terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Post Necrologico

Sempre ouvi dizer que depois da morte deixamos de ser, isto é, a nossa vida acaba em todos os sentidos físicos e legais. No entanto estou em crer que os nossos mortos devem ser dos que mais se mantêm activos no mundo porque aqui ninguém os deixa descansar em paz, muito menos o Estado. Senão vejamos, temos mortos activos no cadernos eleitorais (que muito ajudam as estatísticas políticas  no sentido de dizer que a abstenção é sempre muito alta), depois temos mortos com dividas ao fisco e a receber da segurança social (ou porque morreram e esqueceram-se de avisar ou porque dá jeito aos familiares que assim seja para ganharem uma reforma alheia), os mortos que continuam inscritos no sistema nacional de saúde (nunca se sabe no além há depois médico disponível) e finalmente os mortos que não estão mortos mas o Estado diz que estão mesmo quando eles estão vivos e de boa saúde mas não podem fazer nada porque alguém se lembrou de os matar devido com um erro administrativo (e não são espiões ou assassinos a soldo, são mesmo pessoas comuns a quem dava jeito estarem vivas para se orientarem). Desta forma penso que ninguém nos pode acusar de malandros, porque até depois da morte continuamos activos e obrigamos os nossos mortos a ficarem quase vivos, agora se para o bem ou para o mal isso já é outra história. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

...

À pergunta - O que queres? - nem sempre sabemos responder, ou mesmo não sabemos de todo o que responder, porque saber o que se quer é quase o mesmo que saber para onde se vai, mas sabemos igualmente que tantas vezes queremos algo ardentemente, de tal forma que esse desejo acaba por nos dominar e levar-nos para um caminho que serve apenas para nos perdermos, o que suscitará arrependimento e vontade de voltar atrás para se refazer o percurso, mas tal só é possível às vezes, muitas vezes é demasiado tarde. Talvez por isso a resposta a tal pergunta deva sempre permanecer enublada, difusa, mas não demasiado, apenas num equilíbrio suficiente para sabermos qual será o nosso próximo passo, mas nunca a total finalidade do mesmo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Desafio felino

A Gata propôs-me o seguinte desafio ao qual passo a responder:
1 - Nome da minha música favorita: Não tenho uma música favorita, tenho várias e são favoritas consoante o tempo, pelo que é-me praticamente impossível responder a esta pergunta.
2 - Nome da minha sobremesa favorita: Qualquer coisa doce ou sumarenta sabe-me sempre bem, só não gosto de mousse de chocolate ou coisas muito achocolatadas.
3 - O que me tira do sério: A hipocrisia, a estupidez, a arrogância, a ganância, o chico-espertismo, a moleza alheia, a frivolidade e claro, tudo  isto podia-se resumir nos políticos!
4 - Quando estou chateado... Fujam!!!
5 - Qual o meu animal de estimação favorito: Chamava-se Sócrates mas fugiu!
6 - Preto ou Branco: Os dois.
7 - Maior medo: Qualquer acto impensado tomado no calor do momento ou fora dele que se poderá traduzir em terríveis consequências para o meu futuro.
8 - Atitude quotidiana: Não me chateiem que eu não chateio ninguém!
9 - O que é perfeito: Poder dormir sem ter horas para me levantar da cama.
10 - Culpa: Nem sempre medir o que faço e o que digo.

Sete factos aleatórios sobre mim:
1 - Compro livros e depois não os leio;
2 - Custa-me imenso limpar e arrumar a casa;
3 - Bebo sempre leite de manhã;
4 - Não tenho sorte no jogo nem no amor;
5 - Gosto de viajar mas tenho preguiça de o fazer;
6 - Esqueço-me muito de palavras e expressões mas raramente uma imagem ou rosto;
7 - Quando gosto muito de um filme revejo-o vezes sem conta.

Supostamente teria de desafiar 10 bloggers, mas em vez disso passo este desafio a todos quantos estiverem dispostos a responder ao mesmo.

