terça-feira, 5 de junho de 2012

Alquimia do excesso


Os antigos alquimistas tinham como objectivos máximos da sua vida descobrir o elixir para a vida eterna e como transformar chumbo em ouro. Pelo caminho descobriram outras coisas, também elas úteis, mas o seu objectivo máximo permanecia igual, como se soubessem que o mesmo era praticamente impossível, porque assim poderiam passar toda a vida ocupados, pesquisando, indagando, mantendo a mente ocupada e  inovando.
Nos dias que correm há muita gente que gostaria também de perseguir esses mesmos objectivos, ainda pouco façam para alcançar, mas dado que o conhecimento é outro e  o tempo é pouco, ninguém o perde à procura do impossível, mesmo que isso seja um óptimo exercício mental, quiçá, espiritual. Creio que se perdeu um pouco essa qualidade, a vontade de perseguir um ideal, por mais louco e impossível que este seja. Vivemos a pensar no amanhã, quando muito no depois de amanhã, não temos tempo para perder com o longo prazo, receamos perder o pouco que temos à procura do que dificilmente se encontra. Talvez por isso vamos acabar por deixar muito pouco para as gerações vindouras, muito pouca sabedoria, muita pouca paciência, mas acima de tudo deixaremos os nossos excessos, porque viver em pouco tempo significa desperdício, significa estragar muito porque não há tempo para seleccionar o que é específico, porque se quer tudo para se acabar no fim por não se ter nada, e acima de tudo para não deixar nada.

3 comentários:

Utena disse...

Dizem os entendidos que essa buscar era mais espiritual que real pois o ouro acontecia quando o conhecimento chegava.
Hoje em dia quer-se resultados sem trabalho...

Olívia Palito disse...

"Talvez por isso vamos acabar por deixar muito pouco para as gerações vindouras..." - Nem imaginas as vezes que penso nisso quando olho para o meu filho.

GATA disse...

Não quero a vida eterna, nem quero deixar nada para as gerações vindouras... Já tenho muito que fazer com tratar de sobreviver, e quando morrer, morri. Pim! :-)