece que este ano ainda temos Natal, ou pelo menos fazemos de conta que sim. De qualquer forma é melhor aproveitar enquanto há, porque para o ano não se sabe. Daí desejo saúde a toda a gente (excepto aos políticos e outras figuras tristes que nos atormentam, que isto é Natal é Natal mas ódios à parte!) seja a gozar o Natal ou outra coisa qualquer, nem que seja somente o fim-de-semana!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Diálogos

Num diálogo nem sempre há concordância sobre determinado assunto. Se isto acontecer entre duas pessoas civilizadas e que não sejam tendências ao ponto da emoção lhes toldar o juízo, decerto que ficam amigas como antes, mesmo quando não há ponto comum que assista ambas. Se o oposto suceder criam-se os inimigos e o diálogo que começou é rompido em menos de nada, voltam-se as costas e as soluções ficam de parte, porque o problema passa a ser como destruir o inimigo ou tentar vergá-lo por não aceitar uma ideia que rejeita. O pior de tudo isto passa-se quando existe uma terceira parte, que pode ou não ser espectadora dos primeiros, mas que acaba por sofrer as consequências pela discordância das primeiras.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Aquilo que nos consome

Aquilo que nos consome é tudo, é nada, é a mais pequena partícula cujo mísero tamanho é o suficiente para nos incomodar, até ao maior dos pesos que tem o dom de nos asfixiar. Aquilo que nos consome pode ser real, pode ser apenas uma ilusão, algo inventado ou mal interpretado pela nossa cabeça. Aquilo que nos consome cega-nos por entre as suas chamas, por entre os tormentos que distorcem a realidade e nos deixam longe da solução. Aquilo que nos consome pode não ser nada mas para nós é tudo, acabando por ser aquilo que somos mas que não gostaríamos de ser, ou aquilo que não somos mas gostaríamos de ser. Aquilo que nos consome é não termos tantas vezes a sagacidade para ver mais além, para relativizar e dar a justa importância ao que nos rodeia e assim encontrar uma solução. Aquilo que nos consome é no fundo permitir-mo-nos deixar que algo nos consuma.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Paternidade

A paternidade é um assunto sério, contudo é dos assuntos com que mais se brinca, pelo menos entre os homens. Contestar a paternidade alheia é piada típica, a dúvida em jeito de brincadeira e até de humilhação está sempre presente no meio das conversas masculinas, nomeadamente quando o tema toca aos supostos filhos. Os mais atrevidos chegam a fazer a piada mesmo à frente das esposas, lançando o típico "mãe diz que sim!", o que as deixa com olhares de vergonha perante quem ouve e de raiva para com quem diz, podendo trazer futuros dissabores para quem, no meio de um sorriso maroto, a pronuncia. Até aqui havia sempre quem se fizesse passar por pai do filhos dos outros, mas era rebatido porque quem perfilha tinha vantagens financeiras devido ao abono oferecido (é claro que tudo isto nos empirismos da brincadeira), mas agora esse argumento deixou de fazer sentido, pelo que, como dizia um amigo meu, que daria de bom grado sua fama da virilidade se alguém se oferecesse para pagar as despesas dos filhos, e no meio de candidatos possíveis a progenitores, salta um à vista, que é neste momento o Primeiro-Ministro. Afinal de contas ele entala toda a gente, pelo que já se já pesa em termos económicos, bem poderia perfilhar os filhos dos outros, até porque nos tempos que correm a virilidade não paga despesas. Mas isto claro, tudo nos empirismos da brincadeira, porque para muitos, a alegria de ser pai é das poucas coisas que lhes dá animo para seguirem em frente e se a coisa é a sério a brincadeira acaba-se de imediato.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Roda viva

Diz-se que a vida sempre gira, que está sempre movimento, mas por mais que me mova sinto-me sempre no mesmo sítio, porque aquilo que impera é o que se tem e não o que se quer, o que conduz à falsa sensação de que se persegue sempre algo mas no fim, por mais voltas que se dê, queremos voltar para onde partimos, mesmo quando o negamos e sabendo que ao chegar vamos querer novamente partir.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Daquelas coisas #8

...que odeio fazer!