PS: Só para recordar que curiosidade matou o gato, pelo menos é o que se diz!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Acertar

Muitas vezes nada é como imaginamos e por vezes até como pensamos em plena consciência. A análise que fazemos a algo que desconhecemos é sempre relativa e ainda que possa ser construída com base em critérios bem definidos há sempre algo que escapa, sendo preenchidos por alguma imaginação, por vezes até um pouco fabulosa demais. O que é curioso é são essas partes preenchidas pela nossa criatividade que, ou acertam melhor do que qualquer ideia racional tecida, ou falham redondamente num grau muito maior a qualquer falha por parte da lógica concreta. Parece-me que aquilo que temos por construções baseadas na pura fantasia são puras especulações ou, mais raramente, percepções extrassensoriais. De uma forma ou de outra ou se falha ou se acerta, mas mesmo quando se acerta por vezes não é na totalidade e nem sempre se sabe bem porque se acerta.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Momento côr-de-rosa

É daqueles casos em que para mim se aplica aquela máxima, DAR NOZES A QUEM NÃO TEM DENTES!
A Heidi não lhe chegava, nem é bonita, esbelta e isso tudo nem nada...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dos sonhos #3

Se há momentos felizes são aqueles em que se sonha com impossibilidades, com coisas que até podem ser passíveis de vir a ter ou realizar, mas cujas distâncias são cósmicas e as probabilidades de acontecerem são de uma em um bilião. Ainda assim as impossibilidades levam-nos para outro lugar, para outro mundo, mesmo sabendo que tudo não passa de uma ilusão conscientemente criada não deixa de nos fazer esquecer a realidade, permitindo ao mesmo tempo um longo e reconfortante suspiro antes de se olhar para uma realidade que tantas vezes pouco tem de sonhos realizados, ao mesmo tempo que se encontra minada com tantos obstáculos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O "novo" pobre!

Ao ver as notícias não posso deixar de sentir pena do nosso Presidente da República. Na verdade o facto de o mesmo dizer que receia que as pensões que aufere não cheguem para as despesas que tem leva-me a perceber o quanto esta "crise" afecta todos de igual, desde o que aufere o salário mínimo até ao que ganha perto de dez mil euros em pensões. É realmente triste e muito vexatório para o nosso país se um dia o Presidente da República tiver de ir fazer as suas refeições à sopa dos pobres e andar pela rua a posar para as fotografias junto dos turistas estrangeiros pela módica quantia de um euro o retrato com o Presidente da República Português. Desse modo, como patriota que sou gostaria de usar este espaço para iniciar um PAUDITÓRIO com vista a ajudar o senhor, porque nos tempos que correm creio que é o mais correcto a fazer e ele bem merece pelos esforços que tem feito ao longo da vida pelo nossa nação, mas acima de tudo por dar mostras que também ele "está à rasca", o que é realmente uma atitude digna de quem NÃO TEM VERGONHA de afirmar as dificuldades que pode vir a passar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Conselhos

Dar conselhos a alguém é sempre um pau de dois bicos, isto porque muitas vezes quem os pede fá-lo julgando ouvir aquilo que quer e não aquilo que o outrem tem para dizer, depois nasce um ódio terrível em relação à pessoa que os deu, chegando ao ponto de passar de amigo a traidor ou mesmo inimigo, tudo porque se disse aquilo que se pensava. Por outro lado para se dar conselhos é preciso sapiência, é preciso ter experiência, de outra forma dá-se qualquer coisa que pouco ou nenhum proveito pode ter. Eu no que toca a dar conselhos dou poucos, só daqueles muito terra-a-terra, no caso dos outros digo a verdade nua e crua devido à minha falta de polimento político, talvez seja por isso que raramente mos peçam.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

...

