quarta-feira, 13 de junho de 2012

Prescrição


A vontade de dizer algo prescreve, tal como prescrevem tantas coisas da nossa vida civil. Há um tempo útil para as dizer da mesma forma que razão e a vontade para o fazer só fariam sentido se tal fosse proferido nesse momento, curto, médio ou até longo, mas dentro desse intervalo determinado pelo que sentimos e achamos como certo, como imprescindível ou por outro motivo que nem sabemos determinar. Mas se o tempo se torna demasiado longo, se a falta de situações oportunas não surge, se as palavras se enrolam e nos sufocam mais do que nos libertam num determinado momento que julgámos apropriado para o efeito, vamos deixando para outra vez e para outra, até que todo o valor e vontade do que se tinha para dizer se perde, deixando atrás de si essa pálida memória, esse gosto a ácido que nos faz engolir em seco quando pensamos com nostalgia num determinado tempo, numa determinada fase, onde se tinha tanto para dizer, tanto para partilhar, mas por nossa covardia ou por pura falta de oportunidade nunca se disse, ficando enterrado para sempre dentro de nós, quiçá até esquecido, mas nunca na sua totalidade, porque a mágoa de tal infortúnio, essa, nunca se esquece por completo.

3 comentários:

Utena disse...

Viver a vida nos "ses" nunca é realmente viver

GATA disse...

Ai não me fales nas tantas coisas que prescreveram na minha vida... :-(

hierra disse...

Ui que título,até me assustei. Infelzimente os sentimentos maus nunca prescrevem...