Embrulhos! A falta de jeito aliada à falta de paciência e um produto final que acaba sempre por sair mal são os ingredientes certos para me irritar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Iluminados


Admiram-me essas pessoas que se acham capazes de explicar tudo e igualmente que tudo é passível de ser explicado de forma crítica e racional como se a vida fosse apenas mais uma mera equação, da qual, poucos, à excepção deles, conhecem as suas variáveis, ou simplesmente, sabem como resolver a mesma, coisa que nem todos sabem. Sendo certo que muito do que se vive é passível de ter explicação e que pela aprendizagem, seja ela de que natureza for, se consegue melhorar e superar certos aspectos e limitações, no foro interno de cada um há sempre aquilo que escapa, algo que falha e não é passível de ser ultrapassado. Mas depois surgem os iluminados que dizem o oposto, que o feitio pode ser moldado, que todas as limitações podem ser superadas, e parece-me que não tarda começarão a prometer a alteração da pessoa, da sua personalidade, do seu consciente e inconsciente, tudo claro, com vantagem para quem mostra esse caminho, quem diz ter uma sabedoria superior para o efeito, mas a meu ver a única sabedoria presente é mesmo a de conseguir arranjar um plano para conseguirem subtrair uns trocos a meia-dúzia de ingénuos que se lançam em desespero buscando uma solução em qualquer local onde a mesma prometa surgir. Se em tempos tínhamos os vendedores da banha-da-cobra, agora temos os entendidos do mesmo género, pelo que só muda o frasco, porque o conteúdo é sempre o mesmo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Constatação #41

Quando todos são maus, o melhor destaca-se. Quando todos são bons, o pior destaca-se.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Situações

Há sempre situações das quais queremos fugir, mesmo quando sabemos que as mesmas são inevitáveis, contudo, criativa e esperançosa que a mente humana é, consegue sempre tentar iludir a realidade com um qualquer argumento de ordem duvidosa, ou esperando simplesmente que a sorte se manifeste mesmo no limite do acontecimento. Sabemos no entanto que não há hipótese, que não conseguimos fugir por mais vontade e criatividade que se tenha, mas espera-se sempre por um milagre, mesmo quando não se acredita em milagres. A conclusão a retirar no meio disto tudo é nenhuma, resta inspirar fundo cerrar os pulsos, ficar alerta e venha o que vier estamos preparados, mas toda a coragem aparente rapidamente desaparecia por entre qualquer porta que se abrisse no último instante e por mais exígua que fosse, faríamos todos os esforços para fugir pela mesma.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Daquelas coisas #7

Se há coisa que dá aflições são lojas de loiça, cristais e cerâmicas ou respectivas secções nos hipermercados. Tenho sempre a sensação que à minha passagem alguma coisa se vai prendar em mim ou então me dê a travadinha e simplesmente toque em alguma coisa de modo inusitado provocando o derrube e queda de milhares de objectos frágeis e reluzentes. Deste modo tento o mais possível manter-me afastado desses locais e somente por absoluta necessidade caminho por lá, mas ainda assim sempre com o maior dos cuidados lado a lado com um algum receio, como se a minha presença tivesse algum tipo de superpoder sísmico ao ponto desses corpos vítreos parecerem começar a tremer e abanar, ameaçando cumprir os meus receios pela redução de tudo a cacos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

...


Habita em mim essa inquietude, essa vontade de ter vontade para depois não ter vontade de nada, esse desejo de fazer, de acontecer, de sonhar fazer e acontecer que me alimenta mais no plano das ilusões do que no plano da realidade. Habita em mim esse azedume, essa doçura, que se envolvem num luta constante e sem igual nem vencedor declarado, que se manifestam e rebaixam, que aparecem e desaparecem, deixando atrás de si esse rasto agridoce que magoa mas também não se sente, que deixa ir para igualmente não chegar. Habita em mim tudo e talvez nada, o que me lembro e não me lembro, o que sei e o que não sei, o pensamento e a falta dele, as grandes questões para as quais não tenho resposta e as respostas para as questões que não são minhas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ser ou não ser #2