A espécie humana não para de me admirar. Todos conhecemos os valores justos e louváveis da igualdade, da liberdade, solidariedade, da justiça e fraternidade mas com as coisas que vejo penso que tais, para algumas pessoas, é o mesmo que dar pérolas a porcos e chego mesmo a duvidar se chamar ser humano a certas criaturas não será uma vergonha para a restante humanidade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Miragem

Quando se olha pode-se não ver nada, ainda que a visão esteja em bom estado, pode-se deixar de ver quando se julga ver, da mesma forma que se procura sem encontrar, para descobrir, depois, que esteve sempre ali e não longe, onde se procurava, para onde se olhava. Mas por mais que saiba que nem sempre se pode fiar no nossos sentidos, mesmo que se saiba que a distância é sempre relativa, erra-se continuamente, continuando-se a olhar sem ver e a procurar sem encontrar, para depois se perceber, muito mais tarde, que ou não se via aquilo que era visível ou não se achava aquilo que não estava escondido.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Constatação #43

Desconfiar sempre quando alguém que nunca nos deu muito cavaco ou mostrou muito os dentes fica, subitamente, muito nosso amigo, tratando-nos tu cá, tu lá, sem nenhuma razão aparente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Daquelas coisas #10

Nunca percebi muito bem aquela tendência que namoradas e esposas têm de oferecer aos mais que tudo roupa com cores pouco másculas e refiro-me a este propósito, quase em exclusivo, ao rosa. Será um modo de os castigar por serem demasiado másculos e não depilarem o peito ou outras pilosidades do corpo como algumas preferem? Será para mostrar ao mundo e a eles de forma encoberta que elas é que é mandam? Ou será simplesmente porque têm péssimo bom gosto e prefiram uma versão light do masculino quase a roçar o gay? Pois não sei, mas o certo é que depois, alguns gostam mesmo daquilo e acabam por ser eles próprios a comprar indumentária com essa cor, mas as razões para isso tanto podem passar pelo gosto estético ou por alguma descoberta sobre os mesmos no decorrer da sua existência. Aquilo que é certo é que o normal dos homens até pode usar, mas só mesmo obrigado, muito obrigado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Variáveis

A pior das variáveis não somos nós, nem a nossa disposição ou o facto de temos uns momentos melhores ou piores. A pior das variáveis são os outros porque nunca se sabe o que os outros pensam, sentem, ou, tal como nós, em que estado estão num determinado momento e tantos que escondem o que pensam ou como vão reagir, num jogo que destrói as probabilidades, o que acaba por nos levar a jogar o jogo  dessa forma, tentando esconder ao máximo o que somos para diminuir a vantagem de quem sempre o fez.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Daquelas coisas #9

Ontem achei cinquenta cêntimos na rua e guardei-os no bolso. Embora não seja o euromilhões é melhor que nada e sempre é melhor que encontrar um cêntimo. Conclusão, o bolso estava roto e perdi os cinquenta cêntimos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Emissão

Há pessoas que conseguem dizer tudo com o olhar, com uma expressão no rosto ou qualquer outro gesto não aparente. O problema é que por vezes confunde-nos a expressão que vemos com aquela que julgamos estar a ver, da mesma forma que nem sempre percebemos essa expressão correctamente ou a entendemos como tal de tão distraídos e confusos que estamos. Perceber o que os outros nos transmitem por estes meios carece de tanta ou melhor capacidade como para difundir pelo mesmo comprimento de onda tais mensagens de modo a que consigam chegar ao seu destinatário sem ruído, de forma difusa mas suficientemente perceptível para se evitar especulações ou omissões.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Lágrima

Uma lágrima pode parecer apenas uma de água salgada que escorre por um rosto, mas é muito mais do que isso, é um sentimento que se esvai, é uma dor que se manifesta diluindo-se pelo olhar atormentado e apesar de parecer pequena e insignificante traduz por si só muito com tão pouco. As lágrimas deviam ser raras, mas muitas vezes abundam e multiplicam-se mais do que gostaríamos, até ao ponto da sua fonte secar por completo e no seu lugar ficar ainda a inquietação  que se expressa com secura, porque as lágrimas podem ser água, mas nem tudo pode a água lavar ou levar consigo, pelo que tantas vezes aquilo que era oceano revolto e lúgubre acaba por ser substituído pelo deserto áspero e frio.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Da frontalidade

