segunda-feira, 7 de maio de 2012

Aventuras no Bus #5


Numa das minhas viagens de bus eis que, numa das paragens, entra um cego (ou invisual que é mais fino) com a sua respectiva vara a apalpar o terreno à sua frente. Até aqui nada de especial, o cego (invisual para quem cego possa parecer ofensivo) entra procura oblitera o cartão e vira-se para o corredor do bus com intenção de procurar lugar, nesse momento reparo na cara de mau que o cego (invisual que é politicamente correcto) e vejo-o a varrer o chão de um modo um tanto brusco com a vara sendo que a primeira vitima da mesma foi uma miúda sentada banco atrás da porta de entrada que levou uma valente verdascada e soltou um sonoro ai! O cego (invisual que é o termo técnico) nem desculpe nem carapuça nenhuma e continua na demanda por um lugar vago varrendo furiosamente o corredor com a sua vara e neste momento tal movimento fez-me lembrar um jogo de flippers, pois tanto à esquerda como à direita só se ouviam aí's!, cuidado!, olhe lá!, dando a volta ao corredor até ao átrio da porta de trás e eu que estava a seguir estava mesmo a ver que também me ia calhar uma verdascada, mas neste momento voltou para trás e prosseguiu o trajecto no sentido oposto no mesmo ritmo. Depois desta curta trajectória eis que finalmente encontrou lugar vago e sentou-se, exactamente nos lugares próprios para o efeito, já que as três velhotas que lá iam piraram-se após terem sido verdascadas à primeira e quando o viram voltar não esperaram para levar outra vez, tendo ido o resto do caminho de pé sem darem um pio e a tecerem olhares trovejados ao referido indivíduo, enquanto o mesmo ia à larga com três lugares vagos à sua volta, os quais foram conquistados pela força da vara!

5 comentários:

GATA disse...

O cego - invisual, portanto - é parvo! A deficiência não lhe dá o direito de ser estúpido! (se eu fosse no bus, o cego também ficava surdo e possivelmente a precisar de uma estética facial...!)

S* disse...

ahahah Infelizmente fez-me rir.

hierra disse...

É o que diz a Gata, ele é um parvo, porque não é por ser invisual que não tem de respeitar os outros!

Mnemósine disse...

Até alguns dos invisuais que andam a pedir esmola noto este tipo de atitude. No metro em hora de ponta não é raro as pessoas que viajam de pé serem atingidas e também não se ouve um pedido de desculpas nem se nota algum cuidado depois de atingir a primeira pessoa.

A Minha Essência disse...

Um diabo à solta, portanto. :S