Há sempre quem nos diga que somos os melhores, da mesma forma que há sempre quem nos diga que somos os piores. Raros no entanto são aqueles que nos dizem o que realmente somos, porque isso, talvez, só nos próprios é que sabemos, mas apenas nos nossos melhores momentos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mediatismos

Irrita-me quando alguém se vira para mim cheio de pontos de interrogação na expressão facial só porque não sei quem é fulano ou sicrano que apenas é famoso porque aparece num qualquer programa manhoso da televisão. Para mim essa coisa da fama é como tudo o resto, é fácil tê-la, difícil é ter substância ou mérito para a obter e manter, porque não basta ter os tão famosos quinze minutos, é preciso muito mais que isso e tudo conta, inclusive e primordialmente a forma e o contexto em que os mesmos se inscrevem. De outra forma é fácil obter-se a fama, talvez até uns dentes novos (para quem os tem estragados!) bastava tão simplesmente fazer-se de emplastro, o que é na essência aquilo que muitos supostos "famosos" são na realidade.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Daquelas coisas #6

Por vezes fico espantado com a quantidade de coisas inúteis que sei, ao invés de saber tantas outras coisas que me fazem, sem sombra de dúvida, mais falta. Isto sem falar do facto de despejar gratuitamente estas parcas mostras de conhecimento junto dos outros em vez de ser egoísta e ficar com elas só para mim. Pois, podia-me dar para droga, dá-me para isso!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Constatação #40

Há sempre quem tente ganhar aquilo que  não consegue e quem não se esforce para nada ganhar ganhando tudo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Imperativos da ocasião


Em algum momento ou momentos da nossa vida tivemos sempre algo que não dissemos quando deveríamos ter dito, algo que guardamos para nós mas que nasceu para se proferir, para chegar aos ouvidos de alguém, mas por falta de ocasião ou coragem, por medo ou confusão mental não se disse, nunca se chegou a dizer e como tudo na vida o prazo de validade termina, mas a memória não nem a mágoa que fica por se guardar algumas palavras no nosso interior. Muito tempo depois chega um dia em que já digerimos tudo e a ocasião que nunca tinha surgido acontece inesperadamente e podemos decidir falar de coisas do passado ou simplesmente voltar a esconde-las, porque há fantasmas que duram e divulgar a sua existência noutra altura que não a própria pode ter consequências inesperadas para quem ouve, pelo que se o dizemos é para isso mesmo, como uma vingança sobre o outro pela nossa falta a qual nunca é, como tantas vezes justificamos, para libertar algo de dentro de nós, porque isso há muito que está morto e enterrado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

...


Há quem diga facilmente certas palavras que fluem sem aviso da boca, mas não da boca para fora como parece ser, como acontece com tantos outros, ao invés são ditas com sentimento, mas um sentimento consciente, de quem sabe para onde vai, sabe o que quer, sabe o que sente nesse momento e não se põe a especular se amanhã sentirá igual, se será mesmo, porque o que interessa é o agora, mesmo que o agora seja uma passagem efémera, tal como o sentimento que se transmite. Quem ouve julga que não há verdade, não acredita, ou porque sabe que tal pessoa o fez muitas vezes com pessoas diferentes, ou então fica atónica porque ouve algo dito com uma normalidade e convicção que fica sem saber o que dizer, o que sentir. Depois há quem nunca saiba o que dizer, mesmo que sinta, mesmo que o seu interior arda por conter aquilo que compreende num campo que foge ao racional e a razão ao invés de ajudar lança dúvidas, lança questões, provoca distúrbios tendentes a danificar qualquer discurso possível, qualquer frase que se possa proferir com nexo, ou então remete tudo ao silêncio, ao estado de mudez que só se desfaz com um centelha de certeza que parte do exterior e nunca do interior. Há quem diga sempre, mesmo que não seja para sempre e há quem nunca diga ficando para sempre a remoer-se.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Do conhecimento

O conhecimento é algo relativo, algo que se tem mas nunca em absoluto, apenas em parcelas que se vão adquirindo com o tempo e de acordo a vontade de cada um, isto porque por muito fácil de alcançar um fruto numa árvore, uns dão-se ao trabalho de os colher, mas outros não.