terça-feira, 22 de maio de 2012

Leilão


Muitas vezes vendemos, damos ou deitamos fora aquilo que não queremos, aquilo que não nos serve mais, aquilo que achamos que não vai servir e está a ocupar espaço ou aquilo que não sabemos para que serve ou que julgamos ter a mais. Assim acontece com as coisas materiais, como também com algumas imateriais, como é o caso dos nossos direitos e da nossa liberdade. Somos livres mas nem sempre temos consciência disso, temos direitos mas não os sabemos usar, talvez porque nunca fomos pressionados, nunca vivemos com opressão e desse modo damos de mão beijada tudo aquilo que nem sabemos que temos, como quem vende uma relíquia cheia de pó que encontrou no sótão por dois tostões a um coleccionador, o qual, conhecendo o seu verdadeiro valor vende por milhões, sendo que depois ficamos abismados, sentimo-nos ultrajados, enganados, simplesmente porque olhamos sem fazer a respectiva pesquisa para saber que estávamos a ser enganados. Na vida cívica muito acontece da mesma forma, abrimos mão de coisas de valor superior porque enquanto as temos não lhe sentimos a falta, não reparamos nas mesmas, mas uma vez que as mesmas ficam fora do nosso horizonte gritamos pelos mesmas, sentimos a sua falta e caímos na disposição de ficarmos deprimidos por nunca as reaver ou na raiva que nos leva a lutar para desfazer um negócio onde metade da culpa é nossa e a outra metade de quem, astucioso, nos conseguiu fazer acreditar que aquilo que tínhamos não nos fazia falta e seria muito melhor aproveitada em mãos que não as nossas.

2 comentários:

GATA disse...

Eu estou cada vez mais minimalista, um dia deste até deito 'moi-même' fora! :-)

S* disse...

E o nosso lixo pode ser o luxo dos outros...