quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Da vontade #2



A vontade de dizer algo, de expressar algo, uma palavra, um gesto, um sentimento, tantas vezes fica ali, naquele sítio, a meio caminho entre o cuspir e o engolir, atravessada na garganta, perdida no rol de um discurso que se constrói com um objectivo definido mas sai gorado, fica em suspenso, ganha vida própria acabando por ir para outro caminho sem dar hipótese ou abertura à libertação daquilo que se queria. A vontade mantém-se, instala-se, procura-se não deixar morrer, mas mata-nos porque não sabemos como a dominar, o que fazer com que ela, utiliza-la positivamente, para atingir o objectivo que no fundo é a razão do seu ser, da sua existência, ao invés acaba por apodrecer, por voltar-se contra si própria, por voltar-se contra nós próprios, o recipiente onde a mesma nasceu, onde a mesma reside, vive e no fundo acaba por rebelar-se, contra tudo, contra todos, para nos deixar com a única vontade de não ter nenhuma vontade.

3 comentários:

GATA disse...

A vontade de dizer algo... se eu dissesse tudo o que realmente penso a certas pessoas, já estava no Além! :-)

Utena disse...

Não se devem combater as vontades e acabam vazios delas.... das vontades

A Minha Essência disse...

No meio de tudo tem que imperar o bom senso. Porém, aqui por estas bandas, nem sempre isso acontece. Os impulsos, os impulsos...