A frontalidade tanto pode ser um defeito como uma virtude, isto porque para uns agrada alguém ser frontal, para outros nem tanto, sem falar ainda dos momentos em que ao invés de se ser frontal devia-se era ser exactamente o oposto, ou na melhor das hipóteses simplesmente mudo e sem opinião. Parece-me ainda que apesar de alguns afirmarem que gostam de alguém directo e sem papas na língua, tal não é mais do que uma desculpa de mau pagador, que se descobre quando o mesmo é visado pela frontalidade que defendia. Por outro lado há os frontais com bom senso e os frontais loucos que tudo dizem sem medir, ou porque estão com os nervos à flor da pele ou porque são simplesmente parvos, sendo que quem não costuma ser frontal confunde muita vez estes aspectos, julgando que tal é não ter barreiras ao ponto de em vez de ganhar pontos, só perde, o pior de tudo é que depois poucos são aqueles com frontalidade suficiente para darem uma resposta à medida de quem se estica porque a estupidez, diga-se, raramente merece resposta.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Querido, "estraguei" a casa!

Desde que apareceram os programas de bricolage na televisão, muito em particular o "Querido Mudei a Casa", muita gente tem-se dedicado a fazer remodelações em casa por conta própria. Até aqui nada de anormal, o problema é que muita gente vê aquilo na TV, parece ser simples e até pode ser, mas nunca pregaram um prego na vida, pelo que o resultado depois por ser duvidoso ou próximo da catástrofe, tanto mais que começam com entusiasmo e na pior das hipóteses têm de contratar alguém para rectificar aquilo que, segundo os próprios, terá sido o "anterior técnico", esse incompetente e aldrabão, a deixar aquilo naquele estado. No meio de tudo isto quem ganha são as grandes lojas de produtos de bricolage, onde se vê esses supostos "queridos" de sorriso nos lábios e montes de ideias na cabeça, comprando para tal todo o material necessário e desnecessário, coisas que nem sabiam que existiam ou para que servem. Depois há aqueles que arriscam e a coisa até sai bem, ao passo que outros, por terem suado as estopinhas ficam alienados julgando ter realizado algo digno de mostrar, o que fazem alegremente aos amigos, os quais, com aquele ar de quem vê uma bela porcaria feita mas tenta disfarçar, dizendo: Ah sim, ficou muito bem, pois... reafirmando com acento positivo tudo o que diz quem carpinteirou, sobretudo na hora em que falam da trabalheira que deu  a sua realização, do antes e do depois, motivo mais que válido para classificarem a sua obra como uma obra-prima, até porque foi a "primeira" mesmo, mas na mente de quem observa se calhar mais valia terem ficado quietos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Do fracasso

O fracasso não deixa de ser uma tentativa, algo que se fez mas não se concluiu, a falta de ar a meio da caminho, a perda de forças, o recuo ou a falta dele, o cálculo mal feito que se traduz na diferença entre ser e quase ser, de ter e quase ter, de se conseguir ou não algo deixando o amargo de boca por tão perto se ter estado mas não se ter atingido. O fracasso é essa memória que fica pela vontade de querer recomeçar, de se tentar de novo mas apenas quando se pode, quando há hipótese para tal, de outra forma é um veneno que corrói, um remorso que tudo engole por se ter tentado quando não se deveria, ou se devia ter feito de outro modo, noutro tempo, em espaço diferente. O fracasso pode ser força, pode ser combustível, alimentar a sabedoria, dar a vantagem de quem já conhece as regras do jogo, o antídoto que coloca quem já fracassou imune ao fracasso, e assim aumentando a garantia de que não voltará a fracassar, pelo menos num determinado jogo, porque a vida essa é demasiado longa e complexa para se conhecer na sua totalidade, pelo que o fracasso espreita e espreitará sempre, qual fera que nos persegue e nos atinge à mínima distracção.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vontade

Por vezes temos vontade de fazer tanta coisa e tanto que há por fazer e descobrir, mas na verdade falta-nos a vontade de facto para fazer aquilo que queremos, ou que pensamos querer. A vontade pode nascer na nossa cabeça, no meio dos nossos desejos mas daí à sua realização ou tentativa de a efectivar vai uma grande distância e talvez essa seja a medida que distinga de facto uns e outros mais do que qualquer outra coisa nesta vida.